domingo, 17 de fevereiro de 2013

MARINA SILVA E A "REDE DE PESCA" PARA A ESQUERDA "DESCONTENTE"


Por Alexandre Figueiredo

Depois da "ressurreição" do antigo Partido Social Democrático (PSD) - partido de nomes como Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves extinto pela ditadura - franqueado por Gilberto Kassab, um novo partido pretende agitar a política nacional e influir no jogo eleitoral do ano que vem.

Diferente do partido de Kassab, que se compôs a partir de dissidências "flexíveis" dos reacionários PSDB, DEM e PPS, o novo partido, comandado pela ex-PV Marina Silva, tende a aglutinar os chamados "descontentes" das esquerdas brasileiras.

Denominado Rede Sustentabilidade - que, se fosse num discurso mais reacionário, poderia significar "Resistência Democrática" ou "Recuperação Democrática" - , o partido reúne os chamados "sonháticos", como são chamados os simpatizantes e futuros integrantes do partido. Seu discurso, aparentemente, evoca alguns clichês do ativismo esquerdista, mas já inclui empresários no quadro de filiados.

É o caso de Maria Alice Setúbal, socióloga e herdeira do espólio do Grupo Itaú, e de Guilherme Leal, dono da marca de cosméticos Natura. Há também os ex-integrantes do PSDB paulista, Walter Feldman e Ricardo Trípoli, e o ex-pedetista José Antônio Machado Reguffe, de Brasília. Outro ex-pedetista que sinaliza adesão ao partido é o professor e senador Cristovam Buarque, também de Brasília.

Mas o partido negocia as adesões de Heloísa Helena, ex-PSOL, e do senador Eduardo Suplicy, por enquanto no PT, mas sinalizando uma possível saída do partido em 2014. Domingos Dutra, fundador do PT, já afirmou sua adesão à RS, dizendo que, após 33 anos de PT, está no novo partido "para fazer uma nova política".

Ontem seus membros se reuniram em Brasília para o lançamento oficial do novo partido, que aparentemente não será "de oposição nem de situação". Como uma das medidas, a Rede Sustentabilidade decidiu recusar receber dinheiro de pessoas jurídicas e de ter 50% de seus filiados com bandeiras de luta "livres".

O discurso do partido terá a ênfase ambientalista, que é a especialidade de Marina Silva desde quando ela era ativista social no seu Estado de origem, o Acre, e quando foi ministra do Meio Ambiente no primeiro governo Lula, na época em que Marina era ligada ao PV, e quando este partido era quase que um partido-irmão do PT.

O modelo de captação de recursos, segundo pretende Marina Silva, é inspirado no modelo adotado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, durante suas campanhas eleitorais para a Casa Branca, com ênfase na Internet a partir de valores-limite determinados pela coordenação do partido. Segundo Marina, a medida visa determinar um teto para os recursos financeiros a serem investidos na RS.


O partido visa valorizar a Internet como meio de interação entre filiados e políticos do novo partido, aproveitando a mobilidade já testada no "Movimento Nova Política", espécie de embrião do partido. Mas o caráter ideológico ainda é uma incógnita para o novo partido, sobretudo pelo caso que já vimos no PPS, por exemplo, formado por dissidentes do hoje pouco expressivo Partido Comunista Brasileiro.

Afinal, o risco é da Rede ser usada pela mídia demotucana para "neutralizar" a derrota do PSDB nas campanhas presidenciais, jogando a disputa entre tucanos e petistas para o segundo turno. Outro aspecto nebuloso é se o partido de Marina Silva e seus "sonháticos", atuais e novos, irá adotar um programa progressista ou neoliberal, numa realidade tão complexa quanto a de nosso país.

Em todo caso, é muito bom haver maior diversidade partidária. Pena que a maioria dos partidos políticos se limita a ser um mero acampamento de interesses. Mas é bom não se precipitar em ver a Rede como a salvação da política nacional. Por enquanto, o partido se expressa como uma "rede de pesca" para a esquerda "descontente". Mas, e amanhã, que rumo ideológico a "Rede" seguirá? O tempo é que vai dizer.

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