quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

TAÇA DAS FAVELAS: SUPERVALORIZAÇÃO DO ESPORTE, GLAMOURIZAÇÃO DA POBREZA


Por Alexandre Figueiredo

Na tentativa desesperada de evitar o desgaste, a grande mídia tenta agora cooptar o apoio da sociedade através de eventos recreativos dos mais diversos. E a Globo, através do seu departamento esportivo, resolveu promover a nova edição da competição Taça das Favelas.

O evento tem o duplo propósito de promover a supervalorização do esporte, visando criar uma plateia pobre que respalde, até de forma desesperada, os eventos esportivos que irão impulsioná-la a gastar ingressos para assistir à Copa do Mundo e às Olimpíadas, e, também, de reforçar o "orgulho de ser pobre".

Quanto a esse "orgulho", a propaganda da Taça das Favelas deixa claro, mostrando o cenário de favelas que, sabemos, foi promovida a "atração turística" e a "arquitetura pós-moderna" por uma elite influente de intelectuais. Isso glamouriza a pobreza e faz com que os favelados se sintam "satisfeitos" com sua condição social, só progredindo dentro dos limites do "sistema".

O fundo musical escolhido é justamente o "funk carioca", símbolo dessa retórica "socializante" que tentou-se, em vão, empurrar para o ideário progressista, campanha que a princípio chegou a surtir efeito nas esquerdas medianas, mas que esbarrou numa série de contradições dentro dos meios intelectuais.

A Globo é famosa por essas duas manobras. A supervalorização do esporte possui até mesmo seu "sacerdote" maior, o "papa da histeria futebolística" Galvão Bueno. Além disso, a Globo possui parcerias com a CBF e sobretudo com Ricardo Teixeira, tanto que a Copa de 2002, marcada pela mediocridade e pela corrupção, pode ser seguramente apelidada de "Copa da Rede Globo".

A glamourização da pobreza, através de uma mitologia da "periferia legal", não é exclusividade da Globo, mas tem na corporação midiática sua porta-voz mais decidida e influente. E isso permite que se difunda, em larga escala, uma visão romanceada e fantasiosa do povo pobre, ocultando seus reais sofrimentos e promovendo o conformismo para as classes populares.

Só que, em momentos difíceis como as chuvas que causam tantas destruições nas "pós-modernas" residências das favelas, o povo pobre continua sofrendo. E outros transtornos e problemas são vividos e que não podem ser ocultados por um "funk" cuja única reivindicação social é aquela de caráter duvidoso, que é de evitar o policiamento nos morros.

Por isso, a glamourização da pobreza tem limites, porque a realidade é muito dura para promover uma fantasia com tanta intensidade.

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