terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PINHEIRINHO: UM ANO DE SOFRIMENTOS


Por Alexandre Figueiredo

Enquanto o Rio de Janeiro vive seu "pinheirinho", através da notificação de despejo dada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro contra as tribos indígenas que vivem na Aldeia Maracanã, comunidade criada no entorno do antigo Museu do Índio, há um ano o conhecido bairro de São José dos Campos viveu uma violenta ação policial que destruiu o bairro popular que havia crescido em 2004.

Numa manhã de domingo, à revelia de qualquer julgamento legal, o governo do Estado de São Paulo, comandado pelo tucano e membro da Opus Dei, Geraldo Alckmin, determinou o uso de força policial para auxiliar a decisão dele e do então prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, também do PSDB, de beneficiar o especulador financeiro Naji Nahas.

Ele era dono da Selecta, uma fabricante de alimentos, sobretudo sucos de frutas, que havia falido e cujo terreno havia se tornado ocioso. Em 2004, pessoas começaram a ocupar a área que aos poucos havia se transformado num bairro popular que se evoluía numa organização social problemática, como em todo bairro popular, mas mesmo assim com uma estrutura urbana considerável.

O bairro de Pinheirinho já fazia sua história, sua vida social, seu comércio, suas igrejas, suas casas. Os moradores viviam os mesmos êxitos e problemas dos bairros populares em geral, havia criminalidade e tudo, mas havia, entre as pessoas de bem do local, uma disposição de transformar Pinheirinho num lugar melhor para o povo pobre viver. Até que veio a polícia e estragou tudo.

Moradores eram obrigados a juntar seus pertences às pressas e se mudarem para não se sabe aonde. Casa de parentes, talvez, para quem tiver sorte de ter alguma. Os policiais estavam agressivos e irritados. A ação era truculenta e impiedosa. Tudo porque Alckmin e Cury estavam querendo socorrer Nahas através da reintegração de posse da antiga fábrica.

Passou-se um ano e as promessas não foram cumpridas. O aluguel social recebido, de R$ 500 reais, é pouco para os aluguéis caros em lugares próximos na cidade. Mas muitos moradores estão abandonados à própria sorte, várias pessoas ficaram desempregadas, e ações na Justiça pela recuperação do bairro destruído não foram suficientes para impedir o leilão.

A área foi devolvida a Naji Nahas e sua massa falida. Seu destino será uma nova fábrica. Mas pelo menos a truculência de Alckmin, Cury e sua polícia dotada de bombas de gás e cacetetes tiveram como preço a derrota do PSDB nas eleições para prefeito de São José dos Campos, no ano passado. Pelo episódio, o PSDB praticamente entregou a Prefeitura para o rival PT.

Mesmo assim, continua o drama do pessoal de Pinheirinho, já que a destruição do bairro foi muito grande e milhares de famílias expulsas, sem um local digno para morar. Mesmo as famílias precariamente indenizadas acabam indo para áreas de risco na cidade. É a mesma tragédia da exclusão imobiliária que aflige gerações e gerações nas classes populares.

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