terça-feira, 5 de março de 2013

A REDE GLOBO E O "GOSTO MUSICAL" DOS FAMOSOS


Por Alexandre Figueiredo

Deve haver um protocolo secreto na Rede Globo que faz com que seus famosos, sobretudo atores, assumam aparentemente um péssimo gosto musical. Uns, por um suposto ecletismo. Outros, por uma suposta ruptura de preconceitos. Mas sempre com objetivos de alimentar a imbecilização cultural que tem a Música de Cabresto Brasileira (a "MPB com P maiúsculo", o P de "porcaria") como carro-chefe.

Nas entrevistas, é ator tal que diz que adora "sertanejo universitário" e marca ponto em qualquer vaquejada da moda. Ou então é atriz veterana que diz achar Odair José o máximo e está "descobrindo" o "funk carioca". É outra atriz que acha axé-music "sinônimo de sabedoria". E outra que disse que ouvia Zezé di Camargo & Luciano desde o berço.

Isso fica muito estranho, porque atores são geralmente pesquisadores em potencial, pelas exigências que muitos de seus personagens exigem de estudar referências diversas necessárias para seus papéis. Poderiam ser pessoas bem informadas, e acredita-se mesmo que elas sejam. Mas essa onda de muitos desses atores revelarem um "gosto musical" de qualidade duvidosa é algo que nos põe a pensar.

Afinal, será que eles gostam mesmo da música brega-popularesca? O que é realmente a questão do gosto numa época de ditadura midiática, onde a publicidade é vista como se fosse um oráculo? "Gosta-se" do tal "mau gosto" como se é induzido a gostar de automóvel e usá-lo sem a menor necessidade, só porque a publicidade determinou.

Há também as regras sociais, condicionadas pela mesma publicidade. E, da mesma forma que as propagandas de carros são associadas à ideia de velocidade, conforto, comodidade e prestígio social, curtir um brega-popularesco está associado à ideia de sociabilidade, curtição, bem-estar, simpatia e até mesmo uma suposta cordialidade com as classes populares.

POR QUE NÃO A MPB?

Para os tempos politicamente corretos de hoje, é muito confortável dizer que curte brega. Além disso, a postura é na verdade um protocolo secreto da grande mídia, principalmente a Rede Globo, que tenta glamourizar a cafonice cultural e estabelece parcerias comerciais com as diversas empresas envolvidas com tais ídolos musicais.

Até pouco tempo atrás, a Rede Globo determinava que atores juvenis ou emergentes fossem obrigados a frequentar "bailes funk", micaretas e eventos de música "sertaneja" como cumprimento de compromissos profissionais necessários à ascensão na emissora.

A ideia é de que esses atores pudessem fazer propaganda dos ídolos popularescos, como supostos fãs deles, sua "tietagem" é um chamariz para o sucesso desses cantores, duplas e grupos. Assim, por exemplo, uma atriz que fosse frequentar "bailes funk" e micaretas, cumpre a "missão" de fazer propaganda dos intérpretes que se apresentam nesses eventos, agradando assim os executivos da emissora.

Como prêmio, esses atores ganham papéis de mais destaque nas novelas do horário nobre, firmam contratos com propagandas de grandes marcas e outros eventos sociais de grande importância. Recusar a "descer até o chão" num "baile funk" é visto pelos executivos como demonstração de personalidade "difícil" e "pouco adaptável", o que cria problemas contratuais sérios.

Há uma competitividade intensa entre os atores e atrizes, mesmo aqueles com alguma experiência. E agora que as imposições tornaram-se mais rígidas, as coisas pioraram. Já não são só os emergentes que são obrigados a ver os ídolos brega-popularescos em "ação", mas até mesmo gente com alguma experiência, sob pena de deixar de fazer parte dos elencos de elite da Rede Globo.

Um exemplo disso é o cantor Thiaguinho, ídolo do sambrega protegido pela emissora. As apresentações do cantor tinham que contar com a presença até mesmo de atores com uma experiência significativa, fazendo os primeiros personagens de destaque nas chamadas "novelas da nove". Tinha que ir e demonstrar aparente alegria, senão será boicotado pela emissora.

Os elencos de elite, para quem não sabe, são aqueles que contam com atores que sempre se revezam nas novelas da Globo. Depois de uma novela, há um período de folga e uma garantia de que sua presença em alguma nova novela seja positiva. Já a "geladeira" corresponde ao período em que um famoso não possui um programa sequer para trabalhar na televisão.

O grande problema é que um ator razoavelmente bem informado tem a tendência de preferir, por razões óbvias, a MPB autêntica, até pela qualidade musical e pela expressividade que ela tem. Geralmente o brega só serve para ser ouvido numa bebedeira ou como uma grande piada, não é algo que rendesse uma apreciação natural às melodias e aos vocais, numa expressiva comunicação cultural.

Só que o brega é que é a "alma do negócio". Divulgado por rádios controladas por oligarquias, é patrocinado, em suas diversas vertentes, pelos grandes empresários. E o poder midiático se alimenta com isso, o que significa que é uma norma da Rede Globo "gostar" de música brega. Seja para os atores emergentes, seja para aqueles com alguma experiência na profissão.

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