quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

IMPOSSÍVEL JUNTAR DOIS POLOS OPOSTOS DA MÚSICA BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade dominante no Brasil fez o que pode, com o apoio do mercado dito "independente" e das rádios ditas "alternativas", mas todos integrados ao comercialismo mais rasteiro. No entanto, foi impossível juntar os alhos e os bugalhos da música brasileira, apesar do esforço mais sofisticado.

Juntar os "malditos" da MPB e os bregas mais rasteiros chegou a ser feito com a base retórica de que a vaia que uns e outros recebiam era o ponto comum, assim como o aparente ato de "levar pau da crítica". Antropólogos, historiadores, sociólogos, críticos musicais e outros acadêmicos tentaram defender essa tese, como se bastasse ser rejeitado para ser "genial".

Não é. Vemos no lado dos "malditos" da MPB um elemento que vai além de qualquer vaia. Afinal, eles eram vaiados não por acaso, mas por expressar e explorar linguagens musicais inusitadas, que nem sempre agradavam à primeira audição. Eu mesmo não ia com a cara de Itamar Assumpção, na adolescência, mas hoje reconheço seu mérito inegável de um pós-tropicalista corajoso que ele foi.

Mas os bregas também "não agradaram" com seu som. Só que eles são o extremo oposto. A rejeição que eles recebem tem muito pouco a ver, praticamente nada a ver, com exploração de linguagens, mas com a mediocridade que eles expressam claramente sob os diversos aspectos.

E até que os bregas não são rejeitados assim como diz a intelectualidade. O problema é que eles fazem sucesso estrondoso e, depois, somem. Sua música é descartável. Artisticamente, são constrangedores. Em postura ideológica, são comerciais e conservadores. Não há como enquadrá-los em qualquer vanguarda cultural, por mais que a intelectualidade insista.

A MPB "maldita" é vanguarda, porque olha para a frente e explora linguagens novas, arriscam um possível pioneirismo ou audácia artísticos que representam novas expressões artísticas, nem sempre compreendidas quando lançadas.

Já os bregas são retaguarda, porque olha para trás e explora linguagens velhas, já perecidas, não medem mais contextos sócio-culturais e fazem uma expressão musical requentada, que incomoda por parecer velha, mofada, ridícula, caricata.

Portanto, a campanha intelectual que durante anos queria inserir os bregas na vanguarda da MPB tornou-se completamente inútil e sem efeito. Chegou-se até aos tributos em CD e MP3 de ídolos bregas passados, mas isso não convenceu.

Toda essa campanha foi apenas uma malandragem para relançar ídolos bregas ao estrelato, a pretexto de "arrumarem um lugar nobre" para eles na MPB. Só serviu para animar o mercado e a indústria fonográfica, que essa intelectualidade julgou "mortos" mas que andam mais vivos do que nunca.

E assim, muitas monografias, documentários, reportagens e outros recursos feitos para defender os ídolos bregas e derivados não passou de mera "lorota de pescador" contada "com categoria".

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