quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

YOANI SANCHEZ E OS PSEUDO-ESQUERDISTAS


Por Alexandre Figueiredo

A vinda da blogueira e "ativista política" Yoani Sanchez ao Brasil serve de teste para a costumeira esquizofrenia ideológica dos pseudo-esquerdistas surgidos ainda no começo da Era Lula. Geralmente dotada de pessoas "tudo de bom", "nota dez" ou "show de bola", supostos símbolos do que "há de mais moderno na vida", eles não conseguem esconder as convicções que dificilmente assumem no discurso.

Eles tentam ser "diferentes" de tudo o que for convenção social. Praticantes de bullying, se dizem "nerds". Escravos de modismos, se dizem "alternativos". Machistas, se dizem "feministas". Elitistas, se dizem "solidários com o povo". E, defensores do mais histérico neoliberalismo, se dizem "esquerdistas com muita convicção".

Só que de repente surgem algumas posturas reacionárias difundidas de maneira "independente" pela grande mídia e eles acabam se "contorcendo" todos. Eles se omitem a respeito de uma figura como o economista Roberto Campos, símbolo do neoliberalismo econômico no Brasil. Se surge um movimento como "Cansei", eles também ficam se coçando como se formigas andassem sobre seus ombros.

É muito fácil para eles defenderem o guerrilheiro Ernesto Che Guevara. Ele está morto. Mas seu pseudo-esquerdismo é tão ridículo que eles tratam Che Guevara como se ele fosse irmão de Bob Marley e primo de Raul Seixas. Ambos também mortos.

Eles mesmos não conseguem sair dos clichês quando adotam, por "etiqueta social" de sua geração, posturas forçadamente anti-Imperialismo. São palavras vagas, do tipo "Fora FMI", e anos atrás sua ojeriza ao então presidente dos EUA, George W. Bush, era tão forçada que dava para perceber que eles o odiavam mais por ser atrapalhado do que por ser um presidente reacionário e impopular.

Agora, chegando a blogueira neo-conservadora Yoani Sanchez, que até mesmo a mídia "mais boazinha" define como "ativista independente", eles deixam a fantasia marxista de lado para exibir seu latente reacionarismo. Ou seja, como é que "fãs" do Che Guevara passam a ser admiradores de Yoani Sanchez é um "mistério" que só mesmo a hipocrisia desmascarada consegue explicar.

Afinal, Yoani é mais um daqueles símbolos cultuados por uma sociedade "meio moderna, meio conservadora", que não sabe se defende Dilma Rousseff ou se limita no "Cansei". É um tipo de sociedade que vota nos parlamentares errados, em troca de uns benefícios "pragmáticos" ou mesmo apenas porque o político corrupto é "mais conhecido", mas depois pede o fechamento do Congresso Nacional.

Essas pessoas, indecisas entre um neoliberalismo mais flexível e um esquerdismo mais frouxo, são impulsionadas nesse cabo-de-guerra simbólico que são as pretensões ideológicas. Uns são "esquerdistas" para agradar parentes, colegas de trabalho ou para "impressionar" internautas nas redes sociais. Mas viram direitistas quando batem os neurônios, superestimando o escândalo do "mensalão" de forma paranoica.

Isso os faz menos sinceros na sua bandeira ideológica. Evitam assumir um direitismo que os poderia colocar como antiquados, mas na hora do aperto tornam-se até mais conservadores do que muito reacionário assumido. Ficam entre a Veja e a Carta Capital, em leituras apressadas, e sua compreensão do mundo torna-se míope e bastante provinciana.

Com pessoas assim, não dá para termos segurança dos rumos que o país irá tomar. Esses pseudo-esquerdistas e seus seguidores, ingênuos ou não, mostram-se ideologicamente instáveis, manobrados pelas circunstâncias e pelas conveniências. E isso compromete ainda mais os progressos sociais de nosso país.

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