terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

REVISTA TRIP E 89 FM: SAIA JUSTA?


Por Alexandre Figueiredo

Um aspecto muito delicado está por trás da censura aos irmãos Mário e Liro Bocchini pela Folha de São Paulo e que pode comprometer a antiga parceria entre a revista Trip e a dita "rádio rock" 89 FM. É que, agora, a Folha de São Paulo, dona do provedor Universo On Line (UOL), é sócia da emissora de rádio.

Os irmãos Bocchini vieram da revista Trip, antes de serem conhecidos pela paródia contra o jornal de Otávio Frias Filho. Atualmente os irmãos são condenados a retirar o blogue Falha de São Paulo do ar, aparentemente sob alegação de que eles estariam violando os direitos autorais do jornal paulista.

Digamos aparentemente porque a Folha de São Paulo não quer passar a impressão para a sociedade de que está reprimindo a liberdade de expressão, principalmente numa época em que a visita de Yoani Sanchez é paparicada pela grande mídia com seu discurso supostamente em defesa da liberdade de expressão.

No entanto, tudo indica que a FSP quer mesmo é reprimir a expressão dos Bocchini, e sua associação à revista Trip muito provavelmente irá comprometer qualquer parceria entre a revista e a atual UOL 89 FM, mesmo quando seu contrato com o provedor esteja previsto, inicialmente, para um ano. Só que o sucesso comercial da emissora pode garantir uma parceria mais duradoura entre Folha e 89.

89 TAMBÉM TEVE PARÓDIA

Eu mesmo havia feito uma paródia à 89 FM, que, por ter feito parcerias com o portal Rockwave, tinha seu sítio na Internet batizado de 89 Rockwave. E o que eu havia feito na época? Criei o sítio 89 Popwave que, além de criar paródias da rádio, publicava textos criticando a conduta da rádio, muito duvidosa para o perfil de rádio rock que a emissora supostamente assumiu em seus anos.

O logotipo copiava levemente o lobotipo da emissora para fazer o nome "89 Popwave" numa fonte gráfica próxima, a Haettenschweiler, pois não havia a fonte exatamente usada para o logotipo da emissora (criado pela agência W/Brasil, de Washington Olivetto).

No sítio, eu escrevia textos diversos questionando a linguagem e a mentalidade da emissora, muito mais próxima das rádios pop mais convencionais do que qualquer rádio de rock minimamente decente. Na época, por volta de 2000 a 2006, os adeptos da 89 FM e da Rádio Cidade (retransmissora carioca da 89) se enfureceram comigo, chegando a fazer trolagem e outros desaforos.

Mas a repercussão dos textos foi tal que as duas rádios, 89 e Cidade, recuaram e viraram rádios pop. A Cidade deu lugar à OI FM, ligada a uma empresa de telefonia móvel, com uma programação pop eclética mas focada a nomes mais cult. A OI FM foi um fracasso de audiência, mas o formato era ótimo, mais criativo do que a "rádio rock" que a antecedeu. Talvez o formato não tivesse sido bem compreendido.

Afinal, a OI FM tocava rock mais alternativo com música eletrônica, hip hop e uma MPB mais juvenil, embora ao lado do hit-parade convencional de pop dançante e derivados. Só que, dentro de um rádio FM anacrônico mas pragmático, era como se a OI tivesse um rumo indefinido, que deixava os anunciantes desnorteados.

A 89 FM HOJE

A 89 FM sinaliza que retomou todos os seus erros que fizeram derrubar a rádio em 2006, transformando-a em emissora de pop convencional, até o ano passado. Mantendo a mesma linguagem próxima da Jovem Pan 2, a partir do próprio coordenador, o "pioneiro dos emos" Tatola, a emissora já está recompondo, aos poucos, a mesma grade de programação de 2006.

Nessa época, a tal "Jovem Pan com guitarras" estava para se tornar "SBT com guitarras". A 89 FM estava tão pop em linguagem - apesar de toda pretensão "roqueira" - que já estava ficando brega, com ênfase em game shows, entrevistas com celebridades qualquer nota e debates humorísticos sobre futebol (?!).

O retorno da rádio, apesar de comemorado pelos seus adeptos e até por roqueiros mais condescendentes, mostra ainda mais uma rádio mais ultrapassada e datada em relação ao que hoje é a realidade das rádios de rock do Brasil e do mundo.

É só comparar as festas dos 30 anos da autêntica rádio de rock Fluminense FM, que incluiu exposição, debates e muitas reportagens, e a festa de lançamento da UOL 89 FM, ambas no ano passado. A diferença de qualidade é favorável à da extinta emissora niteroiense, que era muito mais do que um vitrolão roqueiro apoiado por uma vinheta "sarada", foi uma das poucas que tinha personalidade e filosofia próprias.

Já a festa da UOL 89 FM mais parecia uma dessas festinhas noturnas quaisquer. Só teve cobertura como qualquer outra, parecia festa de lançamento do Big Brother Brasil. O vídeo do retorno da emissora mostrava até mesmo Tatola fazendo gracinha, tocando "bateria aérea" como se fosse um pestinha mimado, enquanto o logotipo, que reúne os do UOL e da 89 FM, se destacava várias vezes.

No entanto, o oba-oba midiático camufla a mediocridade. Muitos ainda se seduzem pelas armadilhas da velha grande mídia, capaz de promover sucata como se fosse tecnologia de ponta. E, infelizmente, a UOL 89 FM consegue ser uma dessas armadilhas para uma parcela de brasileiros que adora levar gato por lebre.

Afinal, o Brasil da UOL 89 FM é o Brasil de Big Brother Brasil, de Luciano Huck, de Michel Teló, de Thiaguinho, da Andressa Urach, da Valesca Popozuda, de Renan Calheiros, de Merval Pereira na ABL. Um Brasil postiço, caricato, estereotipado, subserviente e injusto: mas que rende muito dinheiro para políticos, empresários e tecnocratas.

Em tempo: não haverá 89 Popwave. Mas os descaminhos da rádio serão sempre que possível relatados. Como o desprezo que a UOL 89 FM deu ao ex-beatle George Harrison, onde o portal da emissora não deu o menor destaque à lembrança dos 70 anos de nascimento do músico que foi um dos que mais contribuíram para o fortalecimento da cultura rock no mundo inteiro.

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