quinta-feira, 28 de março de 2013

O APOIO QUE LUCIANO HUCK DÁ AO "FUNK CARIOCA"


Por Alexandre Figueiredo

"Funk é o Caldeirão". A famosa gíria funqueira não veio por acaso, pois a gíria, que quer dizer algo como "o 'funk carioca' é o máximo", se inspirou claramente no programa Caldeirão do Huck, apresentado pelo insuspeito Luciano Huck e transmitido para todo o Brasil pela Rede Globo de Televisão.

Enquanto uma parcela da intelectualidade acreditava, numa possível desinformação, que o "funk carioca" era discriminado pelas corporações da grande mídia, uma figura como o Mr. Catra, só para citar um nome de grande sucesso no gênero, já era familiarizado com o cenário do Caldeirão do Huck.

O pior é que enquanto a "boa intelectualidade", que se gabava de "muita inteligência" e "compromisso social", ignorava o que milhares de telespectadores viam em rede nacional, Luciano Huck já encomendava até mesmo uma coletânea de "funk carioca", o Pancadão do Caldeirão do Huck, lançado pela Som Livre, braço fonográfico das Organizações Globo.

Na semana passada, Luciano Huck concentrou todas as atenções ao seu segundo "amigo de infância", o citado Mr. Catra (ou MC Catra, para diversificar a busca do Google), já que o primeiro "amigo de infância" é o conhecido neto de Tancredo Neves, o bon vivant Aécio Neves.

O motivo da última edição do Caldeirão do Huck foi o nascimento do novo filho de Mr. Catra, o 22º de uma família poligâmica, um exemplo de como um meio machista como o "funk carioca", a exemplo de todo o brega-popularesco, tenta travestir seu conservadorismo com valores "modernos" ou "polêmicos", como no caso o suposto "amor livre".

Uma longa entrevista foi feita com o funqueiro, além de mostrar várias imagens de sua carreira, embora ele não tenha sido o assunto único do programa. Mas ele dá uma amostra do óbvio: Luciano Huck dá um grande aval ao "funk carioca", queiram ou não queiram aqueles que ainda sonham que o ritmo é "boicotado" pela grande mídia.

E, sabendo que Luciano Huck, amicíssimo de Aécio Neves, afiliado do PSDB e muito querido até pela revista Veja que condena tudo que é movimento social (e no entanto exalta MC Naldo e Gaby Amarantos), já dá para perceber o quanto o "funk carioca", tido como "injustiçado", está muito bem entrosado com o establishment da grande mídia.

E o Grupo Abril também dá seu aval aos funqueiros, através de eventuais inserções em Caras e na propaganda nas revistas Contigo e Ti Ti Ti, além da Superinteressante que foi a "casa" de Leandro Narloch ter publicado um artigo que chamou as funqueiras de "feministas". 

Luciano Huck apoia não somente o chamado "funk comercial", mais animado e cercado de popozudas, mas também o chamado "funk de raiz" que mais carrega na imagem de "discriminado". Para Huck, todas as tendências do "batidão" ou "pancadão" têm cadeira cativa no seu programa, daí os funqueiros agradecerem usando a gíria "É o Caldeirão" inspirada no seu programa.

O apoio "global" ao "funk" ainda se estende à 98 FM (atual Beat 98) que sempre apoiou o "funk carioca" e fez provar por A mais B que até mesmo o magnata DJ Marlboro, outro que adora posar de "pobretão" e "injustiçado", foi muito favorecido em sua carreira pela famiglia Marinho.

A Globo gosta do "funk carioca". A Folha de São Paulo, também. E, pelo jeito, o PSDB também se amarra num "pancadão", e o ritmo carioca prova estar muito mais próximo da Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso do que do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Até porque Hermano Vianna, o maior propagandista do "funk", surgiu do meio.

E aí PSDB, Organizações Globo, Grupo Folha e Grupo Abril dão todo seu aval ao "funk carioca". E Luciano Huck é um dos astros mais entusiasmados nessa defesa aos funqueiros. Não há como afirmar que o "funk" esteve ou está fora da mídia, com esse apoio de peso, que salta aos olhos de qualquer um. Os barões da mídia também são "o caldeirão".

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