domingo, 3 de fevereiro de 2013

A UOL 89 FM, NO CONTEXTO EMPRESARIAL E POLÍTICO-IDEOLÓGICO

OS DONOS DA 89 FM - Na foto, apontado pela seta vermelha, o empresário Neneto Camargo; sob a seta azul, José Camargo Jr., ou Júnior Camargo, e sob a seta amarela, o pai deles, José Camargo.

Por Alexandre Figueiredo

Já prevenimos, neste blogue, que até no quadro empresarial a 89 FM se mostrou mais conservadora que a Rádio Fluminense FM.

Embora o atual empresário do Grupo Fluminense de Comunicação, Alexandre Torres Amora, seja de perfil conservador, seu avô, Alberto Francisco Torres, apesar de ligado ao PSD nos tempos de Juscelino Kubitschek, nos anos 80 havia apoiado as ousadias libertárias da Fluminense FM conduzidas pelo batalhador Luiz Antônio Mello nos anos 80.

Já a 89 FM sempre teve um quadro bem mais conservador. Para quem não sabe, a tal "A Rádio Rock" faz parte do Grupo Camargo de Comunicação, cujo patriarca, José Camargo, havia completado 80 anos de idade.

O grupo controla também a rádio Nativa FM de São Paulo. Ligada ao brega-popularesco, a emissora paulista tem afiliada no Rio de Janeiro, numa franquia administrada pelos Diários Associados, a histórica empresa de Assis Chateaubriand que desde 1960 é administrada pelos funcionários-herdeiros.

A 89 FM, por sua vez, é administrada pelos filhos José Ernesto, o Neneto, e José Camargo Jr., o Júnior Camargo. No final do ano passado, eles firmaram parceria com Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo e do Universo On Line, que juntou as marcas UOL e 89 FM, virando UOL 89 FM A Rádio Rock.

O patriarca José Camargo já foi político, ligado à ARENA e ao PDS. Era do grupo político vinculado a Paulo Maluf, que havia sido governador de São Paulo e prefeito da capital paulista, mas hoje está até catalogado pela Interpol como acusado de desvio de dinheiro público para depósitos em "paraísos fiscais".

Nos anos 90, os donos da 89 FM apoiaram o então presidente Fernando Collor de Mello, embora o neto de Alberto Torres, Alexandre Torres, já responsável pelo Grupo Fluminense de Comunicação com a aposentadoria do avô (que faleceu em 1998), também havia apoiado Collor na época. Mas foi sob o governo Collor que a 89 foi beneficiada pelos incentivos do governo Collor dados a seus proprietários.

Depois, a 89 FM foi favorecida pelo apoio dado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, período do qual a 89 buscou subsídios financeiros para implantar uma rede via satélite que acabou tendo, entre suas afiliadas, a carioca Rádio Cidade, que desde 1995 era ideologicamente vinculada à 89. Desde 2006, no entanto, a Rádio Cidade virou OI FM e depois se tornou a atual Jovem Pan 2 Rio.

Atualmente, os donos da 89 FM, aparentemente, não demonstram qualquer apoio político claro. Talvez continuem identificados com o direitismo político em âmbito estadual. Em todo caso, eles recorreram à família Frias, dona da Folha de São Paulo (que apoia o PSDB), para firmar a parceria empresarial que resultou na atual UOL 89 FM.

Desse modo, a trajetória da 89 FM sempre foi conservadora. Como sua programação restrita aos sucessos roqueiros, nada que seja uma abordagem libertária e criativa do rock. Para os ouvintes entusiasmados da UOL 89 FM, é bom não gastar nos fogos e artifícios: a emissora é uma rádio convencional como qualquer outra que chateia os ouvidos que querem ouvir música de qualidade.

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