sábado, 16 de março de 2013

INTELECTUALIDADE PRÓ-BREGA "INOCENTA" BARÕES DA GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

O que as esquerdas médias não imaginavam quando passaram a apoiar, de forma condescendente, um grupo de intelectuais que apoiam o comercialismo "popular" da música brega e seus derivados, é que o vínculo que esses intelectuais com a ditadura midiática nada teve nem tem de acidental.

Afinal, o entrosamento que esses cientistas sociais e jornalistas culturais comprometidos com a breguice hegemônica têm com a grande mídia não se trata de coincidência nem de conspiração, e que o discurso que eles faziam contra supostas acusações de "preconceito" de quem não aprova essa hegemonia escondem aspectos bastante comprometedores.

Sim, porque na medida em que nomes como Paulo César Araújo, Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches, entre tantos outros, dizem que os ídolos brega-popularescos "sofrem discriminação da grande mídia", mesmo aparecendo facilmente nos seus veículos, significa que eles na verdade estão "livrando a culpa" dos barões da grande mídia pelo sucesso de tais ídolos.

Quem lê as reportagens da Ilustrada da Folha de São Paulo ou do Segundo Caderno de O Globo, de que o brega dos anos 70, o "funk carioca" ou o tecnobrega etc sofrem "discriminação da grande mídia" não sabe se vai rir ou chorar.

Afinal, vamos pensar um pouco. A grande mídia divulga os tais "sucessos populares" e diz que eles são "discriminados" pela grande mídia. Acreditar nessa hipótese tola como se fosse "imparcialidade" é algo que a mídia alternativa não poderia sequer cogitar. Mr. Catra aparece na Globo todo mês, cumprimenta o amigo de Aécio Neves, Luciano Huck, e é "invisível" nas corporações da grande mídia?

Essas incoerências chegaram mesmo a serem difundidas e muita gente nem questionava o absurdo de tais contradições. Em vez disso, houve gente que se dizia "feliz" em ser contraditório, achando preferível que, no âmbito político, se solidarize com o MST e, no âmbito musical, prefira apoiar os "sertanejos" patrocinados pelos poderosos ruralistas.

PAULO CÉSAR ARAÚJO NA GLOBO

Alguém não desconfiou por que Paulo César Araújo aparece tanto nos veículos das Organizações Globo? A hipótese de uma suposta conspiração do historiador não procede, porque ninguém invade a grande mídia e recebe bom tratamento por isso.

Chegaram a dizer que a Banda Calypso "invadiu" a Globo para "derrubar" o poder da grande mídia e muita gente acreditou. Mas Joelma e Chimbinha foram bem tratados até mesmo pelo casseta membro do Instituto Millenium, Marcelo Madureira. Conspiração?

Paulo César Araújo aparece muito à vontade dando seu depoimento sobre brega e sobre as polêmicas com Roberto Carlos, que entrou com processo contra a biografia não-autorizada do cantor, Roberto Carlos em Detalhes.

Além disso, os esforços do jornal O Globo em transformar o brega em "alternativo" ou "vanguarda" e da Rede Globo em "embelezar" os ídolos bregas - sobretudo a "geração 90" (Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Leonardo, Belo etc) - transformando-os numa pseudo-MPB, mostram a clara afinidade de interesses entre os Marinho e os ideólogos do brega.

A intelectualidade que apoia o brega-popularesco tornou-se, assim, uma extensão da ditadura midiática. Tornaram-se zeladores dos interesses dos barões da grande mídia e do mercado associado, mas ninguém suspeitava, porque eles se apoiaram sempre no pretexto do "popular".

A "CULPA" É DO POVO, DOS ARTISTAS E INTELECTUAIS ANTIGOS ETC...

O "generoso" discurso desses intelectuais festivos que arrancavam aplausos com facilidade mostrava uma manobra cruel que suas melífluas apologias ao que entendem por "cultura das periferias" ou "popular com P maiúsculo" escondem.

Afinal, quando eles falam que a grande mídia "discrimina" esses "artistas", além de dizerem uma inverdade (mas quem é desinformado acredita como sendo verdade), eles na verdade estão "inocentando" os Frias, os Marinho, os Civita e outros clãs do baronato midiático de promover a imbecilização cultural do brega-popularesco.

Enquanto isso, eles põem toda a culpa do povo, através da "autossuficiência das periferias", e também de intelectuais do passado como Oswald de Andrade e artistas vários da MPB autêntica, até mesmo os falecidos Sérgio Sampaio e Itamar Assumpção. Recentemente, até Vinícius de Moraes foi classificado como "precursor dos funqueiros" (?!) numa avacalhação com o espírito modernista do famoso poeta.

Paulo César Araújo até tentou puxar o crítico José Ramos Tinhorão para seu lado, lamentando o silêncio do famoso jornalista em relação aos primeiros ídolos da música brega. Mas quem conhece Tinhorão sabe muito bem que ele reprovaria a música brega, por identificar nela elementos de country music e boleros hollywoodianos que, a seu ver, anulam o critério de nacionalidade que ele valorizava na cultura brasileira.

Só que a visão que eles tem sobre o que "deveria ser" a MPB e a cultura popular em geral os coloca num horizonte nada progressista. Eles não querem melhoria social para as classes populares, seu discurso glamouriza a pobreza e, no fim, as "melhorias culturais" aparecem sempre dentro de um processo paternalista das elites condescendentes.

Eles acabam defendendo o mercado dominante e o poder midiático vigente. E ainda muita gente acredita que eles apoiam sinceramente a regulação da mídia. Não, não apoiam. A regulação da mídia, pelo menos da maneira ideal e eficiente, iria tirar do mapa todas as expressões de breguice, baixarias e grosserias associadas oficialmente ao pretexto do "popular".

A regulação midiática seria, na ótica dessa intelectualidade divinizada, bastante "elitista", "higienista" e sobretudo "preconceituosa". Alguém ainda duvida disso?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...