sábado, 2 de fevereiro de 2013

BREGA "ARRUMADINHO" IMPEDE ACESSO DA NOVA CLASSE C À MPB


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia, tentando forçar a hegemonia quase absoluta do brega-popularesco, havia prolongado essa hegemonia através de uma campanha hipócrita, que promovia os ídolos de maior sucesso como se fossem "coitadinhos", "vítimas de preconceitos", tudo para forjar uma comoção pública e empurrar ídolos cafonas para plateias mais abastadas, criando novos mercados, dentro das normas do neoliberalismo.

Criou-se até o "brega arrumadinho", a "MPB de mentirinha" cuja pretensão é criar o mito da "verdadeira MPB", esse termo de crédito duvidoso que se definia como uma equação em que ídolos medíocres da nossa música juntavam tecnologia, bom vestuário e muito luxo e pompa com a facilidade de atrair grande público.

A tal "verdadeira MPB" que, na verdade, é uma "MPB de mentirinha", pseudo-MPB de bregas "arrumadinhos", se projetava, desse modo, como um "meio-termo" entre o elitismo e o apelo popular, entre a mediocridade artística e uma apresentação visual "melhor", que incluíam também uma certa flexibilidade às leis do mercado e às modas de épocas.

Enquanto os pioneiros dessa pseudo-MPB, os ídolos neo-bregas dos anos 90, como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Belo, Daniel e Zezé di Camargo & Luciano evitam a superexposição e tentam "economizar" suas imagens para voltar como "veteranos triunfantes", uma geração mais recente tenta trabalhar essa fórmula num contexto mais atual, próximo dos pós-bregas da era da Internet.

Portanto, são ídolos pós-bregas (o brega pós-MTV) que o mercado os fez capazes também de fazer o mesmo papel de neo-bregas (o brega pós-Rede Globo) da turma dos anos 90. Esses ídolos se alinham também nos mesmos estilos envolvidos com o neo-brega dos anos 90, que são o "pagode romântico", o "sertanejo", o "funk melody" e a axé-music.

Ídolos como Cláudia Leitte, Victor & Léo, Thiaguinho, Michel Teló e MC Naldo são responsáveis por essa missão de "poupar" a geração 90 da superexposição. A turma dos anos 90 continua aparecendo, é evidente, mas eles já são veteranos demais para serem expostos como se estivessem surgido ontem.

MÍDIA TENTA JOGAR A MPB NO PAPEL SECUNDÁRIO

A intenção do neo-brega - que é o brega se passando por uma pretensa "MPB de apelo popular" - é impedir que não somente as classes populares, mas também a chamada "classe média", incluindo a nova classe C dos últimos anos, apreciem com prioridade a MPB autêntica.

Através dessa manobra, a grande mídia não impede, em todo, que o grande público aprecie a MPB autêntica, mas torna essa apreciação secundária, geralmente restrita aos medalhões (Maria Rita Mariano, Diogo Nogueira) ou à "MPB feijão com arroz" (Ana Carolina, Jorge Vercilo, Maria Gadu).

Quando muito, a apreciação se estende para nomes como Otto e Wilson Simoninha, geralmente a MPB de apelo mais jovem da Trama Discos. Mas mesmo essa apreciação também aparece como um papel menor, sem qualquer prioridade.

Enquanto isso, o brega-popularesco sempre aparece em primeiro plano no gosto que a mídia determina para as classes médias, sobretudo por meio da imprensa e pelo mercado de entretenimento que envolve festas em boates ou aniversários.

A cafonice, assim, tenta parecer "moderna" e "sempre atualizada". Enquanto isso, o grande público de classe média "também gosta de MPB", mas sem muito entusiasmo. O mercado associado ao brega-popularesco se enriquece cada vez mais enquanto seus ídolos ampliam mercados pisando nos calos da MPB autêntica que perde até mesmo seus próprios espaços.

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