terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

NATALIE PORTMAN E A QUESTÃO DA SENSUALIDADE FEMININA


Por Alexandre Figueiredo

A cada dia a questão da vulgaridade feminina se torna urgente nos debates culturais brasileiros, já que o vazio das pretensas "musas populares" torna-se cada vez mais evidente, com suas gafes, seus ataques de estrelismo, seu temperamentalismo e sua baixa autoestima.

Pelo menos três dessas "musas" causaram problemas de alguma forma no Carnaval. A ex-concorrente do concurso Miss Bumbum, Andressa Urach, por ter faltado aos ensaios de uma escola de samba e por chegar atrasada e sem sutiã, foi expulsa de um carro alegórico e teve sua participação nos desfiles da escola cancelada.

Mas houve outros casos, como a péssima repercussão dos glúteos siliconados da funqueira Valesca Popozuda nas redes sociais da Internet e o mesmo ocorrendo com Gracianne Barbosa, no caso dela ter emagrecido e continuado com os glúteos enormes.

A vulgaridade feminina vive o começo de sua grave crise na medida em que suas "musas" se tornam famosas sem ter o que dizer. Elas se reduzem a meros brinquedos sexuais dos homens, e suas aparições se tornam, além de supérfluas, repetitivas e sem sentido.

Para piorar, o mercado tornou-se saturado de muitas dessas "musas", havendo centenas delas através de várias "fontes", seja o concurso Miss Bumbum, seja o Big Brother Brasil, seja o "funk carioca". O mercado ainda se saturou mais quando veteranas como Solange Gomes continuam em evidência nesse mercado, através das mesmas "atividades".

Enquanto isso, musas que são o contrário disso, sobretudo no exterior, mostram que podem insinuar, mesmo por acidente, uma discreta sensualidade sem apelação. É o caso da atriz Natalie Portman, conhecida por sua deslumbrante beleza e pelo seu charme e talento, que está nas fotos acima.

Natalie, esposa de um coreógrafo, Benjamin Millepied, estava passeando com algumas amigas junto ao filho dela e de Ben, o menino Aleph, quando, ao levantar os braços, parte de sua cintura, incluindo costas e barriga, apareceu à mostra.

No entanto, o que Natalie vestia não era um top (blusa curtíssima), desses que as "musas populares" do Brasil vestem até em dias de muito frio, mas um suéter bastante discreto e folgado, que só exibe a barriga quando quem a veste levanta os braços. Nada demais.

Há também várias mulheres que, no Brasil e no exterior, vestem camisas abotoadas para dentro da calça, algo que o público brasileiro médio pode ver através do traje da personagem Heloísa, a delegada sexy interpretada pela atriz Giovanna Antonelli na novela Salve Jorge, da Rede Globo. Um traje que pode sensualizar (mesmo) sem fazer qualquer apelação.

Ou então, por que não usar um suéter de manga curta, desses que as mulheres usaram muito entre os anos 1950 e 1980, e que se vê, por exemplo, no filme Top Gun (1986), quando a personagem Charlotte (Kelly McGillis) se arrumava no banheiro? É uma blusa que combina sensualidade com elegância de uma maneira que dá requinte e beleza à sedução.

Muito se há que discutir sobre a questão da sensualidade feminina. Será preciso tanta apelação? Musas sensuais não podem vestir roupas mais discretas? Elas também não podem sair do contexto sensual de vez em quando para mostrar alguma inteligência? Por que as gafes intermináveis que repercutem tão negativamente? E por que tantos silicones para manter o corpo forçadamente "avantajado"?

São muitas dessas questões que surgem e que põem em xeque o mito de que as ditas "musas populares" são "feministas", mito há muito difundido pela intelectualidade que defende a "cultura" brega como se fosse o folclore brasileiro do futuro. As alegações de que essas moças são "feministas" porque aparentemente não vivem à sombra de um marido ou namorado não conseguiu convencer, na medida em que elas simbolizam o machismo, e não as lutas feministas.

As transformações em que vive o Brasil dão o sinal de que, depois do Carnaval, a questão da sensualidade feminina no nosso país não será mais a mesma. A mídia machista vai tentar dizer que sim, mas a cada dia internautas e blogueiros já contestam com mais frequência o vazio dessas mulheres-objeto, mostrando que criticar a mídia machista vai muito além dos desvios publicitários da "casa grande".

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