sábado, 12 de janeiro de 2013

FOMOS TAPEADOS POR INTELECTUAIS DITOS "SEM PRECONCEITOS"

O "SEMIDEUS" DA INTELLIGENTZIA BRASILEIRA, PAULO CÉSAR ARAÚJO: ELE MESMO UM PRETENSO "COITADO", TAL QUAL SEUS ÍDOLOS DA MÚSICA BREGA.

Por Alexandre Figueiredo

Todos nós fomos lesados e tapeados por uma intelectualidade dominante que ludibriou até mesmo as esquerdas médias, que, autoproclamada "sem preconceitos", mostrou seus preconceitos de classe, preferindo, com suas argumentações cheias de contradições e bastante confusas, defender o mercadão popularesco e seus "coitadinhos" do que lutar por uma cultura brasileira de qualidade.

Paulo César Araújo, Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Mônica Neves Leme, Bia Abramo, Milton Moura, Roberto Albergaria, Ronaldo Lemos. Nomes conhecidos e bastante questionados por aqui, mas ainda vistos pelas esquerdas medianas como "pensadores insuspeitos" e pretensas unanimidades, com um status de pretensa superioridade intelectual que assusta pelo seu lobby tão poderoso.

Todos eles expressam preconceitos de classe, afinal eles são formados em uma elite conservadora, para a qual a cultura de qualidade só pode ser um privilégio das elites mais ilustradas. Eles tentam usar argumentos dos mais confusos, mas altamente sedutores, para defender seus pontos de vista que não diferem muito de qualquer membro do Instituto Millenium ou dos escritórios dos barões da grande mídia.

"Sem preconceitos", eles são preconceituosos. "Anti-elitistas", eles expressam seu elitismo doentio. "Contrários ao higienismo", eles defendem o higienismo ideológico da "cultura" brega. Tentam diferir de seus pares da mídia reacionária às custas de um discurso "positivo" que no entanto até Nelson Motta e Gilberto Dimenstein são capazes de fazer.

Por exemplo, Bia Abramo havia expressado sua "preocupação" com o "horror moralista" contra a ascensão de ídolos brega-popularescos para redutos antes reservados à MPB autêntica e acabou manifestando seu horror moralista quando viu as profissionais de Enfermagem reagirem legalmente contra sua exploração jocosa pelas "musas" funqueiras, o que mostra a "inclinação" desses intelectuais com os movimentos sociais.

Durante anos, esses intelectuais se ascenderam defendendo o brega-popularesco como se fosse uma "cultura de injustiçados", de pretensos coitadinhos, que contrariam seu sucesso comercial com uma postura de falsas vítimas, com o intuito apenas de atingir demandas de mercado que só a MPB autêntica consegue atingir com naturalidade.

INTELECTUALIDADE "SOROS-POSITIVA"

São intelectuais que, mesmo de forma indireta, receberam "mesada" de instituições do neoliberalismo como a Fundação Ford, Fundação Rockefeller e, principalmente, a Soros Open Society, em muitos casos através de instituições acadêmicas brasileiras que recebem esses recursos.

Desse modo, um Paulo César Araújo vai para a grande imprensa fazer sua choradeira, dizendo que nunca recebeu um investimento público para escrever a monografia da UFF que resultou no livro Eu Não Sou Cachorro, Não,  mas havia recebido, para sua tese, investimentos que teriam vindo da Fundação Ford, assim como no caso de Mônica Neves Leme, no que diz à sua tese financiada pela CAPES para a UFSC.

Desse modo, para defender o brega dos anos 70, da parte de Paulo César Araújo, e o É O Tchan, da parte de Mônica Leme, os dois evitaram citar, em seus livros resultantes (o de Mônica se intitula Que Tchan é Esse? e foi lançado em 2003, dois anos após o primeiro livro de Araújo), o crédito da Fundação Ford assumido por Hermano Vianna e Ronaldo Lemos em seus trabalhos.

Todavia, pesquisando a Internet, dá para perceber que, nessa defesa de uma pseudo-cultura comercial defendida pelos barões da mídia, Mônica e Paulo receberam recursos da Fundação Ford repassados pelas instituições claramente patrocinadas por essa instituição, como a Universidade Federal Fluminense e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

MC LEONARDO PENSA IGUAL À MÍDIA DIREITISTA

Essa intelectualidade também estaria sendo patrocinada pela Soros Open Society, por conta de suas visões sobre o que demonstra ser uma tradução neoliberal dos movimentos sociais, da cultura alternativa e do mercado independente. Sobretudo às custas da degradação das relações do trabalho e da apropriação empresarial do mercado informal e dos novos meios de expressão digital.

