terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MÍDIA MACHISTA E A TEIMOSIA DE SUAS "MUSAS"


Por Alexandre Figueiredo

No Brasil dominado pela mediocridade midiática, que há um bom tempo estabelece a "ditabranda do mau gosto", a mídia machista e suas "musas" servem a sobremesa feita de bandeja para a falta de imaginário masculino, onde as fantasias sexuais já nascem prontas pelo mercado midiático.

E temos que suportar as "musas" cometendo gafes e não tendo o que dizer nem fazer de importante na vida. E, não bastasse isso, é a teimosia e a arrogância delas, que preferem "pagar mico" do que se prepararem para algum futuro mais digno na vida. Acabam levando má fama, que o rótulo de "polêmicas" não consegue "limpar".

Pois a "popozuda" Andressa Urach, ex-concorrente do concurso Miss Bumbum e que havia lançado mensagem como legenda de sua foto em topless no Instagram dizendo que "faria amor com um mosquito", lançou recentemente uma "pérola" em que usa os mesmos comentários que a ex-BBB Mayra Cardi havia escrito antes no Facebook, sobre a péssima repercussão desta ter "sensualizado demais" num aeroporto carioca.

Mayra havia escrito, a respeito, um comentário relativamente longo que incluiu frases como "Nunca me arrependo do que faço... (...) Porque sou intensa, verdadeira, realista..." e "Mesmo que esteja longe, seja difícil, que o mundo discorde, que o mundo critique, que me custe tempo, que me custe saúde, que me dê trabalho, que eu me desdobre, que me tire o ar, que me tire o sono... Mas que minha motivação não me faça chorar e que me faça feliz! (...) Eu quero que o mundo se fo..".

Já Andressa escreveu o seguinte: "Beijos de boa noite! #chegalogocarnaval #hjeutobandida #canseidesersantinha #naosoupracasar #naovoudar #voudistribuir #queroumamorpordia #imsolto #fuckyou #viverintensamente #naomudopormaisninguem".

Uma diz que é "intensa e verdadeira" e pouco se importa com as pressões da sociedade, a ponto de ter escrito "Eu quero que o mundo se fo...". Outra usa palavras-chave como "#viverintensamente" e "#naomudopormaisninguem", além de um quase escondido "#fuckyou".

E o que fazem essas musas de importante? Por acaso elas só usam a Internet para postar fotos e textos nas redes sociais? Elas não saem para passear sem que façam apelações "sensuais"? Será que elas sabem o que é sair com amigos e conversar sobre qualquer coisa, mas sem excluir temas interessantes e inteligentes?

A impressão que se tem é que essas musas vivem um baita complexo de inferioridade, fenômeno que, segundo a Psicologia, pode causar o efeito da arrogância, da recusa ao arrependimento e das críticas dos outros. A teimosia torna-se escudo para aqueles que se sentem inferiorizados na sociedade.

Certamente, as musas "popozudas" são deixadas para trás por centenas e milhares de atrizes, modelos, jornalistas que combinam sensualidade e inteligência e mostram que o importante para uma mulher é "mostrar melhor" e não "mostrar demais".

Se até as mais discretas repórteres de televisão e mesmo atrizes teen norte-americanas são muito mais desejadas que as "popozudas", isso significa o quanto essas moças que vivem de seus corpos "avantajados" andam em baixa, apesar dos altos investimentos de portais de celebridades, revistas masculinas, times de futebol e escolas de samba, todos com dirigentes comprometidos com a mídia machista.

ATÉ "URUBÓLOGOS" NÃO QUEREM MUDAR

"Musas" como Andressa Urach e Mayra Cardi são o reflexo da ditadura midiática em que vivemos, onde até os ídolos são escolhidos pelos barões da mídia. E, se elas "não querem mudar" e gostam de "viver intensamente", a grande mídia em geral também não age diferente.

Miriam Leitão "não quer mudar" e "vive intensamente". Igualmente para Merval Pereira, Eliane Cantanhede, Ricardo Noblat e os demais porta-vozes da "massa cheirosa" que faz o noticiário político exalar um odor de "disenteria de popozuda".

A grande mídia, como um todo, é que não quer mudar. Daí a programação doentia da TV aberta, que cada vez mais perde audiência. Daí o decadente rádio FM brasileiro, preso a ideias mofadas dos anos 90, daí os jornalões que desmoralizam a mídia impressa no país. Daí as mentes decadentes de nossos executivos, que fingem que querem agradar o público, mas só agradam os anunciantes, muitos igualmente bitolados.

A sociedade muda, a Economia, mesmo de forma ainda desigual, avança, e as pressões da sociedade no mundo inteiro pedem para a mulher assumir papéis importantes na vida. A inteligência já não é apenas um direito conquistado pelas mulheres - muitas pagando pelas próprias vidas - mas um compromisso que é desprezado totalmente pelas "popozudas" felizes com suas gafes.

Por exemplo, chega uma Solange Gomes dizendo que odeia ler livros (mas, ironicamente, diz estar escrevendo um, sobre um casamento desfeito com um ídolo sambrega). Ignora ela que, no século XIX, mesmo as mulheres da alta sociedade eram proibidas de aprenderem a ler, por puro preconceito moralista das elites de então.

O que dizer das lutas árduas para as mulheres terem poder de opinar, de raciocinar, de ler bons livros, de se aprimorarem culturalmente, de dizerem coisas interessantes? Será que não existe algum escrúpulo nas mentes dessas "popozudas"? Não seria melhor elas se retirarem de cena e evitarem cometer tantas gafes que, certo ou tarde, as "queimarão" na mídia?

É uma pena que, com os avanços sociais em que vivemos, ainda temos "musas" que parecem presas aos tempos do machismo mais intenso, felizes em se limitarem a ser meros objetos sexuais, brinquedos pretensamente eróticos que estão ficando a cada dia sem qualquer tipo de graça.

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