sábado, 2 de março de 2013

MC LEONARDO E O JOGO DUPLO DO "FUNK" NA MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Pelo jeito, a Caros Amigos deixou de ter Pedro Alexandre Sanches como colunista, depois que descobriu que suas ideias possuem consonância com as de Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso. O mesmo motivo poderia ter provocado sua saída da revista Carta Capital, o que mostra que nem todo mundo que diz que gosta da esquerda torna-se realmente um esquerdista.

A Caros Amigos substituiu Sanches (com "s" e não "z", não a Yoani, mas o Pedro Alexandre, mas ideologicamente dá no mesmo) pela cantora Eliete Negreiros, integrante do movimento da boate Lira Paulistana que, liderado por Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, agitou a cena da MPB de São Paulo, sendo uma terceira maior renovação artística depois do Tropicalismo e da Semana de Arte Moderna.

A Caros Amigos, no entanto, continua tendo como colunista o funqueiro MC Leonardo, que, aparentemente, costuma falar apenas de assuntos comunitários, embora eventualmente faça a costumeira propaganda do "funk carioca", com toda a choradeira e a falsa imagem de vítima costumeiras do gênero.

Quem viu os textos de Yoani Sanchez e as suas "pregações" sobre cidadania sabe que também existe conservadorismo travestido de ativismo. Gente que defende o mercado capitalista, mas "com categoria", dizendo que isso é "a favor da cidadania", "em defesa do interesse público" e outras alegações.

O dirigente funqueiro que preside a APAFUNK (Associação de Profissionais e Amigos do Funk) não difere muito, em discurso, com a blogueira cubana. Mas aqui nossos "manifestantes" são trabalhados com maior sutileza pela grande mídia, que muitos nem chegam a suspeitar de muitas armadilhas travestidas de "causas progressistas" que se armam até mesmo para as esquerdas médias.

Lendo os textos de MC Leonardo na Caros Amigos, posso constatar que suas cobranças de posturas às esquerdas brasileiras são um meio caminho entre as cobranças que a revista Veja e o ex-presidente FHC fazem. Uma cobrança para as esquerdas serem mais subservientes, obedientes e "maleáveis".

Como se isso não fosse o bastante, MC Leonardo ainda é apadrinhado pelo cineasta de Tropa de Elite 1 e 2, José Padilha, que é ligado ao Instituto Millenium, a famigerada organização que reúne a nata da mídia direitista em todo o Brasil.

O APOIO DA CIA AO "FUNK CARIOCA"

E que diferença há nas pregações ideológicas de Yoani Sanchez e nas dos ideólogos do "funk carioca"? Essencialmente, nenhuma. Há aquela quase pieguice na elaboração de uma pretensa imagem de "vítima", de "coitado", um discurso falsamente injustiçado, feito para comover as massas.

No entanto, o que se vê é um embuste ideológico que, às custas de um discurso "dócil" e uma imagem que alterna um pretenso ar de vítima e uma mal disfarçada presunção de triunfante, que não trazem efeitos concretos, pois em ambos os casos o que está por trás é apenas a defesa do poder midiático e econômico dominantes no "mundo ocidental".

Se há denúncias de que a CIA (Central Intelligence Agency) dos EUA patrocina a blogueira cubana, já surgiram por aqui denúncias de que o "funk carioca" também seria um projeto do mesmo órgão de inteligência estadunidense para enfraquecer a cultura brasileira junto a outros ritmos brega-popularescos, dadas por historiadores, sambistas e ativistas sociais sérios.

A reação dada pela intelectualidade dominante foi a mais "urubológica" possível, com gracejos dignos de Elaine Cantanhede, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, mas dados por gente que se autoproclama "progressista" e "comprometida com os movimentos sociais".

Isso é grave. Afinal, se trata de um pessoal que veste a casaca vermelha da esquerda para defender um ritmo que nem tem de tanto ativismo social assim, mas que atende aos interesses do mercado e agrada em cheio aos interesses de manipulação social pelos barões da grande mídia.

O JOGO DUPLO

Pesquisando periódicos de esquerda e direita, vemos que o "funk carioca" foi abordado de forma bastante distinta, mas com a cumplicidade maior quando se trata da imprensa de direita. Até porque os primeiros discursos "socializantes" do "funk carioca" foram dados justamente pelos veículos das Organizações Globo (O Globo, Rede Globo) e grupo Folha (Folha de São Paulo).

Na mídia direitista, o "funk carioca" aparece como "vitorioso", como um ritmo que havia conquistado seu espaço na mídia e no mercado, usando geralmente um discurso triunfante que contradiz, e muito, com a imagem que tendenciosamente utiliza quando veiculado pela imprensa de esquerda (consultei Caros Amigos, Fórum e Brasil de Fato).

Na mídia esquerdista, o "funk carioca", mesmo tomando posições privilegiadas na mídia dominante, trabalhava uma falsa imagem de "coitadinho", se passando por "derrotado" e "discriminado pela grande mídia", uma hipótese que se revelou uma grande mentira.

Vide o caso constrangedor, que soou como uma bomba nos bastidores da mídia esquerdista, embora nada tenha se refletido em suas publicações, que foi a "afirmação" de que o funqueiro Mr. Catra "seguia invisível aos olhos das corporações da grande mídia" mesmo depois dele ter recebido generosos espaços nas Organizações Globo, até sob a ajuda de Luciano Huck.

Nota-se, no entanto, que neste jogo duplo na mídia, o "funk carioca" é mais sincero quando mostra seu sucesso comercial na mídia direitista. Nota-se uma cumplicidade maior entre o ritmo e os barões da grande mídia, unidos por um processo que inclui todo tipo de esquema de publicidade. Na mídia esquerdista, a imagem "injustiçada" do "funk carioca" soa irreal, grotesca e sem qualquer tipo de fundamento.

MC Leonardo se encontra mais à vontade quando escreve justamente para o jornal Expresso, tabloide popularesco das Organizações Globo. Lá ele se sente livre para divulgar qualquer coisa do "funk carioca". Choradeiras à parte, temos que admitir: "É o mercado, estúpido!".

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