terça-feira, 8 de janeiro de 2013

BIG BROTHER BRASIL: MEDIOCRIDADE ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS


Por Alexandre Figueiredo

Hoje, mais uma vez, começa o Big Brother Brasil e seu festival de futilidades, de mediocridade levada até às últimas consequências. Isso mostra o quanto o Brasil perde tempo com coisas supérfluas, outras de gosto duvidoso, e outras até ruins, mas vistas como se fossem boas.

A ditadura midiática afetou de forma tão intensa a população brasileira que nossa cultura está se degradando sob todos os aspectos, do radialismo rock às musas sensuais. A mídia tornou-se "senhora" da vontade popular, manipulando o inconsciente coletivo, a ponto de até mesmo decidir que gírias os brasileiros devem adotar (como a gíria "balada", de Luciano Huck).

No exterior, até temos a indústria de reality shows, mas elas tornam-se alvos de críticas de intelectuais que não têm medo de afrontar o estabelecido, da mesma forma que as verbas públicas para pesquisas acadêmicas não intimidam essa veia crítica, mesmo quando ela ameaça totens consagrados pelos meios de comunicação.

Aqui, porém, as verbas públicas para pesquisas acadêmicas intimidam o pensamento questionativo. Se Umberto Eco e Noam Chomsky fossem brasileiros, eles seriam barrados na pós-graduação já no momento de inscrição para o mestrado.

Questionar o estabelecido, por parte de mestrandos, além de arranhar vaidades comuns na cúpula docente das universidades, ameaça a natureza dos investimentos financeiros, nem sempre públicos, alguns privados e de origem "alienígena" (Fundação Ford, Soros Open Society etc), que podem ser cortados se não seguirem a agenda domesticada que aqui se impõe às pesquisas acadêmicas, monografias etc.

A onda de críticas à mediocridade cultural pela intelectualidade no final dos anos 90 gerou muito prejuízo ao mercado que investia nessa mediocridade. Levou musas para o ostracismo, quase pôs à falência ídolos brega-popularescos e quase tirou da mídia personalidades ligadas ao sensacionalismo "mundo cão".

Daí o surgimento de uma outra intelectualidade, mais apologista e obediente, a partir de Paulo César Araújo, elevado a "semideus" num país onde até mesmo uma caricatura de rádio de rock como a UOL 89 FM é vista como a "salvação da lavoura". Um país que glorifica Wagner Montes, Luciano Huck, Fernando Collor e outros e mostrar ser medíocre por natureza.

Isso porque, infelizmente, desde o golpe de 1964 se desenhou essa tendência da mediocridade. E ela cresceu, sobretudo nos anos 90, tempos de ditadura midiática voraz, que domesticou os brasileiros e quase sufoca nossas melhores expressões culturais.

E agora, com mais um Big Brother Brasil - agora com um elenco exclusivamente jovem - na televisão, a velha grande mídia tenta promovê-lo como se fosse um "grande acontecimento", quando se observa que será o mesmo processo de imbecilização, de futilidade e outros aspectos da vida tediosa e vazia de um "big brother".

A partir daí, virão sub-celebridades, destinadas a ir tão somente a noitadas, além de frequentar os eventos brega-popularescos que já não conseguem mais convencer a população quando tenta alugar atores e atrizes da moda para frequentar seus camarotes e se passarem por "fãs" das aberrações musicais que dominam a mídia.

Virão também as moças a engrossar o circo machista das "boazudas", forçadas a abandonar namorados e noivos e alternar entre namoros-relâmpagos ou paqueras altamente promissoras que vão dar em nada. E que se limitarão a "mostrar demais" nas praias, nos banheiros, nos aeroportos etc etc etc.

Enquanto isso, não se discute a regulação da mídia, até porque é um processo muito mal compreendido. Os esforços de Venício Artur de Lima, Fábio Konder Comparato, Laurindo Leal Filho e outros poucos dedicados não se refletem no real apoio a suas causas, nem na concretização de seus ideais, havendo o risco da defesa da Lei dos Meios brasileira se limitar à letra morta.

O programa até está decadente, mas o lobby dos anunciantes e da velha grande mídia tenta ainda supervalorizar o BBB. A crise da educação e o poder midiático tornaram-se cruciais para impor aos brasileiros suas falsas necessidades, para mantê-los no consumismo e no conformismo, e na apreciação de bobagens sem sentido. O capitalismo agradece.

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