sexta-feira, 29 de março de 2013

A REVISTA VEJA ESTÁ MESMO ENCALHANDO


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia está em crise. TVs perdendo audiência, rádios FM perdendo mais ainda - apesar do coro contrário do corporativismo nos fóruns e colunas de rádio na Internet - , e jornais e revistas perdendo leitores.

É sintomático que veículos de comunicação que apostam em valores retrógrados e indiferentes ao interesse público sigam esse caminho de decadência, porque não conseguem mais prender a atenção do público que está ocupado em seus afazeres.

Pois a revista Veja, a mais reacionária desses veículos que expressam o pensamento conservador de uma aristocracia empresarial brasileira, mais uma vez demonstrou que está fracassando nas vendas de seus exemplares.

Nesta semana, em que entra a edição do próximo dia 03 de abril - há um crédito antecipado de data, hábito comum nas revistas semanais de informação - , foi observada, numa banca bastante movimentada em Niterói, uma enorme pilha de exemplares da edição anterior, do dia 27 de março, com uma capa chamativa para seu público, que é a posse do novo papa, Francisco I.

E isso numa semana santa, de tradição católica, em que a edição em questão poderia ter vendido feito água. Mas a pilha estava toda lá. E evidentemente a situação não deve ser diferente em outras bancas do país, onde é fácil encontrar exemplares da semana anterior nas bancas. Na banca pesquisada, os exemplares encalhados eram em torno de 12 (!).

Veja tenta ampliar seus canais, assim como a Folha de São Paulo. Se o jornal dos Frias tenta expandir sua influência através de um programa da TV Cultura e através de uma "rádio rock", a UOL 89 FM, em apoio a um antigo empresário malufista dono da rádio, Veja tenta criar seu canal através das televisões que são transmitidas em ônibus, terminais de transportes e edifícios comerciais.

Veja decai pelo desprezo absoluto que dá ao interesse público. Contrária aos interesses de trabalhadores, estudantes, ativistas sociais e populações indígenas, a revista chegou a ironizar a união das tribos indígenas em texto referente à expulsão dos índios na Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro.

Reinaldo Azevedo é o principal astro de Veja, e dispensa comentários. Escreve como troleiro, em certos momentos parece saltar raiva em suas palavras. E como ele é carro-chefe da revista, ele é o que mais faz afundar a publicação, que pode não ter sido lá muito progressista, mas já teve dias bem melhores, sobretudo com o admirável profissionalismo de gente como Mino Carta, hoje na Carta Capital.

Portanto, se a revista Veja passar a ser distribuída de graça, não estranhe. É porque a revista anda encalhando muito que um dia vão fazer isso mesmo. Os Civita são ricos demais, mas para freiar o prejuízo, são capazes até de oferecer uma revista dessas com brinde.

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