quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

YOANI SANCHEZ E A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

Que relação podemos fazer entre Yoani Sanchez, que prega a "liberdade de expressão" e a "cidadania", e os intelectuais brasileiros que pregam a "liberdade da cultura popular", a "liberdade de expressão" da mediocridade e outras "liberdades" ligadas às baixarias da vulgaridade feminina e do jornalismo policialesco?

É difícil. Os intelectuais que defendem a pseudo-cultura brega-popularesca, que tem um tanto de populista e outro tanto de neoliberal, tentam se desvincular do poder midiático e seus interesses, como o diabo foge da cruz segundo a anedota popular. Aliás, eles se protegem sob o rótulo "popular", permitindo a imbecilização crônica, mas fazendo de tudo para serem considerados "progressistas" e "subversivos".

Mas, numa observação bastante cautelosa, não existe a menor diferença, por exemplo, entre uma Yoani Sanchez e, digamos, um tecnocrata como o brasileiro Ronaldo Lemos, o "revolucionário" estudioso do tecnobrega e das "novas mídias", propagandista da mesmice brega-popularesca que aparece fácil na grande mídia.

Ambos são relativamente jovens, com pouco mais de 35 anos, são bastante badalados pela mídia e possuem boa aparência e uma boa articulação discursiva. Ronaldo, no entanto, é cortejado pelas esquerdas médias pela forma que trabalha seu discurso do "negócio aberto", dando a falsa impressão de que as novas mídias, por si só, garantem a rebelião e a revolução sociais.

Só que, assim como se investiga a hipótese de que Yoani Sanchez é patrocinada pela CIA e pelas empresas associadas (grandes corporações sediadas ou em atuação nos EUA), sabe-se que Ronaldo Lemos é patrocinado pela Fundação Ford (que, apesar do nome ligado à famosa indústria automobilística, reúne representantes de outras empresas do porte) e pela Soros Open Society, de George Soros.

Isso dá no mesmo. As próprias patrocinadoras de Ronaldo Lemos são ligadas à CIA, que está interessada em desqualificar a cultura brasileira, enfatizando mais o pseudo-popular que aparece fácil na mídia do que o nosso rico patrimônio cultural condenado a virar peça de museu. Mas essa hipótese da influência da CIA no brega-popularesco é, infelizmente, vista com pilhéria por esses mesmos intelectuais.

Afinal, eles se julgam os donos da visibilidade. Vale a visão que eles pregam sobre a cultura popular, pouco importa se essa visão favorece mais os empresários do entretenimento e os donos de rádio do que as classes populares. E eles tentam criar argumentos confusos para que possam assim terem credibilidade sem que sejam devidamente analisados ou questionados.

E a relação deles com Yoani Sanchez? Ela se expõe, aparentemente, de forma "negativa" para as chamadas "esquerdas médias", descontando a solidariedade dada por um grupo do interior da Bahia ligado ao Coletivo Fora do Eixo.

No entanto, Yoani possui a mesma fachada "ativista" que agradaria aos intelectuais etnocêntricos de nosso país. Ela mesma se faz de "coitadinha", como Paulo César Araújo. Se o escritor da historiografia brega julga que "nunca recebeu verbas para seu projeto de pesquisa", Yoani diz que é "perseguida e eventualmente presa" durante suas manifestações.

Yoani é estrela do mesmo mercado que exalta os brega-popularescos e, da mesma forma que estes são um arremedo de folclore brasileiro, Yoani é um arremedo de ativismo social. Esses arremedos agradam os barões da grande mídia.

A pretensa "cultura popular" dos rádios e TVs consegue enganar um pouco na sua "independência" ideológica, mas não consegue esconder suas ligações com os barões da grande mídia. Da mesma forma que a intelectualidade que quer ver um Brasil mais cafona, porque é um Brasil mais submisso e que acaba aplaudindo não só esses intelectuais, como também a blogueira cubana amiga das autoridades dos EUA.

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