domingo, 7 de abril de 2013

A CENTRO-DIREITA CULTURAL E SEUS MEDOS


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade etnocêntrica, aquela que acredita no jabaculê das rádios "populares" como o futuro do folclore brasileiro, tem seus medos e suas neuroses. Identificada com uma visão mercadológica da cultura popular, representada pela chamada "cultura de massa" derivada da "cultura" brega, essa intelectualidade tenta disfarçar seu direitismo com posturas forçadamente progressistas.

Se eles não conseguem disfarçar seu mercantilismo neoliberal exaltando o "negócio da música" - com o termo "negócio" camuflado pela sua própria ambiguidade, pois a palavra tanto significa "uma coisa qualquer" quanto um empreendimento - , eles no entanto precisam pegar carona na agenda política das esquerdas médias, ocultando as posições ideológicas reais.

Nota-se que essa intelectualidade transitava tranquilamente entre a mídia direitista, sobretudo O Globo / Rede Globo, Caras e Folha de São Paulo, mais receptivas à campanha de defesa do brega, e os espaços de esquerda mais flexíveis ou que não tinham uma agenda de análise cultural definida.

Transitava, porque, depois que blogues como este revelaram as contradições da intelectualidade comandada por Paulo César Araújo e Hermano Vianna, ficou difícil criar um verniz progressista para pontos de vista que são defendidos até por Nelson Motta, em plenos salões do Instituto Millenium, ou por gente como William Waack, Gilberto Dimenstein e Luciano Huck.

Mas, mesmo assim, eles insistem. Afinal, há uma obsessão dessa intelectualidade de se associar à esquerda. Se não para defender a "cultura de massa" brega e seus derivados como uma "rebelião bolivariana" brasileira, pelo menos para adotar posições supostamente progressistas em outros setores.

Quem não se lembra de um Eugênio Arantes Raggi, escrevendo feito um Reinaldo Azevedo mais tropicalista, mas jurando que odiava a revista Veja. Ele também havia "atacado" afins como Marcelo Madureira e Marcelo Tas nas mensagens que divulgava em fóruns na Internet?

Ou Pedro Alexandre Sanches, cria da Folha de São Paulo, falando mal também de Marcelo Tas, ou de Eliane Cantanhede, ou da Globo e Folha como instituições, mas defendendo os bregas com uma abordagem que não difere muito de uma Ilustrada ou de um Jornal da Globo?

O que será que isso ocorre? Serão apenas ataques a desafetos? Será um medo de que essa intelectualidade seja associada a grupos políticos e midiáticos considerados decadentes? Será algum medo ou insegurança de assumir verdadeiras opções ideológicas? Ou será uma forma de agradar contatos estratégicos nas esquerdas médias?

E a regulação midiática? Será que esses intelectuais vão continuar iludindo a opinião pública, ao se julgarem teoricamente a favor da medida, desde que ela se limite a fazer com que os chamados "urubólogos" (jornalistas políticos reacionários) deixem de falar mal de Lula e Dilma Rousseff?

A herança de centro-direita é explícita. Afinal, suas visões sobre cultura popular são claramente herdadas do pensamento neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Não fossem as derrotas eleitorais do PSDB, essa intelectualidade seria a intelectualidade de apoio ao tucanato. Mas seus medos e neuroses são um mistério, mesmo nas suas vocações neocom.

Afinal, como podem ser progressistas e "anti-mídia" intelectuais que se horrorizam quando algum outro pensador deseja cultura melhor para o povo e contesta o establishment do entretenimento patrocinado pela grande mídia? Eles chegam a acusar esse desejo de melhoria de "elitismo" e só admitem que a cultura melhore dentro dos limites da mediocridade e imbecilização dominantes.

Uma coisa é certa: eles não são intelectuais realmente progressistas, pelas ideias que eles apresentam, por mais que suas poses e posturas tentem desmentir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...