quinta-feira, 7 de março de 2013

"CULTURA POPULAR" COMO ÚLTIMA TRINCHEIRA DA DITADURA MIDIÁTICA


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia está jogando todo seu dinheiro para promover a pasteurização da cultura popular pelo brega-popularesco. A choradeira intelectual complementa, mas é a grande mídia e seus barões que estão com boa parte dos investimentos, além do processo de difusão que empurra a "ditabranda do mau gosto" e seus ídolos "populares" para o gosto mais hegemônico do grande público.

Apesar das críticas contra a mediocridade cultural, culminadas pelo questionamento lúcido de Mino Carta sobrfe a imbecilização do país, a grande mídia bate o pé e diz que tudo isso é "cultura popular, sim", e nós é que tenhamos que aceitar tudo isso.

As esquerdas médias, talvez cansadas de tantas viagens intelectuais no Oriente Médio - tratado não como um país distante que merece atenção, mas como um bairro vizinho de suas casas - , ligam a televisão e imaginam que aqueles sub-produtos da cafonice cultural "embelezada" pelas Organizações Globo (embora presente nas demais concorrentes) são resultado natural dos processos sociais comunitários das periferias.

Grande engano. Privatizou-se a cultura popular e o que se vê, na verdade, é o resultado de um processo empresarial de promoção ou mesmo de invenção de ídolos "populares", com todo o planejamento para criação, fortalecimento, ampliação e manutenção de mercados.

Tudo é trabalhado sob o apoio seguro dos irmãos Marinho: da "humilde" dupla "sertaneja" e sua história chorosa de dar pena à "popozuda" que "lutou muito" para conquistar seu "espaço". Mas se até o jornal Expresso, das Organizações Globo, não consegue ser visto como um equivalente brasileiro do extinto News Of The World britânico, é sinal que as mentes das esquerdas médias estão "pra lá de Bagda".

O "popular" tornou-se a última trincheira da ditadura midiática. Seus barões sabem que a "urubologia", ou seja, a classe dos jornalistas políticos reacionários, está sendo amplamente criticada pelas suas posturas, que a coisa começa a ultrapassar as fronteiras da blogosfera esquerdista.

Com isso, a grande mídia precisa de outros canais de dominação. Se Eliane Cantanhede não consegue dominar, por exemplo, o público jovem e rebelde das áreas urbanas e suburbanas, deixa-se o trabalho do Tatola e sua UOL 89 FM garantir mais um espaço de influência da famiglia Frias.

Da mesma forma, se Merval Pereira não consegue exercer influência no "povão", mesmo com sua aparência de aristocrata do começo do século XX que hoje soa um tanto cômica e pitoresca, então vai o "funk carioca" e a APAFUNK - de MC Leonardo, apadrinhado de um integrante do Instituto Millenium - estabelecer um espaço de influência das Organizações Globo.

Através do pretexto cultural, a grande mídia tenta manter seus pontos de manobra e criar outros novos meios de domínio sobre o grande público sem que seu poderio seja percebido. Quantas pessoas, por exemplo, foram manobradas por Luciano Huck e Fausto Silva para falarem as surradas gírias "balada" e "galera" sem perceber que foram manipulados?

O inconsciente coletivo chega mesmo a influenciar quem diz não gostar da Rede Globo mas sofrer sua influência, acreditando que o pretexto cultural está imune a qualquer tipo de manobra de cunho político. Mas isso cria também reações histéricas, como o de muitas pessoas que, "urubologicamente", se recusaram a admitir a influência das Organizações Globo e do grupo Folha no fortalecimento do "funk carioca".

Esse "popular" midiático, pasteurizado, estereotipado e caricato, seguindo uma linhagem de cafonice de mais de 40 anos, é o que os barões da grande mídia apostaram como último recurso para seu poderio, diante do desgaste acelerado da influência do noticiário político, antes uma força dominante na formação da opinião pública.

O grande público nem percebe que é manipulado pela grande mídia e até mesmo o poderio das rádios é minimizado ideologicamente ao superestimar a figura subalterna do programador de rádio, transformado em "herói", menosprezando o fato de que ele segue interesses dos donos da emissora, símbolo do poderio econômico e midiático de uma região.

Como muitos acreditam que a cultura é um setor que vive dentro de uma bolha de plástico, imune aos interesses de ordem política e econômica - apesar de questões acerca de verbas para manifestações artísticas não-comerciais - , o brega-popularesco amplia seus espaços e sufoca as expressões artísticas e culturais autênticas, estas as verdadeiras marginalizadas.

Com a prevalência e a hegemonia quase absoluta do brega-popularesco, a grande mídia faz o povo se tornar submisso e culturalmente conformista, sem uma arte que tenha força na linguagem e expressão, mas uma "arte" que só se destaque pelo apelo popular como um fim em si mesmo. E com cultura ruim, o povo se enfraquece, se transformando em caricatura de si mesmo, tranquilizando os detentores do poder.

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