quarta-feira, 13 de março de 2013

LUCIANO HUCK E SUA INFLUÊNCIA A ALGUNS "DETRATORES"


Por Alexandre Figueiredo

Luciano Huck é considerado pela grande mídia como uma das personalidades mais influentes na sociedade. Símbolo aparente do jovem bem sucedido, do empresário arrojado e do apresentador carismático e assistencialista, ele é definido pela revista Veja, aquela que condena tudo que é movimento social, como sinônimo de "bom mocismo".

Ele é um dos principais astros da Rede Globo de Televisão, além de ser parceiro em muitos negócios da rádio Jovem Pan 2. Criticado pelas esquerdas, mesmo as esquerdas médias, e por uma parcela da sociedade que se diz "contra a grande mídia" independente do perfil ideológico, Luciano Huck no entanto possui um raio de influência muito maior do que se imagina.

O marido da apresentadora Angélica e amigo de Aécio Neves é considerado responsável pela popularização da gíria "balada" e por um modelo de comportamento juvenil que a grande mídia em geral, da Rede TV! à rádio UOL 89 FM, de William Bonner a Sônia Abrão, difundem confortavelmente.


O grande problema que se vê é que o tráfico de influência que Luciano Huck exerce na sociedade não envolve somente aqueles que se dizem abertamente admiradoras ou solidárias ao apresentador, mas atinge até mesmo pessoas que se dizem suas "detratoras", até mesmo supostamente ferrenhas.

Se, por exemplo, algum rapagão que usa muito o Orkut, disser que "odeia" o Luciano Huck, mas no seu vocabulário pessoal já substituiu as palavras "noitada", "jantar fora", "festa", "reunião de amigos" por "balada", significa que Luciano Huck exerceu completamente sua influência.

Se, por outro lado, algum rapagão se diz "roqueirão da pesada" e adota um vocabulário clubber - e novamente aparece a gíria "balada" - e uma dicção que envolve maneirices típicas de surfistas calhordas ou de funqueiros, é sinal que o "odioso" Luciano Huck lhe ensinou como falar e escrever para os amigos.

Evidentemente, outras figuras como Fausto Silva e Galvão Bueno também influenciam seus "detratores", sobretudo pelas vezes em que diz a palavra "galera" por parte daquele e pelas visões sensacionalistas sobre futebol por parte deste, mas nenhum dos dois consegue tocar o inconsciente coletivo com tanta habilidade quanto o badalado empresário e apresentador.

Luciano Huck influenciou até o "funk carioca", mesmo quando este conseguia convencer a nossa intelectualidade com a mentira de que era "discriminado pela grande mídia" (pois, sabemos, desde o começo o "funk" teve o apoio entusiasmado das Organizações Globo e do Grupo Folha). A gíria "É o Caldeirão", que quer dizer "é coisa boa", está vinculada diretamente ao nome do programa Caldeirão do Huck.

Huck acabou formatando o padrão midiático de comportamento juvenil, que muitos pensam, uns por ingenuidade, outros por pura tolice, terem sido naturalmente assimilados pela sociedade. A influência de Huck no inconsciente coletivo dos jovens brasileiros é tão sutil que pouca gente percebe, e ainda há quem se orgulhe em odiá-lo mas segue fielmente às suas lições.

Isso é mal. Porque o discípulo mais perigoso não é aquele que fica bajulando seu mestre mas pouco se importa em compartilhar de seus interesses e lições, mas justamente aquele que, mesmo abominando de forma radical esse mestre, segue seus passos com fidelidade canina. É porque, neste caso, os propósitos desse mestre acabam sendo muito mais plenamente realizados do que no outro.

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