segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DO QUE "BEBE" A NOSSA FESTEJADA INTELECTUALIDADE?


Por Alexandre Figueiredo

Bons intelectuais o Brasil tem. Mas eles não conseguem ter a mesma visibilidade que outros que, embora de reconhecida formação acadêmica, não possuem uma visão contestatória dos problemas acerca de nossa cultura. Para eles, só existe "problemática sem problema" e tudo fica na "santa paz".

Sabemos que um Noam Chomsky e um Umberto Eco dificilmente entrariam na porta de entrada dos cursos de pós-graduação. Não por serem incapazes, muito pelo contrário. É que os graduandos das faculdades que possuem uma forte carga de raciocínio crítico, além de serem considerados "subversivos" para a "paz acadêmica", desafiam em inteligência a vaidade de muitos doutores-estrela da pós-graduação.

Estes não querem ter sua reputação diminuída com orientandos dotados de muita capacidade de analisar criticamente as coisas. Além disso, as elites acadêmicas dependem tanto do Estado quanto do mercado, para arrecadar recursos e verbas de pesquisas, que qualquer projeto de pesquisa contestatório é visto como uma ameaça à estabilidade asséptica desses meios.

Por isso não vemos mais intelectuais com muita visibilidade e muito senso crítico. Já se passaram mais de 50 anos que um Jean-Paul Sartre no Brasil não somente agitava a intelectualidade de nosso país, como era visto pelo grande público quase com o mesmo entusiasmo que um Psy no Carnaval de Salvador deste ano.

Alguns de nossos mestres já faleceram, mas mesmo alguns burocratas do ensino já possuem alguma idade. Em Salvador, aliás, os cientistas sociais Milton Moura e Roberto Albergaria já são idosos, mas eles defendem tanto a "cultura de massa" quanto qualquer um mais jovem. Mas se Paulo César Araújo e Hermano Vianna já são cinquentões, então a coisa fica pior ainda.

Isso porque, se os mais experientes já se rendem ao jabaculê mais escancarado, definindo as baixarias da pseudo-cultura popularesca como se fossem "novos valores sociais das periferias", onde até mesmo a pedofilia e a prostituição são vistos como "saudáveis", os mais novos, então, são muito mais confortáveis em seguir a manada.

QUE CULTURA ELES DEFENDEM?

O que "bebe" nossa intelectualidade? O que ela quer mesmo de nossa cultura? Vemos que nossa intelectualidade mais badalada, com muita visibilidade mas pouca confiabilidade por mais que seu prestígio arranque credulidade de muitos, mistura alhos com bugalhos defendendo, aparentemente, tanto a cultura de qualidade quanto aquela de gosto bastante duvidoso.

Eles não estão dispostos ao debate, e acham que o Brasil progredirá sendo uma "deliciosa bagunça", a qual a intelectualidade deve apenas explicar e corroborar, sempre no sentido ideológico de que mesmo os piores fenômenos representam um processo natural de "evolução" de nossa sociedade.

A defesa do "mau gosto" como se fosse uma "causa nobre" se alterna com pretensas atitudes de defesa das tradições culturais. De repente, o antropólogo tal que defendeu o "pagodão" baiano achando que até o New Hit, acusado de estupro, é "vítima de uma campanha moralista da alta sociedade", passa a defender os terreiros de candomblé.

Ou então o crítico musical que falou bem de Michel Teló e até de MC Naldo, no mês seguinte, vai defender o Quinteto Violado e a cantora Zezé Motta. Ou então o historiador que defendeu os ídolos cafonas mas depois vai entrevistar João Gilberto. E os jornalistas que exaltam as "popozudas" falando em Leila Diniz.

Será que eles defendem a "cultura popular" por uma simples hipocrisia elitista? E como isso se dá, se eles, no seu discurso, se apressam em "condenar" o elitismo, o higienismo e o preconceito que atribuem ao senso questionativo dos outros, enquanto eles mesmos são elitistas, higienistas e preconceituosos?

Evidentemente, todo discurso é construído para que se mascarem intenções. Precisamos desconstruir esse discurso, para que vejamos o que realmente ele quer dizer. Se aceitarmos o que um Hermano Vianna ou um Pedro Alexandre Sanches dizem sem descontruir o seu discurso, levaremos gato por lebre.

Mas para que finalidade eles recusam analisar criticamente os problemas de nossa cultura? Temos inferências, apontamos motivos prováveis. Vontade de aparecer na grande mídia? Representar interesses de grupos comerciais nacionais e estrangeiros? Em que ponto eles provavelmente são patrocinados por entidades estrangeiras, como a Fundação Ford, e qual a influência que eles sofrem das mesmas?

Eles querem realmente preservar a cultura popular do passado para seu usufruto privado? Ou será que eles defendem a mediocridade cultural para agradar suas empregadas domésticas e os porteiros de seus prédios? Ou será que eles estão a serviço de executivos de televisão? Jabaculê também financia projetos de pós-graduação?

O que se sabe é que sua recusa em avaliar criticamente os rumos da cultura de hoje desperta suspeitas. Muita gente deveria deixar de se seduzir por cantos da sereia que nomes como Paulo César Araújo e Hermano Vianna fazem na sua choradeira discursiva. Há algo de errado em nossa cultura e eles nem querem saber. Pelo contrário, eles estão a serviço do mercado e da grande mídia, e isso se deve levar em conta.

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