quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

RELAÇÕES TENDENCIOSAS ENTRE JUDICIÁRIO E GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Independente de posições a favor ou contra o PT, nota-se que o julgamento do "mensalão" foi tomado de um certo tendenciosismo tanto por parte da grande mídia como por parte do Poder Judiciário, tomado de um certo estrelismo ao condenar, dentro de um controverso processo de julgamento, os envolvidos no esquema do publicitário mineiro Marcos Valério.

A grande mídia chegou a comemorar, pregando aos quatro ventos que o Brasil havia "resgatado" os princípios éticos, que a corrupção política havia acabado, que uma nova era de transparência política e jurídica iria surgir.

No entanto, o que aconteceu foi algo ainda mais estranho do que a corrupção que supostamente se julgou agonizada. Foram as relações tendenciosas entre a grande mídia e alguns figurões do Judiciário, algo impensável nos países desenvolvidos.

Afinal, muitos ainda acreditam que a grande mídia é detentora de imparcialidade. Já sabemos que isso não é verdade. E a mediocrização que atinge nosso país não deixa de envolver principalmente alguns jornalistas tidos como "tarimbados", como Reinaldo Azevedo e Merval Pereira.

Reinaldo Azevedo, articulista da ultrarreacionária Veja, escreve como se um troleiro (ou troller, para quem não acompanhou o aportuguesamento) fosse obrigado a fazer um exercício de redação com mais de 25 linhas, e se trata de um dos piores jornalistas do país, cuja palavra "ética" parece estar truncada no seu dicionário pessoal.

Reinaldo teve seu livro, o péssimo No País dos Petralhas II, prefaciado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Mas Gilmar, dava para perceber, não era grande coisa, pela sua arrogância, seu desprezo à democracia e até mesmo ao fato de só preferir os jornalistas da "casa grande", pois os demais ele equiparou a simples "cozinheiros".

Mas Carlos Ayres Britto havia escrito até mesmo vários livros sobre Direito, vários deles citados em questões de concursos públicos, ou ao menos em apostilas especializadas. Mas chegar ao ponto de prefaciar um livro do pouco confiável Merval Pereira é constrangedor, não bastasse o jornalista ter entrado de graça na Academia Brasileira de Letras.

Afinal, Merval Pereira pode ser menos esquentadinho, nos seus textos, que Reinaldo Azevedo. Mas seu modo de escrever muito pouco tem de elegante e quase nada de objetivo. Além disso, o "imortal" só consegue lançar coletâneas de livros. Até eu tenho livros em andamento, guardados em CD-Rom, e até agora Merval só consegue lançar coletâneas. E virou "imortal" da ABL, num país onde "popozuda" é considerada "feminista".

O jornalista Paulo Nogueira, do blogue Diário do Centro do Mundo bem lembrou o quanto é fácil Merval fazer uma coletânea de livros. Contrata-se um estagiário para selecionar os textos. Além disso, há uma equipe da editora em questão para fazer as revisões necessárias, montar as fontes dos textos para impressão e tudo o mais. Merval nem precisa chegar perto de seus manuscritos ou da releitura de seu CD-Rom.

Os ministros do STF deveriam ao menos terem cautela de se envolverem com a grande mídia. Esta nem de longe é imparcial, até porque segue determinações de uma elite de empresários. Infelizmente, a grande mídia não se confunde com a sociedade, talvez até não queiramos que se confunda, mas a coisa chega ao ponto de um verdadeiro conflito de princípios que só a alienação social consegue disfarçar, não por muito tempo.

As pressões sociais mostram que a grande mídia manipula a população da forma mais cruel e abjeta possível. E o Poder Judiciário, que deveria ser uma força mediadora do exercício das leis, se submete aos cantos de sereia da mídia empresarial, facciosa e tendenciosa, que não se compromete com a cidadania.

Afinal, Merval Pereira pertence a uma corporação que investe pesado no Big Brother Brasil, um programa cujas afrontas à lei deveriam assustar, e muito, nossos juristas e advogados. Se Ayres Britto se lembrasse disso, talvez ele tivesse evitado mandar seu prefácio para o medíocre livro de Merval e seu bigode de cem anos atrás.

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