segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A INSENSIBILIDADE E A IMPRUDÊNCIA DO PMDB CARIOCA


Por Alexandre Figueiredo

O recente episódio da revolta indígena contra a ação policial de despejo no entorno do antigo Museu do Índio, no Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, mostra o caráter de insensibilidade e imprudência que o principal grupo político do PMDB carioca, comandado pelo governador fluminense Sérgio Cabral Filho e pelo prefeito carioca Eduardo Paes, agem para defender seus interesses.

O governador Cabral Filho fez questão de demolir o lugar, onde mais de 15 tribos indígenas se encontravam acampadas, na tentativa de salvar o antigo Museu do Índio, desativado desde 1979. No último sábado, a ação de despejo gerou um conflito que durou nove horas, por causa da revolta dos índigenas contra a presença policial, que durou até as 19:30 h.

Segundo o defensor Daniel Macedo, autor de uma ação judicial contra a demolição, a ação policial foi precipitada, já que o governo do Rio de Janeiro não fez o pedido de imissão de posse do lugar - só hoje decidiu fazer o pedido - e, portanto, ainda não há uma decisão judicial sobre a demolição ou o cancelamento da mesma.

Para piorar, contrariando o que Cabral Filho havia tentado argumentar, a Fifa não autorizou a demolição do local e enviou um comunicado afirmando que a preservação do antigo Museu do Índio e de seu entorno - onde ficam as tribos indígenas residentes - está de acordo com as exigências da federação esportiva para o desenvolvimento turístico e urbanístico das cidades escolhidas para sede da Copa de 2014 no Brasil.

Isso mostra a imprudência e a insensibilidade que Cabral Filho e, por conseguinte, Paes, que não observam limites legais nem o interesse público na hora de imporem suas decisões. No mais típico estilo "primeiro atirar para depois perguntar", eles só "cedem ao debate" depois que cometem seus erros.

Eduardo Paes impôs a ridícula, decadente e nada funcional padronização visual das empresas de ônibus cariocas, dentro de um "pacote" de medidas que só está fazendo piorar o sistema de ônibus. Em passeios pelos vários cantos do Rio, os ônibus municipais soam velhos e os acidentes cresceram de forma assustadora, causando uma média de 20 feridos por ocorrência. Mas há até mortos em alguns deles.

As empresas não podem apresentar sua imagem para o público saber a natureza do seu serviço. Enquanto isso, nada adiantou a prefeitura "comprar" o apoio da população comprando ônibus de piso baixo, já que os mesmos são afetados pela deterioração geral que está o sistema de ônibus. Eu mesmo peguei, na Barra da Tijuca, um ônibus de piso baixo cuja porta de desembarque estava enguiçada.

Paes fez tudo isso numa "votação" às escuras, sem consulta popular, apenas para formalizar em artifícios legais seus interesses particulares. E não bastasse ele ter assinado a sentença de morte do sistema de ônibus do Rio, que deixou de ser referência do que era de bom e passou a ser exemplo do que existe de pior no país, ele ainda sonha em transformar um expressivo trecho da Av. Rio Branco em calçadão.

Estudos mostram que a transformação desse trecho - entre a Av. Pres. Vargas e o Aterro do Flamengo - , além de provocar o prejuízo do comércio, aumentará a insegurança no local, além de fazer piorar os congestionamentos que já ocorrem no centro carioca, sobrecarregando outras vias.

O único acerto da administração Eduardo Paes é a demolição do Viaduto da Perimetral condicionado por abertura de novas avenidas na Zona Portuária. Apesar de polêmica, a demolição, neste caso, irá acabar com uma região abandonada e reduto de assaltantes e drogados, dando um novo aspecto e uma futura serventia social para a área.

Mas, fora isso, Paes e Cabral Filho parecem governar para os turistas de Barcelona. Sua sensibilidade ao interesse público é nula, o que eles falam em nome desse interesse é discurso de palanque ou promessa de escritório. E o caso dos índios do Maracanã - por sinal um nome de origem indígena, ligado a um tipo de papagaio - , desalojados de suas áreas sem saber para onde vão.

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