segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

CHOPPADA BREGANEJA E A RELAÇÃO ENTRE BREGA E ÁLCOOL


Por Alexandre Figueiredo

Não é recente a relação entre brega e alcoolismo, pois a história do brega, desde o fim dos anos 60, já evocava um cenário em que a "qualidade de vida" do povo das periferias era composta pelo comércio clandestino, pela prostituição das jovens, pelo "recreio" alcoólico dos homens, inclusive idosos, nas mesas de bar.

De Reginaldo Rossi - um dos poucos ídolos bregas que não se atreve a se levar a sério demais tipo os "coitados" Odair José e Amado Batista -  a Fernando & Sorocaba, passando pela axé-music, breganejo, forró-brega, "funk carioca" e outros, a relação entre brega e bebedeira é uma espécie de "casamento feliz" que movimenta o mercado da música popularesca.

Durante muito tempo era essa a "saudável sina" que intelectuais dotados de muita visibilidade desejavam para o povo pobre. Eles mesmos também são afeitos à bebedeira, fora de suas rotinas de trabalho. E o brega-popularesco tornou-se uma indústria na qual as indústrias de cerveja se tornam patrocinadoras certeiras e influentes.

O caso do breganejo é ilustrativo, assim como o forró-brega. Pois os ditos "sertanejo" e "forró eletrônico", não bastasse serem estilos brega-popularescos que, como todos os outros, se sustentam pelo consumismo de cerveja e outras bebidas alcoólicas, interpretam músicas que exaltam a bebedeira.

O grupo Garota Safada, através do sucesso "Vou Zuar e Beber" - que ainda por cima sugere uma defesa implícita do alcoolismo no volante, contrariando o Código Nacional de Trânsito - , e Fernando & Sorocaba, do sucesso "É Tenso (Eu Bebo Mesmo)", são ilustrativos na defesa aberta da bebedeira, complementando também a campanha ideológica da axé-music.

Na axé-music, o que existe é uma pregação ideológica do "estilo de vida" do jovem "folião", que pula ao som da repetitiva e antiquada axé-music, sobretudo com seus falsos frevos denominados "galopes", tomando cerveja com muita frequência. Há até um bloco chamado Cerveja & Cia.. Há canções que falem em bebedeira num e noutro momento, mas isso ainda não se tornou explícito no gênero, pelo menos por enquanto.

Mas nada impede que todo o brega-popularesco aja assim. A "parceria" com fabricantes de cerveja é notória, porque ambos fortalecem o sucesso de um e de outro, numa relação mútua de comércio e visibilidade publicitária e ideológica.

Só que o breganejo e o forró-brega é que estão levando isso às últimas consequências. E existem até mesmo dois trabalhos de pós-graduação, o mestrado da estudante de Letras Mariana Lioto, 25 anos, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e o da especialização em Dependência Química de Francismari Barbin, 37, aluna da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo as pesquisas, o tema da bebedeira é recorrente, e 85% das 48 duplas "sertanejas" pesquisadas por Mariana Lioto citam de alguma forma a bebedeira em suas letras. Apenas sete duplas não abordaram o tema em sua carreira.

Sabe-se que mesmo as "sofisticadas" duplas breganejas do início dos anos 90 - que surgiram como parte da onda neo-brega puxada pela Era Collor e reforçada pela Era FHC - , como Leandro & Leonardo, tiveram como sucesso a música "Cerveja", que a dupla cantou no programa Amigos, da Rede Globo, junto a Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano.

A bebedeira acaba impulsionando o consumismo que já é muito intenso. Em toda parte do Brasil, bares tocam DVDs de ídolos brega-popularescos enquanto seus fregueses consomem altas doses de álcool, principalmente a "lourinha gelada". E isso já causa muitos vícios, atingindo jovens e até mesmo menores de idade, diante dessa farra viciada que não possui serventia sócio-cultural.

O pior é que a bebedeira encontra associação com garotas, turmas de amigos, festas, fins de semana, feriados e todo tipo de lazer e diversão associado ao universo brega-popularesco empurrado até mesmo para plateias de maior poder aquisitivo cobiçadas pelo "sertanejo universitário".

E tudo isso pode causar danos sociais sérios, devido à dependência da bebida. A trilha sonora já não é das melhores, a pessoa já bebe até cair e acha isso bom. Passarão os anos e isso só vai trazer doenças e abreviar o tempo de vida.

Enquanto isso, o brega-popularesco, e a Música de Cabresto Brasileira em especial, não bastasse as alianças que exercem com os barões da grande mídia e as grandes empresas, reforçam a fama e a riqueza de seus ídolos e empresários com essa "parceria" com os fabricantes de cerveja, talvez o único setor que nunca entra em crise econômica no Brasil.

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