quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

SE É PARA HAVER "BOAZUDAS", MELHOR HOMEM BRINCAR DE BONECA


Por Alexandre Figueiredo

É muito constrangedor. A mídia machista insiste em manter seu mercado e recusa-se a admitir a decadência dela e de suas "musas". Elas só mostram seus corpos, não dizem pra que vieram, cometem muitas gafes e, o que é pior, preferem bancar as "coitadinhas encalhadas" e continuar vendendo o corpo para a mídia do que arrumar algum futuro mesmo no ostracismo mais seguro.

Pior é que mesmo "musas" com mais de 35 anos se irritam quando alguém sugere para elas arrumarem algum homem mais elegante para se casarem e até ameaçam processo por isso. Ou seja, de tão temperamentais, elas chegam a ameaçar processar quem dá bons conselhos a elas. O que mostra o quanto o absurdo atingiu níveis kafkianos, não bastasse o teor de "febeapá" que essas "musas" apresentam.

A cada dia, no entanto, essas "musas" são duramente criticadas pela opinião pública. E o mercadão das "popozudas" inchou tanto que até o R7, que aparentemente se conformava com esse triste espetáculo, denunciou que muitas garotas sem ter o que fazer pegavam carona num factoide com algum homem famoso para depois ganharem dinheiro bancando as "sensuais".

Chegou-se ao ponto de haver centenas de "musas" de uma vez "mostrando demais" seus "dotes físicos", muitas vezes inflados por doses generosas de silicones. Com "direito" a veteranas não se aposentando, tentando se passar por "sensuais" da forma mais ridícula possível, desrespeitando até mesmo sua condição de ter mais de 30, 35 anos de idade.

A insistência já não surte tanto resultado, mas os investimentos nessas "musas" são maciços. Dirigentes esportivos, dirigentes carnavalescos, editoras de revistas "sensuais", todos eles, HOMENS que controlam um mercado machista, depositam generosas quantias financeiras para alimentar essa exibição multiplicada de "mulheres-objetos".

Muito dinheiro rola por trás disso. Mas por debaixo dos panos, há desde a tendenciosa imposição de celibato para várias delas até mesmo à dissimulação de um casamento desfeito na aparência, mas preservado na privacidade, por parte de outras "musas". Só que todas elas, de "mais desejadas do país", já começam a ser MENOS DESEJADAS.

Consta-se que até mesmo votações na revista VIP tentam colocar em alta as principais "musas" do gênero. Neste caso, internautas seriam designados para a "missão" de "aumentar" os votos dessas moças, embora elas tenham que competir com atrizes de televisão que, de fato, são muito desejadas. Não há como colocar uma Lorena Bueri como mais votada que Juliana Paes.

Mas o desperdício torna-se claro, porque essas musas "populares" não têm personalidade, não são capazes de exprimir boas ideias ou dar boas entrevistas, e acham que dar beijos lésbicos em amiguinhas ou posar com drag queens estereotipadas é o máximo de "atitude". Tentam convencer o público com um tal "feminismo sem causa", mas elas provam cada vez mais estarem a serviço de valores machistas.

Muitas mulheres dotadas de inteligência e personalidade já morreram, nos últimos 45 anos, pela violência conjugal, pelos acidentes de trânsito, pelos erros médicos, pelo latrocínio e outras causas. Várias delas faleceram precocemente, e a ausência delas não é devidamente compensada nem respeitada.

Afinal, é assustador o número de mulheres sem personalidade e até estúpidas que aparecem e permanecem na mídia só mostrando suas formas físicas, em maioria siliconadas, num processo que já está se tornando repetitivo e cansativo. E gafes como mostrar banheiros ou posar de "freiras sexy" tornam-se típicas, além da presença em eventos de música brega-popularesca, mostrando seus caráteres vazios e alienados.

Pior é que nem a adoção do verbo "sensualizar" resolve as coisas. Pelo contrário, a banalização dessa expressão só faz piorar as coisas, já que essas pretensas musas, tão contempladas pelo imaginário machista, só vivem de mostrar seus corpos, embora se sintam ofendidas e irritadas quando são classificadas de "garotas de programas".

Tudo se complica na vida delas, na medida em que elas se contentam com o superficialismo de mostrar seus corpos, de fazerem carreira como "mulheres-objeto", pouco importando o andar do tempo e as transformações sociais que o mundo vive.

"Musas" como Geisy Arruda, Mayra Cardi, Solange Gomes, Mulher Melão e outras do gênero são passadas para trás até mesmo pelas atrizes adolescentes estrangeiras, cujo fã-clube brasileiro se torna bastante promissor. Uma atriz como Chloe Moretz, por exemplo, já demonstra ter mais admiradores do que todas as "boazudas" brasileiras juntas.

Essas jovens atrizes também surpreendem pelas boas entrevistas que dão. E assusta ver que as "boazudas" brasileiras se mostram insensíveis até mesmo à situação vergonhosa que vivem, sem mostrar qualquer coisa importante na vida, sendo, como personalidades, pessoas completamente inúteis e supérfluas.

Solange Gomes já ultrapassou o tempo de vida de Daniella Perez, Leila Diniz, Dolores Duran, Monique Alves, Brittany Murphy, Cláudia Magno, Marilyn Monroe e Elis Regina e até agora não fez qualquer coisa importante na vida. Se Solange Gomes morrer amanhã, deixará uma vida completamente desperdiçada por uma pseudo-sensualidade grotesca, sem ter feito qualquer contribuição relevante para nossa sociedade.

Isso preocupa. As musas "populares" tentam viver não de forma intensa e relevante, parecendo escravas de um "feitiço do tempo" em que o amanhã é apenas uma xerox do hoje. Elas perdem vantagem, mas insistem em permanecer no mercado na marra, sobretudo se aproveitando da pseudo-sensualidade exibida até nas redes sociais.

Só que, a cada insistência, já começa a reação de protesto de vários internautas, de jornalistas, de famosos, contra essa exploração degradada da imagem da mulher, comodamente trabalhada por mulheres que não têm a consciência real do que de fato estão fazendo ou do que estão deixando de fazer na vida.

A rejeição a essas musas "populares" as faz cada vez menos desejadas e a cada dia mais impopulares, pois, de mostrar banheiros a se vestirem mal, suas gafes as tornam sempre sujeitas a críticas negativas. A indiferença a elas e a repetição de uma "sensualidade" que não seduz nem tem mais graça só piora as coisas e o termo hasbeen ("decadente") é mais ilustrativo a essas pretensas musas do que o verbo "sensualizar".

Se é para ter musas assim sem o menor conteúdo, seria melhor que os homens brincassem de bonecas, pois, se estas não são capazes de falar por conta própria nem de pensar, pelo menos elas não cometem gafes, e são realmente meros objetos, brinquedos para as fantasias sexuais dos marmanjos.

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