segunda-feira, 29 de abril de 2013

A FARRA DE ACADÊMICOS E JURISTAS COM O POVO BRASILEIRO

INTELECTUALIDADE CULTURAL E JUDICIÁRIO - Em vez de lutar pela melhoria do Brasil, lutam pela permanência do "estabelecido" com o aval da grande mídia.

 Por Alexandre Figueiredo

Vivemos uma crise de representatividade no Brasil. As notícias acerca do Judiciário e da intelectualidade cultural brasileiras causam vergonha àqueles que se sentem agora desprotegidos, na medida em que aqueles que deveriam lutar pelas melhorias sociais são justamente os que pouco se interessam em fazê-la.

No Judiciário, a coisa fica mais clara. Os juristas agora sofrem de ataque de estrelismo, depois dos fracassados inquéritos da CPI do "mensalão" e do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, onde apenas se condenaram alguns poucos acusados, como José Dirceu e José Genoíno, de um lado, e Demóstenes Torres, de outro, sem qualquer investigação aprofundada.

De repente, o trabalho, mal feito e com resultados um tanto duvidosos - sobretudo no caso dos dois petistas, outrora figuras históricas do esquerdismo dos anos 60-70, condenados praticamente às pressas pela pressão oposicionista - , além de poupar, no caso da CPI do Cachoeira, o depoimento de envolvidos prováveis, como Policarpo Júnior e Sérgio Cabral Filho, fez a fama de uma elite de juristas.

Até mesmo Joaquim Barbosa, deslumbrado com a fama, decidiu viajar para os Estados Unidos, utilizando dinheiro público, para receber um prêmio de valor duvidoso, concedido pela reacionária revista Time, cujo grupo editorial tornou-se famoso, aqui, pelas transações ilegais feitas com o empresário Roberto Marinho para o financiamento da TV Globo do Rio de Janeiro, embrião e sede da atual Rede Globo.

Hoje o Judiciário vive um conflito com o Legislativo, por causa de uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite ao Legislativo recorrer a uma decisão do Judiciário. Seria uma forma de minimizar o poder absoluto atribuído ao Judiciário, cujos ministros, além de se acharem com "superpoderes", estão entre os que recebem os salários mais altos do Brasil.

De repente, Joaquim, Gilmar Mendes, Carlos Ayres Britto, Luiz Fux e Roberto Gurgel tornaram-se astros do Judiciário, nem sempre adotando posturas coerentes e se vangloriando por um trabalho duvidoso, muitas vezes discutível, em outras insuficiente.

Não bastasse as posturas de Gilmar, o mais reacionário deles e que chamou a classe jornalística de "cozinheiros", ou as semelhanças de Gurgel com o humorista Jô Soares, ou o namoro de Joaquim com a Time, e as "gracinhas" guitarrísticas de Luiz Fux, essa "turma" anda também em verdadeira lua-de-mel com a grande mídia.

É o que se nota em Carlos Ayres Britto enviando, feliz da vida, um prefácio de presente a uma "coletânea" do "imortal" Merval Pereira sobre o "mensalão", dotada dos preconceitos que o "calunista" de O Globo tem da classe petista, confundindo o direito de criticar o PT com o abusivo hábito de esculhambá-lo gratuitamente.

E A INTELECTUALIDADE?

Com a intelectualidade cultural, a coisa não é diferente, embora o contexto seja diferente e seus "pensadores" tenham que fazer proselitismo às esquerdas, às vezes trabalhando até nos veículos deste plano ideológico.

Tornou-se bastante conhecidos, através deste blogue, os posicionamentos ideológicos de Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna e Ronaldo Lemos, entre outros, em relação à cultura brasileira.

Graças a esses intelectuais - de certo modo "patrocinados" por George Soros ou pela Fundação Ford - , virou norma na classe acadêmica evitar a contestação da imbecilização cultural brasileira, através de um "relativismo" fenomenológico em que o "popular" vira pretexto para qualquer baixaria, a degradação sócio-cultrual é apenas um "modo de felicidade popular" que a sociedade mais esclarecida "não" entende.

Ultimamente, o "funk carioca" passou a ser cortejado pela grande mídia de forma mais intensa, lembrando a campanha "socializante" de 2003. No entanto, atualmente, com a grande mídia sem o poderio absoluto de outrora, o "funk carioca", apesar da poderosa blindagem que envolve o gênero, os questionamentos também começam a florescer.

Afinal, não se trata mais da sociedade aceitar a "choradeira" intelectual, dissolvida até em "modestas" monografias e "singelos" documentários que pediam a aceitação do "funk carioca", superestimando a suposta importância de um ritmo dançante comercial como um "movimento social de caráter popular". Trata-se de questionar a campanha, que teve muitos momentos incoerentes.

A campanha chegou ao ponto de interpretar mal boatos ou fatos imprecisos, como a classificação do "funk" como um "patrimônio cultural", fato que nunca aconteceu, até porque o título de "movimento cultural de caráter popular" (e não de "patrimônio cultural", como foi noticiado pela imprensa popularesca) foi dado pelo Legislativo carioca e não pelos técnicos do IPHAN.

Houve também o mal-entendido em que Paul McCartney pesquisava o som de uma banda de rock influenciada pelo "funk carioca" e um produtor disse que Paul estava à procura daquela energia, que era da banda curitibana Bonde do Rolê, e não dos "bailes funk", como foi erroneamente noticiado.

Para uma intelectualidade cultural que graceja quando alguém fala que o "funk carioca" é apoiado pela CIA e pelo Departamento de Estado dos EUA, fato comprovado pela intermediação de empresas multinacionais, instituições "filantrópicas" e veículos de mídia brasileiros que apoiam "Tio Sam", enxergar verdade em fatos mal interpretados é uma grande incoerência.

E quem acha essa intelectualidade cultural não tem a ver com o Judiciário, deve-se observar a mesma Regina Casé cúmplice de Hermano Vianna saudando o Joaquim Barbosa cortejado pela grande mídia. E, se o STF anda querendo derrubar José Dirceu e José Genoíno, a intelectualidade cultural quer derrubar Chico Buarque, com o mesmo valor histórico dos anos 60 na contestação ao regime militar.

A partir desses dois casos, a representatividade brasileira, já arranhada pelos abusos da classe política e pelo reacionarismo grotesco dos meios de comunicação, está vivendo uma séria crise. Dessa maneira, é difícil acreditar que o Brasil será uma potência mundial. A não ser que possamos mexer.

Defender a regulação midiática é uma boa tentativa. Ela é uma das esperanças que a sociedade têm para diminuir o poder de "semideuses" intelectuais e "super-heróis" do Judiciário que se acham acima da sociedade e querem julgar contra e acima do interesse público.

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