quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

QUANDO A VELHA MÍDIA TENTA PARECER MODERNA

DA UOL 89 FM A DJ MARLBORO, DE GEISY ARRUDA A NEYMAR, DE XUXA A MICHEL TELÓ - É a velha grande mídia tentando se passar por "moderna".

Por Alexandre Figueiredo

O Brasil tem um cacoete estranho de parecer moderno na forma, mas retrógrado na essência. E isso se dá sobretudo por conta de uma estrutura de poder político, intelectual, midiático, técnico e econômico cujos detentores são pessoas que não são dotadas de uma visão sócio-cultural moderna, mas que trabalham seus valores retrógrados dentro das modernas teorias estratégicas de administração e persuasão social.

Por isso não se vê diferença fundamental alguma entre uma "rádio rock" com mentalidade de pop debiloide, como a UOL 89 FM, e as "modernas musas" de corpões sarados e sobrenomes "europeus" que mostram seu vazio intelectual a pretexto de "sensualizarem".

A "volta triunfal" da UOL 89 FM nem de longe é considerada a salvação da humanidade, mas tão somente mais um ingrediente do "caldeirão" - no sentido Luciano Huck do termo - que inclui funqueiros, Big Brother Brasil, grupos "poderosos" como Chiclete Com Banana, "fenômenos" como MC Naldo e Thiaguinho, e pessoas "exemplares" como Thor Batista, filho do "megaimportante" Eike Batista.

Eike não é mais o homem mais rico do país, amargando várias falências e vendo o dinheiro dele correr pelo ralo. Mas ele também é o símbolo do "sucesso" neste país ainda muito atrasado, se não em aspectos econômicos, mas em aspectos sócio-culturais.

Vivemos a hegemonia do poder político, econômico, midiático, técnico e intelectual que assumiu heranças ideológicas da ditadura militar, mais especialmente na Era Geisel. E a hegemonia dessa visão neo-conservadora não apenas não foi superada como, em vários aspectos, se traveste de visão "moderna" e "progressista", sobretudo buscando enganar turistas e até investidores.

VISÃO ANTIQUADA - A visão desses "donos" do poder decisório na sociedade brasileira apenas é "moderna" no modo de como eles fazem para prevalecer seus projetos ideológicos de maneira "estratégica" e "sustentável".

As posturas geralmente tentam soar "menos" reacionárias, apesar do eventual exército de troleiros na Internet. Afinal, o discurso oficial precisa ser "positivo", para não se confundir com as mensagens claramente reacionárias que seus aliados no jornalismo político costumam fazer.

Eles precisam falar de "liberdade", "interesse público", "utilidade pública" e "diversidade cultural", entre outras palavras atraentes, de forma mais "poética" do que expressa a brutalidade retórica de seus pares "urubólogos". Precisam evitar cair na vaia pública que um Reinaldo Azevedo e uma Eliane Cantanhede recebem.

TENTAM DESVINCULAR CULTURA E POLÍTICA

Daí o escudo "positivo" de uma retórica mais "simpática", que contagia a todos, de Jaime Lerner a Tatola, de Pedro Alexandre Sanches a Roberto Medina. Tentam desvincular cultura e política, não somente o entretenimento, mas também valores associados ao urbanismo e ao esporte.

Isso é feito para camuflar seu conservadorismo ideológico, de princípios e valores nem sempre benéficos para a sociedade, alguns até prejudiciais, mas todos eles promovidos como se fossem "sempre benéficos". Tentam usar o "público" como pretexto para defender interesses privados, que usam da credulidade e até mesmo do consumismo da sociedade para se enriquecerem e aumentar seu poder.

Através disso, eles tentam distorcer novidades com valores e procedimentos antiquados. No radialismo rock, evita-se, por exemplo, desenvolver uma mentalidade própria das rádios de rock, preferindo juntar o vitrolão "roqueiro" (mas restrito a divulgação de "grandes sucessos") com uma mentalidade das rádios pop mais debiloides.

No caso das "musas populares", joga-se elas até mesmo em campanhas LGBT, como se isso lhes fizesse ter "mais atitude". E o que dizer da música brega-popularesca, que investe em tecnologia de ponta e nas novidades da publicidade pop estrangeiras, para disfarçar sua cafonice cultural?

Até o modelo de "mobilidade urbana" criado por Jaime Lerner em 1974 soa velha e antiquada. É um sistema de transporte coletivo futurista na forma, antiquado no conteúdo, e tudo isso, implantado hoje, mostra um claro ranço de "busologia de cabresto" que anda iludindo busólogos e causando prejuízos para o povo que usa ônibus.

Ou então a "moderna" etnografia que intelectuais de nome fazem para defender a "cultura de massa" como se fosse um folclore antropológico? Ou então Xuxa Meneghel usando e abusando de linguagens "vanguardistas" para reciclar velhas fórmulas de seu programa de TV? E a axé-music, mofada como madeira roída por cupins, querendo soar o "mais moderno pop brasileiro"?

Enfim, o Brasil tenta parecer moderno através de expressões e projetos antiquados, velhos, gastos, prejudiciais. Mas que continuam persistindo, para atender aos interesses do mercado, da política, do poder midiático. São procedimentos que geram muito dinheiro, embora soem muito, muito velhos. Mas a sociedade é só um detalhe, usada de "gado" para aplaudir as decisões vindas "de cima".

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