quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O CONTRASTE ENTRE AS MUSAS DA CLASSE MÉDIA E AS "POPULARES"


Por Alexandre Figueiredo

Entre as musas associadas ao público de classe média, que inclui jornalistas, atrizes e modelos, e as chamadas "musas populares", existe uma contradição muito gritante, alimentada sobretudo pela mídia machista que ainda quer se manter firme no mercado.

É só observar a vida amorosa da maior parte das jornalistas, atrizes e modelos mais prestigiadas na mídia e as chamadas "popozudas" - inclusive veteranas oriundas da Banheira do Gugu, o intragável quadro do Domingo Legal de Gugu Liberato no SBT, nos anos 90 - , para ver o quanto de absurdo existe nas ditas "musas populares".

Note-se que quase todas as jornalistas, atrizes e modelos são casadas, ou vivem uma relação de namoro firme. Ou, quando muito, engatam uma nova relação depois que terminam uma. Só para dar um exemplo, de cada dez atrizes de televisão mais influentes, apenas duas são capazes de ficarem sem namorar durante um bom tempo.

Já nas chamadas "popozudas", a situação é diferente. Ainda ocorrem casos de paqueras bastante promissoras que simplesmente se dissolvem sem dar em namoro. Até aí, nada demais, mas é muito comum desculpas dadas pelas moças, do tipo: "Fulano é tudo de bom. Ele é um gato, é o cara dos sonhos, mas simplesmente não deu. Somos apenas grandes amigos".

Há a desculpa do "trabalho", como se "sensualizar" - essa é a palavra da moda - fosse algo muito importante para fazer. E o pior é que essas mulheres, tidas como "as mais desejadas", acabam se tornando as menos desejadas, até porque acabam não mostrando que tipo de homem que elas querem, o que muitas vezes desaponta até mesmo seus próprios fãs.

Afinal, elas se envergonham em se casar com empresários de prestígio. Se desiludiram em namorar homens dotados apenas de porte físico. Mas não podem namorar homens mais modestos, num meio termo entre o pé-rapado e o bem-de-vida, porque eles não as querem. Os nerds, então, nem estão aí para elas.

Mas há também a pressão profissional de um mercado machista que precisa que elas trabalhem sua imagem de "símbolos sexuais". Daí a expressão "sensualizar", que foi jogada na mídia como o jargão do momento, como última cartada para vender as mulheres-objetos, cada vez mais decadentes.

NÃO HÁ COBRANÇA DE ARRUMAR MARIDO; HÁ A DE MANTER O CELIBATO

A mídia machista tenta dar a impressão de que as "musas populares" são "livres para decidir o que quiser", o que é um equívoco, porque elas estão a serviço desse machismo lúdico. E as supostas cobranças para elas terem namorados ou maridos - que, aparentemente, irrita várias delas - simplesmente não existem. O que há, portanto, é a cobrança de celibato, a proibição delas arrumarem namorados ou até se casarem.

Várias dessas "musas" acabam escondendo relações conjugais em nome do "trabalho". Várias funqueiras precisam se passar por "solteiras" e seus maridos são indenizados pelos empresários delas e encaminhados para bem longe, vivendo no interior.

Numa comparação aproximada, as funqueiras vivem de forma não-assumida um tipo de relação que a atriz Totia Meirelles, do elenco da novela da Rede Globo, Salve Jorge, vive de forma bastante assumida com seu marido, o médico Jaime Rabacov. Ele vive em sua fazenda, enquanto Totia precisa viver no Rio de Janeiro por conta dos intensos compromissos de gravação.

Há também dançarinas de pagode que evitam mostrar namorados para não "arranhar" a carreira. Eles são reduzidos a "meros amiguinhos" que passeiam com elas na rua, até porque eles é que mais necessitam de privacidade e suas namoradas precisam "sensualizar" sem a sombra de seus pares.

R7 DENUNCIOU "MUSAS" OPORTUNISTAS

Há poucos dias, o portal R7 mostrou uma reportagem denunciando várias "musas" que teriam se aproveitado dos breves namoros - com exceção de outros que continuam durando - para alimentar suas famas às custas deles.

São moças que não têm o que dizer, mas que acabam usufruindo da fama sem motivo, sobretudo aquelas que se aproveitam de relações-relâmpago ou de rumores de namoros que nunca aconteceram. E elas acabam engrossando o já saturado "time" das moças que "mostram demais", ou melhor, que "sensualizam".

Essa prática de moças mostrarem seus dotes físicos sem fazer qualquer outra coisa acaba criando problemas, como a suposta reputação de "garotas de programa" que irritou várias paniquetes e ex-paniquetes.

Com essa reputação, Nicole Bahls, que desmentiu a acusação ameaçando processar os acusadores, teve que ser liberada para namorar, e ela reatou o namoro com o jogador Victor Ramos, mas a relação, até o fechamento deste texto, voltou a se encerrar.

Em 2011, a ex-dançarina do É O Tchan, Scheila Carvalho, havia anunciado a comemoração dos dez anos de casamento com o cantor do grupo baiano Raghatoni, o também ex-É O Tchan Tony Salles. No entanto, a dançarina só havia assumido a relação em 2006, enquanto várias publicações da imprensa anteriores a essa data chegaram a definir Scheila como "solteiríssima".

Quando as cobranças tornam-se sérias, as musas popularescas acabam optando para assumir a vida amorosa. Contraditoriamente, as relações-relâmpagos e as paqueras que deram em nada acabam frustrando os fãs, na medida em que a recusa da vida amorosa reflete, publicitariamente, na falta de um parceiro como referencial de sucesso dessas "musas".

Assim, os homens do "povão" não podem sonhar com elas. Afinal, elas não sabem que homens querem. E, quando comparadas com atrizes, modelos e jornalistas, elas acabam ficando em desvantagem, com seus corpos "turbinados" e sua "sensualização" na mídia que as faz sem graça, se comparado com atrizes, modelos e jornalistas que, independente do plano ideológico, têm algo a dizer na mídia.

A mídia machista marca mais um ponto negativo, tentando promover o celibato das "musas populares" num país onde é muito fácil as mulheres mais influentes se realizarem na vida amorosa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...