domingo, 10 de março de 2013

A MÍDIA MACHISTA E A "LIBERDADE DO CORPO"


Por Alexandre Figueiredo

A "liberdade do corpo" tornou-se uma desculpa difundida pela mídia machista para ela ser vista como "moderna", sobretudo sob a moita simbólica do "popular". E, como escrevemos em outras ocasiões, tem analogia perfeita com a desculpa da "liberdade de imprensa" feita pela mídia reacionária.

Afinal, que "liberdade do corpo" têm realmente essas musas "popozudas" que "mostram-se demais" na mídia, a qualquer preço? Usam até mesmo tempestades, feio, etc, para mostrar suas "formas físicas", e até mesmo mosquitos são usados, de forma estranhamente positiva, para promover a imagem delas.

Na verdade, a conversa da "liberdade do corpo" tornou-se uma lorota, uma conversa para boi dormir. A mídia machista tenta transformar as musas vulgares, que representam o mito incômodo da "mulher-objeto", em supostas "feministas", só porque aparentemente não alimentam sua fama sob a sombra de algum homem.

Sim, aparentemente. Alguém imaginou quantos homens estão por trás de uma "mulher-fruta", "Miss Bumbum", "panicat" ou qualquer outra similar? São muitos homens, responsáveis para alimentar, fortalecer e manter a fama delas. Desconta-se, no caso, a possibilidade delas escondem namorados ou maridos, geralmente de um porte físico mais agressivo, porque isso é outra história.

Independente da vida amorosa, portanto, essas "musas populares" estão cercadas de homens. Eles são editores de revistas "sensuais", dirigentes esportivos, executivos de televisão, jornalistas da mídia de celebridades, dirigentes de escolas de samba (incluindo banqueiros do jogo do bicho) e outros. Há algumas mulheres trabalhando nessa mídia, mas até elas estão a serviço de valores machistas.

Portanto, que "liberdade do corpo" é essa, que escraviza essas "musas"? Obsessão não é liberdade, "mostrar demais", principalmente fora de contexto, sem medir situações e chegando ao ponto de cometer gafes constrangedoras - principalmente se observarmos que várias dessas "musas" têm mais de 25 anos - , chega a ser mesmo um "fardo" pesado demais para essas mulheres.

Mas a mídia não quer saber. Sempre aparece uma foto nova de uma dessas "musas" supostamente "sensualizando" em qualquer ocasião. Isso quando não cometem a besteira de dizer que "adorariam andar nuas pela rua". "Feminismo" de araque, um tanto grosseiro, forçado e caricato, que mais parece uma paródia machista da liberdade feminista, dessas que cabem nos piores programas humorísticos de hoje.

O que está por trás desse discurso de "liberdade do corpo", com todos os delírios acadêmicos da "moderna" intelectualidade etnocêntrica de hoje (que vê "atitude" até em "popozuda" urinando em banheiro de rodoviária), é na verdade um desrespeito ao corpo, uma incapacidade dessas "musas" se projetarem de forma independente de sua "sensualidade de resultados".

O CORPO COMO MERCADORIA

Elas não medem situação para "sensualizar" e "mostrar demais", podendo haver tempestade e até frio, porque elas não imaginam que o risco de contrair uma grave pneumonia atinge qualquer um, independente do prestígio social ou da fama. Ninguém que se exponha ao frio intenso com pouca roupa está livre de contrair um sério resfriado ou uma pneumonia grave com consequências funestas.

Não há um respeito ao corpo, porque o corpo torna-se uma mercadoria, um produto feito para o consumo dos impulsos sexuais de um público mais grosseiro de homens. Mas se hoje os antropólogos e sociólogos da moda acham que isso é "feminismo moderno" e que para eles qualquer baixaria ocorrida sob o rótulo de "popular" lhes parece uma "forma alternativa de paraíso", pouco se critica esse lado da vulgaridade.

Há uma grande diferença entre as musas de verdade - geralmente modelos, atrizes e jornalistas de TV - e as pretensas "musas" popularescas. As primeiras expressam sua sensualidade de acordo com o contexto, sem apelar demais na exibição de suas formas, podendo usar roupas bem discretas em outras ocasiões. Já as segundas querem passar a imagem de "gostosas" a qualquer preço, até nas piores situações.

E o jogo de admiração sexual não admite a "sensualidade" grosseira e obsessiva. Por isso as "musas populares" estão acumulando desvantagens, sua decadência mostra que os homens a cada dia gostam menos das chamadas "boazudas", preferindo mulheres mais discretas de uma sensualidade que, sendo eventual, pode ser mais criativa e menos cansativa.

Daí a "liberdade do corpo" das "popozudas" parecer com a "liberdade de imprensa" dos "urubólogos". O sentido da palavra "liberdade" é apenas retórico, na prática é uma mera liberdade de abuso de uns poucos que não encontra respaldo real na sociedade. E que mostra o quanto a velha grande mídia também é bastante machista.

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