sábado, 5 de janeiro de 2013

POR QUE OS NEO-BREGAS SÃO INCAPAZES DE FAZER MPB?


Por Alexandre Figueiredo

Como vivemos num tempo em que qualquer mediocridade dos anos 90 é facilmente reabilitada como se fosse algo "genial" - vide o caso da 89 FM, a "melhor rádio rock do mundo" que voltou com os mesmos erros que chegaram a derrubá-la em 2006 - , é bom tomarmos cuidado com a reabilitação da geração neo-brega que fez sucesso na década de 90.

A mesma geração que, de 1998 para cá, veio a constituir numa "MPB de mentirinha", amestrada e adestrada pela velha grande mídia e pela velha grande indústria fonográfica, tenta agora minimizar uma superexposição para voltarem sob a falsa imagem de "gênios injustiçados da MPB".

Entre os tantos absurdos que ocorrem no Brasil, já tivemos tributos "alternativos" a ídolos bregas que normalmente são associados à retaguarda artística e ao conservadorismo sócio-cultural. Odair José é o nosso Pat Boone, e o Raça Negra não mereceria ir além de um tributo mais mainstream, já que seu tributo "alternativo" forçou muito a barra na "reabilitação" dos pioneiros do sambrega ou "pagode mauricinho".

Assim como a volta da 89 FM - agora UOL 89 FM - rendeu comentários dos mais exagerados, teme-se que o "retorno" dos ídolos neo-bregas dos anos 90 venha a ser também carregado de muitas bobagens. E a intelectualidade associada vai assinar embaixo, acreditando que eles são "preciosidades perdidas" da MPB.

Mas por que dizemos que nomes como Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, Daniel, Belo, Banda Calypso, Latino, MC Buchecha, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e outros não podem ser considerados MPB?

Por incrível que pareça, não existe o menor preconceito com essa constatação. E nem ela é fruto de algum desaforo. Simplesmente esses "artistas", na verdade meros entertainers patrocinados pelos barões da grande mídia e pelas multinacionais de diversos setores, não possuem a qualidade musical nem artística necessária para fazê-los comparáveis aos verdadeiros grandes nomes da MPB autêntica.

Primeiro, porque eles são mais fetiches do que artistas. Se eles parecem sofisticados, é mais uma questão de marketing e de um interesse em apresentar a melhor imagem midiática possível. Mas, musicalmente, soam muito, muito medíocres, que nenhum cover de MPB autêntica consegue disfarçar. Pelo contrário, além das versões dessas músicas soarem inferiores às originais, elas camuflam o péssimo repertório autoral desses nomes.

Um disco como Eletrosamba, de Alexandre Pires, é sintomático. Publicitariamente, a capa do disco tenta sugerir um pretenso discípulo de Wilson Simonal, que o cantor de Uberlândia, em última hora, tenta vincular sua imagem, numa forma que demonstrou ser bastante tendenciosa e oportunista.

Mas, ouvindo o CD, o que se nota é o mesmo sambrega, às vezes com baladas que lembram músicas de José Augusto, tudo dos tempos em que Pires pouco se cuidava se o cantor de "Tributo a Martin Luther King" estava em declínio pessoal ou não.

A grande mídia tentou amestrar esses cantores, duplas e grupos para "parecerem MPB", na tentativa, vã, de tentar minimizar as críticas. Só que isso acabou indo contra a própria intelectualidade que defendia o brega, porque o processo foi de "idealização", transformando os neo-bregas dos anos 90 numa pseudo-MPB de aparato "sofisticado" mas artisticamente frouxa e até canastrona.

Em muitos aspectos, os neo-bregas soam até piores do que a MPB pasteurizada dos anos 80. Até porque seguem as mesmas regras dessa fase menor da MPB e as levam às últimas consequências. E, o que é pior, os neo-bregas são bastante submissos e, como birutas de aeroporto, vão ao sabor do vento, seguem obedientes aos ditames do mercado.

Os grandes nomes da MPB autêntica, pelo menos aqueles que se lançaram nos anos 60 e 70, tinham capacidade de ter opinião própria e apresentar obras autorais com uma força artística que vibra em cada audição. O que não é o caso dos neo-bregas fazendo "MPB de mentirinha", porque estes soam intragáveis, seus CDs "arranham" nos nossos ouvidos tamanha é a mediocridade e o "forçamento de barra".

Por isso não dá para comparar os neo-bregas, apenas dotados de boa cosmética que não os faz mais artistas, com os grandes nomes da MPB. A grande mídia tenta equipará-los, sob os aplausos de uma intelectualidade cultural demagógica que tenta vender o "mau gosto" como se fosse causa nobre.

Mas é só ouvir as músicas, com muita atenção e sem o preconceito "sem preconceitos" de aceitar qualquer "coitadinho" da moda, para vermos o quanto os neo-bregas soam artisticamente medíocres e musicalmente constrangedores. Infelizmente, porém, são poucos os brasileiros que realmente sabem ouvir música...

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