sábado, 23 de março de 2013

AS ARBITRARIEDADES DE PAES E CABRAL FILHO PARA TURISTA VER


Por Alexandre Figueiredo

Ontem foi o desfecho, trágico em sentido antropológico, da ocupação indígena na Aldeia Maracanã, com forte repressão policial e ampla resistência indígena, que procurou, pacificamente, resistir à ordem de despejo, só reagindo quando necessário.

Já a tropa de choque da polícia, que parecia estar invadindo não uma área de ocupação indígena, mas um reduto do narcotráfico, disse que "não fez truculência" e apenas "agiu para evitar um incêndio dentro do prédio". Só que a truculência não poupou quem estivesse na frente, sejam procuradores ou mesmo repórteres fotográficos.

Foram ataques de gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo jogadas pela polícia, a mando dos prepotentes Sérgio Cabral Filho, governador fluminense, e seu protegido Eduardo Paes, prefeito carioca. Para eles tanto faz colocar uma UPP que não funciona e um centro comercial que só servirá para as elites. Eles pensam de forma mercadológica e política, o interesse público é só "um detalhe".

Afinal, em vez de um centro cultural de memória indígena - as tribos indígenas foram a população mais antiga do Brasil e matriz de nossa identidade cultural - , se construirá meros "parques" de consumismo, movidos tão somente pela geração de dinheiro, sem muita relevância sócio-cultural.

Serão demolidos a área de um antigo museu e antigos centros esportivos para a comunidade. No lugar deles, apenas a ampliação da saída do Maracanã e o tal centro de compras, além de um amplo estacionamento para quem tem automóvel.

Paes e Cabral Filho parecem governar para turistas. Criam um projeto autoritário de reformulação da Cidade Maravilhosa no qual a única coisa acertada será a derrubada do Viaduto da Perimetral, que acobertava uma área abandonada que era reduto de assaltos e consumo e tráfico de drogas.

Mas até mesmo no sistema de transporte de ônibus o arbítrio prevaleceu, pois a tal padronização visual das empresas de ônibus só serviu para acobertar as irregularidades e permitir os abusos das empresas de ônibus que, sem uma identidade visual a zelar e reduzidas a "operadoras" da Prefeitura do Rio, deixam de conservar os ônibus, o que justifica os diversos acidentes que ocorrem nas ruas cariocas.

Sob o véu da pintura padronizada, houve empresa mudando de nome sem que o passageiro de ônibus comum soubesse e houve linha mudando de empresa e o povo só foi o último a saber. Enquanto isso, até mesmo empresas conceituadas como Matias, Real e Litoral Rio aparecem com ônibus sucateados. Mesmo os mais novos ônibus Volvo da Litoral Rio, adquiridos há poucos meses, mais parecem carros de entulho.

Um busólogo até chegou a fazer blindagem, na Internet, para defender Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho. Ligado a um projeto de informática numa prefeitura da Baixada Fluminense, ele fez de tudo na sua trollagem, até mesmo blogue de calúnias, usando um pseudônimo. Ele defendia tudo de ruim, da pintura padronizada até mesmo as irregularidades da empresa Transmil, que atua em linhas intermunicipais da região.

Desmascarado pelos seus colegas, hoje esse busólogo, que apareceu até num programa de uma emissora da TV paga, é obrigado encarar broncas até mesmo com seus aliados, por conta dos excessos que cometeu, que incluiu até mesmo comentários racistas contra um outro busólogo.

Por sorte, o tal busólogo dos "comentários críticos" ainda não arrumou briga com motoristas de vans, não foi passageiro de um dos ônibus acidentados e nem encontrou pessoalmente com os funcionários da Transmil, pois seria pior para ele, pelas consequências dolorosas que tais incidentes podem trazer.

Mas um apoio desses um busólogo esquentadinho nunca iria fazer mesmo diferença à imagem de Cabral Filho e Paes, porque outros episódios como os incêndios trágicos em casas históricas abandonadas, as mortes na saúde pública, as derrubadas de moradias populares e áreas de proteção ambiental e, agora, a expulsão dos índios sob repressão policial falam muito da má reputação dos dois políticos.

Talvez a derrubada do Viaduto da Perimetral seja ótima não apenas para dar novos ares à Zona Portuária, apesar dos protestos de muita gente. Pois mesmo esses protestos contra o projeto são positivos, já que o próprio Eduardo Paes admitiu, em entrevista para O Globo, que sairá com grande queda de popularidade depois que o viaduto for totalmente destruído, em 2015.

Neste sentido, o fim do viaduto poderá ser o canto do cisne de um grupo político acostumado em governar indiferente à vontade pública. Se muitos cariocas acham que o fim do Viaduto da Perimetral é o mal, ele poderá representar o fim de um ciclo político. E, convenhamos, a paisagem carioca, em que pese a forma com que será feita a revitalização da Zona Portuária, sem moradias populares, será bem menos sombria.

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