terça-feira, 29 de janeiro de 2013

OS "CARTOLAS" E O MACHISMO DAS "BOAZUDAS"


Por Alexandre Figueiredo

Carnaval, futebol e sexo. O "coquetel" machista alimenta os impulsos sexuais de um público masculino pouco qualificado intelectualmente, com sua "multidão" de pretensas "musas" que alimentam a falta de imaginário masculino com uma "fantasia sexual" pré-fabricada, embalada para consumo.

Essa constatação é óbvia. Mas houve gente na intelectualidade badalada de preconceituosos "sem preconceitos" que, tentando inverter os valores sociais, creditava essas servas do entretenimento machista como "feministas" só porque aparentemente não vivem sob a sombra dos homens.

Já escrevemos que isso é muito incoerente. Não tem fundamento. Afinal, o mercado da mídia machista envolve homens, sim. São editores de revistas "sensuais" e de portais de celebridades, são dirigentes carnavalescos, dirigentes esportivos e até contraventores. E eles batem o pé, querem o mercado "farto" de glúteos e peitos para alimentar a tara masculina.

Num país de transformação de valores como o Brasil, isso continua sendo um retrocesso. A exibição corporal dessas "musas" sem conteúdo, que não tem a nos dizer, que parecem felizes nos seus papéis de "brinquedos sexuais" dos homens do "povão", é repetitiva e cansativa, mas a mídia machista chega a ser cínica ao dizer coisas como "e dá para cansar?".

São centenas e centenas dessas moças, que são impostas pela mídia não somente como objetos sexuais dos homens pobres, mas também como ideais de sucesso feminino para as moças das classes populares. Elas só têm algum direito de ser ou não ser uma "musa" assim por uma questão de aparente "democracia" da mídia dita "popular". Mas, em que pese o caráter exótico e aberrante das "boazudas", a mídia as supervaloriza, sim.

No último fim de semana, vimos as "musas do Cariocão" sendo lançadas todas juntas, "sensualizando" o espetáculo midiático. Passado o Campeonato Carioca, elas alimentarão seu sucesso nas mesmíssimas poses nas praias, nas academias de ginástica, nas sessões de fotos "sensuais", "mostrando demais" de seu corpo, mas nada fazendo de diferente em relação a isso.

Isso é muito retrógrado, já que existem mulheres que são capazes de unir sensualidade e inteligência e que não precisam "mostrar demais" o tempo inteiro. É só perceber, por exemplo, o caso da atriz Emma Watson, a mesma que foi estrela teen dos filmes da saga Harry Potter.

Dona de um impressionante par de pernas e de um corpão sedutor, Emma no entanto se destaca pelas boas entrevistas, pela bela voz, e ainda por cima pode vestir roupas discretas, mesmo grandes sobretudos, e ter um gosto musical relevante. No mesmo caminho também segue a outrora atriz mirim Dakota Fanning.

Se até as musas teen são capazes de moderar a sensualidade para mostrar que não são só corpos sedutores, por que o mercado brasileiro do entretenimento insiste no culto das "mulheres-objeto", não só jogando centenas de moças do gênero e ainda por cima sem aposentar as veteranas?

São "musas do Brasileirão" e equivalentes regionais, "miss Bumbum", "peladonas", ex-BBBs, mulheres-frutas, etc etc etc. Centenas, milhares, todas fazendo a mesma coisa que se repete. Mostram demais seus corpos que perdem a graça, não têm a menor sutileza para a sedução, o que anula completamente o sentido real da verdadeira sedução, da verdadeira sensualidade.

A intelectualidade tentou atribuir como suposto "feminismo" dessas musas "populares" a associação com a "liberdade do prazer sexual" ou "liberdade do corpo". Só que essa "liberdade" está muito mais para a "liberdade" dos barões da mídia e seus "urubólogos", uma "liberdade" tirânica e autoritária, do que a liberdade verdadeira dos movimentos sociais.

Além disso, não existe liberdade do corpo sem a liberdade da alma. E liberdade do corpo não é exibir as formas físicas a qualquer preço. Chega um momento que o corpo precisa se guardar. Mas quem não tem discernimento nem inteligência não quer saber dessa necessidade. O machismo brasileiro é turrão.

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