Se seus pontos de vista tentam ainda serem difundidos na mídia esquerdista, eles em nenhum momento se mostraram contrários aos pontos de vista já difundidos pela mídia direitista. Pelo contrário, os ataques que nomes como Pedro Alexandre Sanches fizeram à mídia direitista soaram forçados e falsos, assim como a bajulação a ícones esquerdistas ou o uso tendencioso de jargões como "presidenta" e "reforma agrária no ar".

De carona, essa intelectualidade conta também com os "serviços" do dirigente funqueiro MC Leonardo e seu jogo duplo midiático, escrevendo tanto para o jornal Expresso, tabloide popularesco das Organizações Globo, quanto para a Caros Amigos, nos seus últimos desesperos de fazer proselitismo para o público esquerdista aceitar as barbaridades do "funk carioca".

Mas MC Leonardo adota posturas não muito diferentes do que Gilberto Dimenstein e Nelson Motta já escreveram sobre o ritmo. Até mesmo seu protetor, o cineasta José Padilha, é ligado ao Instituto Millenium. E mesmo seus apelos para o apoio das esquerdas soam muito forçados e falsos.

Afinal, MC Leonardo segue os mesmos procedimentos que vemos em Fernando Henrique Cardoso e até pelos articulistas mais reacionários da revista Veja, quando eles falam sobre o que querem das esquerdas, defendendo que elas sejam subservientes às leis do mercado e do poder político e midiático.

Mas até Pedro Alexandre Sanches prega uma esquerda "obediente", que não faça críticas ao "estabelecido" pelo mercado, antes "aconselhada" a relativizar a degradação sócio-cultural como se isso fosse um processo natural da sociedade. Através disso, a cultura brasileira "desceu ao povo" bem mais do que se supunha em certas posturas do antigo CPC da UNE criticadas nos últimos 30 anos.

PROCESSO INÚTIL

Só que isso em nada contribuiu para a evolução da cultura brasileira. O que houve é uma cosmética de projetos "sociais" que, no cinema, nas artes plásticas e na literatura, glamourizaram a pobreza no Brasil, chegando a promover as favelas, mesmo os barracos condenados pela Defesa Civil, como se fossem "arquitetura pós-moderna".

A pregação que se fez na mídia esquerdista - sobretudo pelo lobby que Paulo César Araújo e Pedro Alexandre Sanches possuem nos meios acadêmicos - em nenhum momento representou um diferencial para as visões apresentadas pela mídia reacionária. Pelo contrário, tais visões demonstraram ser exatamente as mesmas, e defendidas até mesmo pelos piores articulistas da grande imprensa.

Na música brasileira, o tão sonhado pós-Tropicalismo de 1967-1980 não se refletiu nos ídolos brega-popularescos "mais arrumadinhos", como os neo-bregas da "geração 90" (Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e derivados), porque eles, como produtos de mídia, são capazes de copiar tendências, mas não de segui-las com natural criatividade. Eles são meros entertainers, crias da TV, não artistas verdadeiros.

Seria como obrigássemos um robô a pensar questões filosóficas. Afinal, a utopia de se juntar ídolos vendáveis com algum resgate de tendências artísticas saudosas não deu certo, porque simplesmente esses ídolos só conseguem imitar clichês de tais tendências e de seus artistas principais, mas não de fazer frente a eles como verdadeiros criadores de linguagens musicais realmente relevantes.

Por isso, concluímos que passamos dez anos sendo tapeados por intelectuais "sem preconceitos", mas muito, muito preconceituosos. E eles, em vez de serem, de fato, os estudiosos da cultura das classes populares que dizem ser, acabaram demonstrando ser apenas expressões de uma elite sócio-cultural que interessa que o povo pobre permaneça culturalmente inferiorizado.

Para esses intelectuais, está tudo bem com a mediocridade cultural, porque ela rende muito dinheiro, aquece o mercado e garante o sistema de alianças entre a mídia e o mercado e os meios acadêmicos que dela dependem para garantir a viabilidade financeira e a visibilidade, assegurando, assim, muita grana e muita fama para esses pretensos "pensadores" da cultura popular.

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