segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O PRAZER SEXUAL NÃO PRESCINDE A LIBERDADE DE PENSAR


Por Alexandre Figueiredo

A vulgaridade feminina da grande mídia dita "popular" é mantida com o máximo de persistência pelos seus executivos e empresários, sobretudo com o reforço dos dirigentes esportivos e carnavalescos - incluindo os banqueiros do jogo-de-bicho que controlam as escolas de samba - que usam times de futebol e escolas de samba como vitrines para as chamadas "boazudas".

Existem até mesmo ideólogos para defender essas pretensas musas como se elas fossem ícones de um suposto feminismo "moderno" e "alegre". Mas o vazio intelectual dessas moças e a falta de contexto para a exibição gratuita e obsessiva de seus corpos "avantajados" mostra que a coisa não é bem assim como a intelectualidade festiva tanto alardeia.

Mesmo assim, a intelectualidade insiste, porque ela está com o monopólio da visibilidade, e porque as "musas" que tais "cientistas sociais" defendem - mesmo através do proselitismo em ambientes esquerdistas mais vulneráveis - são protegidas pela palavrinha mágica chamada "popular", que protege qualquer aberração relacionada ao entretenimento do povo pobre (mas ditado pelos barões da grande mídia).

E um desses argumentos é que as "musas populares" abusam do "erotismo" - abuso que é conhecido pela mídia através dos termos "sensualizar" ou "mostrar demais" -  porque estariam expressando a "liberdade sexual" e se tornando "militantes" do "livre prazer sexual das mulheres emancipadas".

Típico discurso analógico à "liberdade de expressão" que se vê até mesmo nos salões fechados do Instituto Millenium. Um discurso "progressista" para defender ideias retrógradas, já que as "musas populares" nada têm de feministas, pela incapacidade que elas têm de irem além da exibição corporal, exibição que chega ao ponto da superexposição que anula completamente o sentido da sensualidade verdadeira e da sedução.

A mesma retórica também foi usada para o "funk carioca", atribuindo a pedofilia e a pornografia como se fossem "meios de iniciação sexual" da população das periferias. A "liberdade do prazer sexual" também pega carona nesse simulacro de ativismo, assim como o pseudo-lesbianismo de muitas musas do porte que, para justificar seu celibato contratual, chegam a se beijarem na boca ou posarem ao lado de gays estereotipados.

Só que elas não são capazes de dar entrevistas consistentes ou mesmo de guardar a exibição física em certas ocasiões. Quase todas elas não gostam de usar roupas discretas, e até mesmo no quesito elegância elas já estão sendo mal faladas por especialistas e por articulistas de cadernos de moda da imprensa.

Daí a queda da máscara retórica da intelectualidade festiva, badalada e dominante e seu ativismo de butique. A verdadeira liberdade de prazer sexual não envolve erotismo a qualquer custo, essa "sensualidade na barra" brutalmente imposta e que nada tem de sedutora ou de sensual.

Pelo contrário, não existe liberdade porque é tudo imposto. Se antes havia a castidade forçada, como até hoje existem casos do tipo no Oriente Médio, hoje há o erotismo forçado, como se a sensualidade fosse um fim em si mesmo, e, como fim, tem seu verdadeiro sentido completamente extinto.

As musas ditas "populares" acabam cansando, soando tediosas, chatas, superficiais, alienadas, constrangedoras. Algumas delas já estão a alguns passos para os 40 anos e se "mostram demais" feito periguetes de 18 anos. Não existe semancol e o mercado continua insistindo com elas, achando que os comentários contrários irão se extinguir pelo cansaço.

Nada disso. Quem sentirá o cansaço é a mídia machista mais festiva, aquela que vai além dos comerciais de TV, revista e jornal que depreciam a mulher e vai fundo nas "divertidas" moças que só vivem de "mostrar demais" seus corpos muitas vezes siliconados e anabolizados.

Isso porque as mudanças sociais que ocorrem pelo mundo tendem a exigir da mulher moderna, mesmo aquela oriunda ou teoricamente associada às classes populares, inteligência, discrição, charme, doçura e humildade. Coisas que as "musas populares" não têm, e que por isso fazem elas serem a cada dia menos desejadas e mais duramente criticadas.

A mulher realmente popular e moderna só veste roupas sensuais quando a situação permite. Em outras situações, pode vestir roupas mais discretas, ou mesmo uma camisa abotoada para dentro de uma calça (que pode até ser justa, mas sem a apelação de uma "calça da Gang").

Além disso, o novo tipo de mulher popular é aquela que é capaz também de transmitir boas ideias, falar de outros assuntos além de sexo e cuidados com o corpo. O prazer sexual não é uma obsessão e ele não é pretexto para prescindir a liberdade de pensar, uma liberdade que não requer alienação, mas uma responsabilidade de pensar e agir pela evolução do meio em que se vive.

Além disso, a mulher popular moderna também se carateriza pela humildade, pela doçura, pelo charme, pela simpatia e pelo despretensiosismo, buscando se destacar pela personalidade e não pela imagem de "gostosa a qualquer preço". E também não é recomendável fazer coisas constrangedoras tipo mostrar banheiro masculino.

A mídia machista, como todo derivado da velha grande mídia, tenta resistir a essas mudanças. Protegida pelo rótulo "popular", essa mídia pouco desperta a preocupação dos analistas de esquerda medianos. Mas o comportamento dessa mídia popularesca e machista não difere muito da teimosia de uma Folha ou uma Veja, que também desprezam as mudanças que fazem o mundo girar, mas que são raramente aceitas no Brasil.

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