quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

LINDBERGH FARIAS AGORA É AMIGO DE FERNANDO COLLOR


Por Alexandre Figueiredo

Infelizmente, a política dá suas voltas. E eu havia escrito há pouco um texto esclarecendo por que o "funk carioca" é filho legítimo do "jeitinho brasileiro", citando até o caso do "lendário" picareta húngaro Peter Kellemen, do livro Brasil para Principiantes (1959), quando, ao divulgar o texto no Facebook, fui informado desse episódio acima.

Trata-se de um cumprimento cordial entre os senadores Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, e Fernando Collor, do PTB alagoano, numa evidente troca de simpatias entre os dois. Isso seria uma situação normal se não fosse o detalhe que informaremos a seguir.

Lindbergh foi líder estudantil em 1992, quando haviam as manifestações contra Fernando Collor de Mello, denunciado pelo envolvimento num escandaloso esquema de corrupção política e econômica que se deu já a partir das campanhas eleitorais. Esse escândalo, tão conhecido, resultou no impeachment ao então presidente da República, o primeiro eleito diretamente depois de 1964.

É certo que as passeatas dos "caras pintadas" ficaram muito a dever dos protestos estudantis de 1966-1968, surgidos em reação às medidas arbitrárias do ministro da Educação de Castello Branco, Flávio Suplicy de Lacerda (reitor da UFPR e um dos gurus de Jaime Lerner) e culminaram na Passeata dos Cem Mil em reação à morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, em 1968.

Todavia, era de alguma forma um referencial para a capacidade de manifestação estudantil, ainda que um tanto tendenciosa. Afinal, eu mesmo já havia sentido que o movimento estudantil não vivia uma boa fase, indo a passeatas estudantis onde seus líderes se desentendiam por interesses políticos mesquinhos. Eu mesmo era um estudante na época e observava tudo isso um tanto cético.

Eu, nos anos 90, vivi a experiência de conhecer a União Nacional dos Estudantes na sua fase decadente, com estudantes esnobes e arrogantes só querendo saber de carteirinhas e meias-entradas, sem qualquer causa nobre e firme, mais parecendo uma plataforma de propostas tímidas, vagas e inconsistentes. Bem longe da heroica fase de 1960-1968, quando a UNE pensava em transformar o Brasil.

Vemos agora Lindbergh Farias cumprimentando aquele que ele lutou para derrubar. Como se não bastasse as simpatias do ex-presidente Lula ao ex-rival das campanhas de segundo turno em 1989, e das tentativas de esquerdistas médios tentarem separar o Fernando Collor corrupto de 1992 do Fernando Collor oportunista dos tempos de hoje, como se fossem duas pessoas diferentes.

Assim a mídia direitista cai delirando. Ela continua fazendo o seu carnaval, a sua farra, feliz porque Dilma Rousseff não vai mais regular a mídia e mais feliz ainda porque pôde encontrar um arremedo de ativismo social através da figura sinistra da blogueira Yoani Sanchez. As esquerdas, de vez em quando, se deixam oferecer suas cabeças para a guilhotina armadas pela direita.

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