domingo, 3 de março de 2013

INGRA LIBERATO: "MOSTRAR DEMAIS É DESELEGANTE"


Por Alexandre Figueiredo

Numa época em que o mercado da mídia machista está saturado de musas vulgares, que "sensualizam demais" às centenas, a atriz Ingra Liberato, atualmente trabalhando na novela Balacobaco, da Rede Record, deu há quase um mês uma lição de coerência e lucidez.

A declaração pode ter sido dada há um tempinho, mas vale menção, uma vez que Ingra deu uma dura nas chamadas "boazudas" e estas há muito tempo cumprem o "ritual", bastante repetitivo, de se autopromover às custas de sua imagem de "mulheres-objetos".

A declaração foi feita durante o último carnaval. "Não gosto de proibições, mas a pessoa tem que se sentir à vontade. No carnaval vale pouca roupa, mas mostrar demais é deselegante", disse a atriz, durante o evento marcado pelos glúteos murchos de duas "popozudas" e por um ataque de estrelismo e irresponsabilidade que tirou uma outra dos desfiles de uma escola de samba paulista.

Ingra Liberato é uma atriz experiente. Tem 46 anos de idade (fará 47 em setembro) e é famosa por sua beleza deslumbrante e seu talento. Foi casada com o diretor Jayme Monjardim e com o músico da banda gaúcha Cidadão Quem, Duca Leidecker, mas atualmente está solteira. Ela também tem vários trabalhos no cinema, até mesmo em produções independentes.

Ingra mostra-se um exemplo de coerência e sensatez. Não bancou a moralista mas condenou a vulgaridade. Falou com mais firmeza do que muitas cientistas sociais e "feministas de resultados" que até condenam a oporessão machista, mas se amarelam diante do mercadão machista da vulgaridade das mulheres-objetos, impotentes em contestar o rótulo "popular" que julgam ser "sagrado".

Portanto, nem sempre divagações acadêmicas conseguem transformar a sociedade. Basta a declaração de uma talentosa atriz, com a simplicidade e coerência de seus argumentos, para derrubar todo o circo de glúteos e peitos que se valem pela "sensualidade" obsessiva e viciada.

As musas vulgares não têm a menor noção da deselegância e da grosseria que expressam. Acham as reações de indignação estranhas e até se irritam com isso. É o mercadão machista que tem nelas seus símbolos maiores.

Enquanto as "cachorras" ladram, a caravana passa e mulheres admiráveis como Ingra Liberato seguem seu caminho com charme, talento e competência.

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