sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A GRANDE MÍDIA EMBURRECEU A JUVENTUDE BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia emburreceu a juventude no Brasil. Evidentemente, existem exceções honráveis e admiráveis, mas a maior parte dos jovens brasileiros é tomada de algum grau de alienação cultural, desinformação e até estupidez. Uns por boa fé, não por culpa sua, outros no entanto cúmplices de sua própria estupidez.

Na década de 80 e 90, a grande mídia brasileira passou por uma degradação generalizada. Não apenas as emissoras de televisão, revistas e jornais, mas também por emissoras de rádio que acabaram deformando os gostos culturais não apenas das pessoas mais pobres, mas mesmo muitos jovens de classes mais abastadas ou mesmo que depois obtiveram formação universitária.

O problema é subestimado até mesmo por nossa intelectualidade, deslumbrada com o maquinário das "novas mídias" - nome dado às novidades tecnológicas da Eletrônica e da Informática - , acreditando que as novas tecnologias vão, por si só, impulsionar as revoluções sociais no Brasil e no mundo.

Isso não ocorreu apenas porque as "novas mídias" em si são apenas uma tecnologia material que não substitui as mentes humanas, essas sim capazes ou não de promover mudanças sociais. Mas mesmo as empresas ligadas à Informática, como portais de Internet, fabricantes de computadores ou produtores de sistemas de hardware demonstraram serem tão conservadoras quanto qualquer empresa.

CONCESSÕES DE RÁDIO E TV: PROBLEMAS SUBESTIMADOS

Mesmo os analistas da grande mídia subestimam a gravidade dos problemas causados pelas concessões de rádio e TV feitas por José Sarney, então presidente da República, e Antônio Carlos Magalhães, seu ministro das Comunicações, há mais de 25 anos atrás.

Há um vício na maioria das análises em ver a politicagem apenas pelo aspecto político mais pragmático. Da mesma forma, também é vicioso ver que a manipulação midiática se dá pelo noticiário político, mesmo quando o "povão" nem conhece quem são Merval Pereira e Reinaldo Azevedo.

Afinal, o aspecto mais danoso se deu através das emissoras de rádio, sobretudo FM, que a memória curta permite ignorar até mesmo seu controle acionário. O que o rádio FM fez na cultura brasileira entre 1987 e 2012 foi algo extremamente desastroso, contribuindo para a imbecilização coletiva cuja glamourização não torna as emissoras impunes nem imunes à análise midiática.

Oficialmente, as FMs são vistas como se fossem "independentes", como se seus donos fossem entes invisíveis e inofensivos. Pouco importa se seus donos são ligados ao latifúndio ou ao conservadorismo político mais cafajeste. As rádios tentam ser promovidas, pela intelectualidade dominante, como se fossem "vinculadas à sociedade", escondendo seus piores equívocos.

É algo semelhante ao de ocultar os barões da grande imprensa creditando seus veículos a tão somente seus funcionários. Ou algo parecido com o de, no período escravista, usasse as senzalas como supostas imagens das casas grandes, ocultando os senhores de engenhos e seus familiares da observação pública.

DANOS TERRÍVEIS

A imbecilização cultural promovida pelas emissoras FM, pela TV aberta e pela imprensa, sobretudo na década obscurantista de 1990, época do apogeu da ditadura midiática, se deu às custas de toda uma difusão maciça de tendências brega-popularescas, de um humorismo sem graça mas com muitas baixarias, de novelas que adotavam padrões duvidosos de comportamento, entre tantas outras coisas.

Chegou-se ao ponto de um único apresentador, Luciano Huck, ter tido o poder de popularizar uma gíria sem pé nem cabeça, "balada", garantindo seu poder de influência até em parte de seus detratores. E mesmo Xuxa Meneghel conseguiu difundir os valores ideológicos que a grande mídia impôs para os jovens brasileiros apreciarem.

São danos terríveis, dos quais a desinformação e até mesmo o reacionarismo são alguns dos efeitos causados. A mediocrização cultural generalizada, que faz os jovens adotarem referenciais culturais duvidosos e a aceitar projetos políticos autoritários. E a trolagem tornou-se um fenômeno lamentável na Internet, com os jovens brasileiros exibindo reacionarismo em prol do "estabelecido".

Além do péssimo gosto musical, do apego a futilidades como o programa Big Brother Brasil e outros "riélites", da memória curta e da valorização excessiva da cultura de massa, os jovens desconhecem o passado mais remoto ou, quando o conhecem, o veem de forma distorcida, como achar que o cinema mais antigo de Hollywood é "vanguardista" e a disco music é "sofisticada".

Essa juventude recebeu a UOL 89 FM, um pastiche de rádio de rock com um forte ranço mental de FM de pop dançante, como se fosse "a maior rádio rock do mundo". Pura desinformação que mostra o quanto essa juventude se formou no cativeiro da mídia dos anos 80 e 90, cujos "heróis" vão do palhaço Bozo às dançarinas do É O Tchan.

São pessoas que não conhecem a MPB, não sabem o que é o teatro brasileiro, o cinema brasileiro, as artes plásticas de nosso país. E têm dificuldade de conhecer as culturas internacionais, mal sabendo ver a diferença entre Jean-Luc Godard e Steven Spielberg.

São jovens tomados da mais séria desinformação, que as faculdades não conseguem resolver. São "filhos" da crise na Educação brasileira, sobretudo durante a ditadura militar mas também nos primeiros anos da redemocratização, crise que "completou o serviço" feito pela ditadura midiática e sua degradação feroz.

Não cabem relativismos intelectualoides de críticos musicais badalados e cientistas sociais festivos. A crise existe e cabe questioná-la, sim, sem que tenhamos que tapar o Sol com as peneiras pós-modernas para tingirmos a mediocrização cultural como se fosse uma "modernidade que não entendemos".

Deixemos as palhaçadas intelectualoides de lado, mesmo aquelas reunidas em documentários, reportagens e monografias. Convém analisar a crise cultural que vive o Brasil, que infantiliza nossos jovens, que hoje são apenas desinformados crédulos, apegados na mesmice degradada de mais de 20 anos. Mas no futuro eles exercerão o poder da pior forma, confundindo prepotência com democracia, paternalismo com cidadania.

O debate midiático deveria, por outro lado, sair do mero pragmatismo dos noticiários políticos, para encarar problemas que atingem diretamente a sociedade brasileira. Os analistas deveriam perder o medo e analisá-las em todos os aspectos, sem temer desafiar totens sacramentados pela intelectualidade dominante.

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