terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O MUNDO MACHISTA E SUAS DUAS OPÇÕES PARA O SUCESSO FEMININO


Por Alexandre Figueiredo

O machismo brasileiro, resistente e atrelado ao mercado midiático dominante, estabelece dois papéis para a emancipação feminina, criando obstáculos para sua emancipação plena na sociedade brasileira. Embora aparentemente não atue para combater a emancipação das mulheres, estabelece condições restritivas a seu êxito e realização.

A grande mídia censura a pretexto de "defender" aquilo que entende como "liberdade de expressão". Cria mecanismos mercadológicos onde estabelece parâmetros de libertinagem ou de moralismo conforme suas conveniências. E isso também envolve a natureza da mulher, através desses papéis pré-determinados e, portanto, pré-concebidos.

Se a mulher faz questão em ser bem sucedida profissionalmente, ter direito a desenvolver e expressar opiniões, ser capaz de participar dignamente numa conversa de amigos, ela precisa viver sob a "sombra" de seu marido, geralmente alguém que exerça alguma profissão ligada à liderança e prestígio de poder.

Já a mulher que vive de mostrar o corpo para a mídia, enquanto exibe eventualmente sua indigência intelectual e se torna submissa aos mecanismos recreativos da mídia machista, esta é dispensada de se associar a uma aparente companhia masculina.

LÓGICA ANIMALESCA

O que notamos nessas normas machistas é que elas adotam uma lógica animalesca, tratando a mulher como se fosse um animal irracional, para o qual se destinam duas opções: ou o "cativeiro" dentro de uma estrutura familiar conservadora, ou a "liberdade" na "moderna selva" da suposta "cultura popular".

Isso quer dizer que a mídia machista trata uma mulher como uma "cachorra", uma "vira-lata". Se a mulher atinge um nível de intelectualidade e vivência expressivo que a faz não só independente financeiramente mas também capaz de decidir e analisar criticamente o meio em que vive, aos olhos da mídia machista ela atingiu um "pedigree" que a obriga a quase sempre se sujeitar à domesticação ao lado de seus maridos.

Mas se a mulher vive de seus instintos impulsivos, vive tão somente de seus "dotes físicos" e é incapaz de desenvolver ideias próprias ou de expressar com um mínimo de coerência ou lógica sua visão de mundo, a mídia machista "libera" para ela circular "livremente" na "selva popular" do entretenimento mercadológico.

Isso cria problemas sérios para a sociedade em geral. Até mesmo os homens são afetados por essas manobras, na medida em que para se ter uma mulher através de afinidades pessoais, o homem precisa exercer algum cargo profissional de comando.

Caso contrário, o chamado "cara legal" só terá a seu acesso mulheres solitárias que quase nunca possuem afinidades de personalidade com ele. Isso acaba influindo negativamente na dificuldade de formação, nas classes populares, de casais que, sendo afins, pudessem juntos crescerem como seres humanos.

As pressões estéticas e morais atingem mulheres em geral, independente da beleza, idade ou forma física. Sobretudo nas classes populares, onde a estrutura familiar e afetiva torna-se "flexível" não pela natural liberdade que a mídia ignora, mas pela preocupação de que, nas classes populares, uma união conjugal pudesse estimular a solidariedade popular.

Essa preocupação, sobretudo numa estrutura conjugal tradicional de maridos e mulheres, pode resultar num fortalecimento de autoestima que pode gerar rebeliões populares, a partir da conscientização dos problemas e limitações vividos pelas classes populares. Daí o aparente estímulo da mídia machista às mães solteiras nas populações pobres, como se isso fosse uma regra social e não uma circunstância.

CASAIS HETEROSSEXUAIS COMO PRIVILÉGIO DE ELITE

Em vez de ser um direito, a mídia machista tenta definir, para as classes populares, a formação de casais heterossexuais como um defeito. Já não se trata mais da mulher pobre ter um direito de escolher um homem, mas na obrigação de viver sem ele.

Com a imprensa - inclusive a "popular" - trabalhando a imagem dos homens pobres como infiéis, violentos ou idiotas, a mídia machista, na tentativa de evitar a formação de estruturas familiares consolidadas, dentro dos padrões tradicionais do casal heterossexual, já não permite que a mulher seja solteira ou homossexual como alternativa ao casamento heterossexual: a mídia simplesmente a obriga a NÃO TER HOMEM.

A mídia machista só permite a homossexualidade dentro de padrões estereotipados, seja através da festividade clubber de travestis caricatos, seja pelo lesbianismo de fachada que muitas musas "vulgares" tentam ocasionalmente expressar, até como simulacro de liberdade sexual. Ou então permite a formação de casais homoafetivos apenas para dar a falsa impressão de que a grande mídia defende a liberdade sexual.


Mas, para todo efeito, a mídia machista obriga as moças pobres em geral, sejam as "gostosas" ou as "feias", conforme determinam seus estereótipos, a ficarem sozinhas, como se isso fosse a recomendação destas, pouco importando se seus filhos e filhas vivam sem poder conhecer o apoio da figura paterna, apoio que se torna um tabu trabalhado com gosto pela mídia popularesca.

PREJUÍZOS EM AMBOS OS LADOS

A mulher emancipada mais abastada e a mulher das classes populares são prejudicadas pela mídia machista. Nas classes abastadas, a mulher é "aconselhada" a ter sua independência social "patrocinada" por algum marido mais poderoso. Ela pode ter seus momentos de "solteira" saindo sozinha ou com as amigas em certas ocasiões, mas terá que estar vinculada a um marido ligado a um cargo profissional de liderança.

Já a mulher das classes populares é constrangida nos seus desejos amorosos, sem saber se deseja ter um homem de maior status social ou mais modesto, bombardeada por uma campanha esquizofrênica da mídia popularesca que mostra o homem "popular" da pior forma.

Além disso, a mídia dá um jeitinho para "contrabalançar" a emancipação da mulher em ambos os aspectos. Dentro das classes populares sujeitas ao conservadorismo ideológico da "cultura brega" e seu ideal de resignação à inferioridade sócio-cultural imposta pela mídia ao povo pobre, cria-se um falso feminismo em que a solteirice feminina não é mais um direito, mas uma imposição.

Já a moderna mulher independente, capaz de desenvolver e transmitir ideias, falar sobre política, comportamento e outros ramos do conhecimento, esta precisa estar "aprisionada" numa estrutura familiar conservadora, vinculada a uma relação marital que não necessariamente é exercida por amor, mas pelas conveniências sociais "mais espontâneas", como o fato de estarem num mesmo ambiente sócio-profissional.

Em ambos os casos, o machismo busca perpetuar seus valores dando a falsa impressão de que "mudou com o tempo". Mas a mulher em geral acaba sempre encontrando limitações dentro dessa ideologia que não deixa de mostrar seus aspectos nocivos.

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