quarta-feira, 6 de março de 2013

HUGO CHAVEZ E A COMPLEXA REALIDADE DAS ESQUERDAS


Por Alexandre Figueiredo

Eu me abstive em reportar ou escrever sobre o governo Hugo Chavez na Venezuela. Ainda não tive uma posição definida a respeito, depois que, a princípio um tanto cético em relação a seu governo, comecei a observar e comparar os noticiários de esquerda e de direita a respeito de seu governo.

Eu, pessoalmente, não vejo positivamente o prolongamento de um governo nas mãos de um homem. E o esquerdismo na linha que Cuba lançou em 1959 é discutível. Mas vendo que seu governo estabeleceu progressos na área da Economia e da Educação, além de socializar suas riquezas, como o petróleo, passei a respeitar a figura de Hugo Chavez, que cheguei a parodiar antes no meu outro blogue, O Kylocyclo.

A mídia direitista não conseguia publicar uma notícia firmemente negativa sobre o governo Chavez. Quando muito, havia a choradeira de "urubólogos" devido à cassação do presidente venezuelano de diversos veículos da grande mídia, sobretudo uma grande rede de televisão sediada em Caracas.

A partir desse episódio, a mídia reacionária do mundo inteiro passou a acusar Chavez de perseguição à "mídia independente", como eles chamam as corporações privadas da mídia comercial, que nunca se preocupavam com a democracia, palavra que só é usada para justificar seus interesses particulares.

Mas a mídia não conseguia arrancar de Chavez alguma notícia negativa. Isso fez com que eu mudasse um pouco da impressão que eu tinha contra ele, e mesmo sua figura carismática saltava nos vídeos e páginas da mídia reacionária, assim como salvava nesses mesmos vídeos e páginas o repúdio que os jovens brasileiros tiveram de Yoani Sanchez na sua vinda ao Brasil.

Sim, sou de uma família levemente conservadora e tenho amigos cimistas que continuam não indo com a cara de Hugo Chavez. Mas analisando seu governo e suas realizações, fico analisando o quanto complexa é a realidade das esquerdas, o que não significa que elas sejam por si só viciadas. É porque a complexidade se encontra em muitos problemas, métodos, ideias, procedimentos.

Será possível um mesmo presidente, em quatro mandatos, melhorar um país? Isso pode não ser regra, mas até que ponto as exceções são válidas? Será possível recorrermos a Karl Marx para explicar os dilemas do capitalismo de hoje? O Estado pode ter um poder mais concentrado ou deveria ser enxuto para permitir o aquecimento da Economia? São questões que não exigem respostas simplórias, pois elas variam em muitos casos, contextos e condições.

Pesquisando vários sítios na Internet, Hugo Chavez recebe homenagens das mais diversas. Da sambista Leci Brandão ao ator Sean Penn (que os leigos só conhecem como o ex-marido da Madonna), passando até mesmo por um membro do clã Kennedy (sim, isso mesmo), Joseph Kennedy II, neto do senador Robert Kennedy, irmão de John Kennedy, famoso presidente dos EUA assassinado em 1963.

Portanto, o fenômeno Hugo Chavez poderia ser analisado sem ódios, mas com respeito à sua figura e uma pesquisa objetiva sobre seu legado. As transformações sofridas pela Venezuela e sua autonomia em relação ao poderio dos EUA sobre a América Latina serão avaliadas pelo juízo do tempo, indiferente aos julgamentos mais apaixonados contra ou a favor de alguém.

Pelo menos a Venezuela mostrou que pode ser um país que valoriza sua soberania, uma boa lição para o Brasil que, mesmo brincando de esquerdismo, adota posturas e procedimentos subservientes aos ditames dos EUA, através de uma indústria de entretenimento cruel, de uma pasteurização cultural voraz e de paliativos econômicos que não trazem profundas mudanças sociais.

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