sábado, 6 de abril de 2013

A BANALIZAÇÃO DA CAUSA LGBT

MARCOS FELICIANO E DANIELA MERCURY - Cantores, celebridades, mas de causas sócio-afetivas antagônicas.

Por Alexandre Figueiredo

Recentemente, dois episódios fizeram os defensores da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis) se expressarem com grande presença na sociedade, com efeitos na cobertura midiática.

Primeiro, é a insistência do deputado, pastor evangélico e cantor Marcos Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que de tantos protestos que causa o fez determinar que as reuniões da comissão se deem agora sem a participação do público, só abrindo espaço para o acompanhamento dos jornalistas.

Segundo, é a declaração da estrela baiana Daniela Mercury que, meses depois de se separar de um empresário francês, decidiu se casar com uma jornalista, com quem namora há pouco tempo. Daniela já havia beijado mulheres em outras ocasiões, mas atualmente a cantora decidiu assumir a opção do lesbianismo.

Os movimentos sociais estão solidários com Daniela e repulsivos com Marcos, o que sem dúvida alguma poderá refletir na transformação dos valores de relações sexuais e afetivas no Brasil, pressionando para que leis futuras possam beneficiar cônjuges do mesmo sexo. Mas o ativismo, justo, acaba sofrendo um grave problema.

Afinal, a mídia machista dita "popular" pega carona na causa LGBT para disfarçar seu machismo. E, como na cartilha brega-popularesca, valores retrógrados são camuflados com um verniz de pretensa modernidade. A vulgaridade feminina, sem uma causa a assumir, cheia de musas que só mostram demais o corpo, tenta pegar carona em causas relacionadas ao "sexo livre", inclusive a causa LGBT.

Andressa Urach e Valesca Popozuda saíram na frente e dentro de uma perspectiva politicamente correta, tornam-se as "defensoras" da causa gay, tentando, com seus exemplos, atribuir um pretenso ativismo social ao "funk carioca", do qual são associadas.

As paniquetes também tiveram posturas "lésbicas" divulgadas pelo sensacionalismo midiático. Em muitos casos, isso é desculpa para disfarçar o celibato profissional de muitas delas, como numa inversão de sentido da famosa prática de bullying que atribui falsamente como homossexualidade o fato de vários homens permanecerem solitários por muito tempo.

MACHISMO, NA GRÉCIA ANTIGA, ERA GAY

No Brasil, há uma visão equivocada de creditar o machismo como uma ideologia tradicionalmente homofóbica. Na verdade, a influência do moralismo de setores medievais da Igreja Católica, que predominaram sobretudo no Brasil colonial e imperial, criou no machista brasileiro um hábito de valorizar a natureza masculina sem aderir, ao menos aparentemente, à atração sexual e afetiva por outros homens.

Só que, na verdade, o machismo sempre foi gay. E isso não se prova no sarro que o grupo de disco music Village People - do famoso sucesso "Macho Man" - , nem por hábitos enrustidos de machões preferindo se reunir entre si, nus, num vestuário, ou no fanatismo esportivo e na agressividade das gangues, mas isso vem desde a Antiguidade clássica grega.

Naqueles tempos, as mulheres não eram consideradas cidadãs, e eram reduzidas a escravas do lar, brinquedos sexuais e animais reprodutivos. Até no teatro os papéis femininos eram feitos por homens, e muitos adultos, além de machistas, eram gays e pedófilos ao mesmo tempo, sempre contando com adolescentes de aparência atrativa para seu recreio amoroso.

A própria estrutura etimológica da palavra "machismo" também sugere "algo mais" na valorização dos homens pelos homens. Pois, em se tratando de "ismos", seu sentido pode se equivaler, por exemplo, a capitalismo, quando se refere à valorização do capital, ou a jornalismo, quando se refere á profissão de jornalista e à produção de um jornal.

Nesta abordagem, "machismo" seria uma ideologia em que homens valorizam prioritariamente os homens, não apenas no sentido moral ou sociológico, mas também estendido à preferência sexual, na medida em que a mulher é reduzida apenas a um ente reprodutor e que desempenha tarefas que os machistas não estão interessados em fazer.

APOIO DE "POPOZUDAS" NÃO AJUDA

Portanto, não há como afastar a acusação de machista na cena de musas "boazudas" ou "popozudas" que aparecem aos montes na velha grande mídia. Até porque o machismo volta a ter um caráter supostamente "liberal", pela força do politicamente correto que resgata a antiga vocação gay do machista, camuflando a coisificação da imagem da mulher com o falso ativismo social do brega-popularesco.

Isso em nada ajuda, seja para forjar uma imagem "ativista" dos brega-popularescos, seja para popularizar a causa LGBT. Até porque a causa LGBT se popularizará sem precisar de "popozudas" ou outros ícones do brega. Até o reacionarismo de Marcos Feliciano ajuda mais, até pelo seu tipo antipopular.

A natureza cafona das "popozudas" acaba banalizando a causa LGBT, na medida em que elas se autopromovem diante de gays estereotipados, dentro de uma estética clubber. Isso não as faz mais modernas nem mais ativistas, apenas é uma tentativa vã de vincular a imagem das mulheres-objetos a pretextos de "liberdade sexual e afetiva", o que é mero artifício marqueteiro.

A banalização da causa LGBT apenas espetaculariza as coisas, e em si não contribui para uma maior liberdade de escolha para homossexuais ou heterossexuais. Até porque o brega-popularesco acaba sendo uma avacalhação da própria liberdade social, em todos os sentidos, sendo mais uma forma invertida de realimentar moralismos doentios.

No fim, os Marcos Felicianos da vida acabam gostando mesmo de ver "popozudas" defendendo causas LGBT, porque a vulgaridade feminina acaba se tornando um ingrediente para estimular seu moralismo intolerante e antissocial. Com as "popozudas", os machistas homofóbicos e não-homofóbicos agradecem.

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