segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

GLOBO, BREGA-POPULARESCO E 'MARKETING'

POR CAUSA DE UMA MARCA DE CERVEJAS, A ATRIZ ALINNE MORAES FOI VER O CARNAVAL DA AXÉ-MUSIC EM SALVADOR.

Por Alexandre Figueiredo

O poder midiático, as empresas de entretenimento e as demais empresas que patrocinam eventos de entretenimento se envolvem numa aliança tão grande que estabelecem normas e mecanismos para fazer prevalecer a sua "natural" influência no "espontâneo" gosto popular das massas.

E a Rede Globo, sem dúvida alguma, torna-se o maior veículo de persuasão e determinação do gosto popular da grande mídia, sendo bastante rigorosa no processo de persuasão do grande público, embora sutil o suficiente para que intelectuais associados façam vista grossa e acham que o povo "gosta realmente" das mediocridades e aberrações que a Globo empurra sob o rótulo de "popular".

As Organizações Globo têm sua principal rede de emissoras, que tenta requintar o popularesco para atrair o consumo de classes mais abastadas, que é a mesma Rede Globo que é também vitrine de "urubólogos" como Merval Pereira, Arnaldo Jabor e Miriam Leitão. É também têm seu principal jornal, O Globo, também reduto dos mesmos "urubólogos" (além de outros) e instrumento de "conversão" do brega numa pretensa "vanguarda cult".

No entanto, outros veículos das OG completam o trabalho da dupla Rede Globo/O Globo, como a rádio Beat 98 e outras similares Brasil afora, rádios FM ligadas a oligarquias regionais parceiras dos irmãos Marinho. Têm o canal Multishow e a revista Quem Acontece, que, juntas, "espetacularizam" o brega-popularesco como se fosse um misto de "vanguarda" e "moda".

A influência das Organizações Globo é de fazer inveja ao grupo argentino Clarín, ameaçado de perder seu poder hegemônico local. A influência "global" é tanta que boa parte dela nem é percebida pelos analistas esquerdistas menos cautelosos, eles mesmos seduzidos pela influência mais sutil eventualmente transmitida por Fausto Silva, Luciano Huck ou mesmo Galvão Bueno.

ATORES FAZEM PROPAGANDA E EVENTOS E ÍDOLOS POPULARESCOS

Será que os atores da Rede Globo são tão tapados para fazerem defesa entusiasmada dos eventos brega-popularescos patrocinados pela emissora, sejam eles o Carnaval de Salvador (promovido, em parte, pela Rede Bahia, sócia da Globo na Bahia), os cantores Thiaguinho e MC Naldo ou mesmo o programa Big Brother Brasil?

Aparentemente, eles se entregam com "entusiasmo" a esses eventos, mas o que está em jogo, por trás disso, é a competitividade intensa e as regras contratuais que estão em jogo, que, não sendo rigorosamente cumpridas, podem levar para o ostracismo amanhã o ator ou atriz que é cartaz em todos os veículos da grande mídia hoje.

A situação é cruel. Há até mesmo uma hierarquia de aparições em programas da Globo. O seriado Malhação é considerado, por exemplo, um reduto de atores emergentes. Eles "sobem" para papéis medianos em novelas das 19 horas em busca de algum destaque nas novelas das 21 horas (as mais populares) e de aprimoramento interpretativo nas novelas de época das 18 horas.

Para tanto, o ator ou atriz mais jovem terá que ir para tudo que é evento de brega-popularesco. Terá que ver duplas "sertanejas" do momento, ir ver o grupo ou cantor de "pagode romântico" da hora e, até pouco tempo atrás, tinha que ir a um "baile funk" mais badalado e "filosofar" a favor do gênero em alguma entrevista, sempre com uma declaração politicamente correta.

O ator ou atriz envolvido nisso é garoto-propaganda do ídolo ou do evento popularesco em questão. Ele passa a imagem de "fã ardoroso", quando na verdade nem gosta daquilo. É o mesmo que fazer propaganda de um automóvel que não usa, de uma marca de cosméticos à qual nem chega perto, de uma marca de sorvetes que nunca iria consumir, de um sabão em pó que tentou usar na vida real e não deu certo.

 Evidentemente, a atriz precisa "curtir o funk" para depois fazer propagandas de marca internacional de cosméticos, aparecer numa revista de moda feminina e conseguir papéis melhores em novelas da Globo. Se for obediente, ganha até papel em peça de teatro, protagoniza um filme da Globo Filmes e é liberada para altos voos interpretativos.

Mas, se caso ela não obedecer, até mesmo cartas de "desrecomendação" os produtores da Globo mandam logo para as emissoras concorrentes, alegando que a atriz é "de gênio muito difícil" e não aceita "certos compromissos de trabalho" que são muito decisivos para o marketing pessoal da atriz em questão.

Entende-se que um ator é suficientemente inteligente ou pesquisador para saber que o brega-popularesco não presta. No fundo, a maioria dos atores e atrizes da Globo nem gosta de axé-music, "sertanejo" ou "funk", por exemplo. Mas eles precisam fazer o papel de "fãs deles". No fundo, é mais uma encenação, para a qual eles apenas emprestam seus nomes reais. Só que tudo é feito em nome do dinheiro. O negócio é esse mesmo.

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