terça-feira, 8 de janeiro de 2013

89 FM E BIG BROTHER BRASIL: RETRATOS FIÉIS DE UM PAÍS MEDÍOCRE


Por Alexandre Figueiredo

A repercussão da volta da dita "rádio rock" 89 FM e do Big Brother Brasil 13 mostram o quanto o Brasil é tomado de tanta mediocridade. De repente, tudo que era ruim ou mais ou menos passou a ser "genial" só que está na moda ou marcou a adolescência e a infância de alguém.

São fenômenos assustadores, que mostram o quanto a ditadura midiática usa a cultura para manter-se no poder. E quem acha que a atual UOL 89 FM não tem a ver com a mediocridade ou é um "oásis de inteligência" num mar de coisas medíocres, está seriamente enganado.

A UOL 89 FM, como escrevemos, não está fora de um contexto em que "grandes sambistas" são Alexandre Pires, Belo e Thiaguinho, "divas" são Nicole Bahls, Geisy Arruda e Mayra Cardi, "fenômeno mundial" é Michel Teló e Gusttavo Lima, assim como "estadista" é Fernando Collor, "filósofo" é Fernando Henrique Cardoso e "perfeição humanista" é Luciano Huck.

A mediocridade cultural já contagiou tantos jovens que até o pop romântico dos EUA é considerado coisa do outro mundo. O reacionarismo juvenil também assusta, porque seus ídolos medíocres são vistos como totens irretocáveis, aos quais à menor crítica é vista por esses fãs como se fosse uma "ofensa irreparável". Daí a trolagem que torna-se comum da parte dessa patota.

OBA-OBA NÃO ESCONDE MEDIOCRIDADE DA "RÁDIO ROCK"

Na primeira das pesquisas que eu fiz ouvindo a UOL 89 FM, dá para perceber que o oba-oba em torno da suposta "rádio rock", com direito a comentários exagerados e sem fundamento (tipo "a verdadeira rádio rock", coisa que a 89 nunca foi), não esconde a mediocridade da emissora paulista.

Pelo contrário, o que se ouve não é uma "programação rock de primeira", mas um mero hit-parade em que até um surdo pode advinhar qual música será tocada pela emissora. A rádio representa na prática o ditado "Em terra de cego...", só sendo genial para uma geração que não admite que havia ouvido "sertanejo universitário" demais (além de terem bebido todas, é claro).

O problema é que a 89 FM é ouvida por um público majoritariamente mais jovem, que por conta da manipulação midiática, prefere o "novo" ruim ou mais ou menos do que o bom mais antigo. É como se eles preferissem os dejetos de última hora do que os tesouros de tempos bem mais antigos.

Tanto na UOL 89 FM quanto no Big Brother Brasil - anunciado como um "grande evento" pela mídia e até pela "imprensa popular" e pelas rádios FM - nota-se um certo deslumbramento das gerações mais recentes com esses "fenômenos" da mídia que no fundo possuem caráter bastante duvidoso.

Em ambos os casos, a rádio paulista e o programa televisivo são, na verdade, dois "fenômenos" que buscam capitalizar o apoio juvenil à mídia mais reacionária, no caso das Organizações Globo (que transmite o BBB) e o Grupo Folha (sócio da 89 FM), minimizando o desgaste ideológico que nomes como Merval Pereira, Arnaldo Jabor e Eliane Cantanhede acabam refletindo através de suas pregações reacionárias.

Ao longo dos anos, esses jovens, nascidos a partir do final dos anos 70, foram "educados" por sucessivos fenômenos da mediocridade cultural que a ditadura midiática transformou em totens absolutos. A partir de Xuxa Meneghel, essas pessoas se acostumaram com valores frívolos que os fizeram isoladas no seu mundinho de coisas medíocres que acham "geniais" porque são "do seu tempo".

JUVENTUDE PRECONCEITUOSA

Só que esses jovens que, por influência da intelectualidade dominante, se dizem "sem preconceitos", são na verdade muito mais preconceituosos, na medida em que, se por um lado eles elegem como "geniais", "alternativos" e "vanguardistas" ícones da mediocridade mais banal, eles rejeitam quem realmente corresponde a valores sócio-culturais relevantes e fundamentais.

Para esses jovens, "geniais" são Michael Sullivan, Wando - cujo falecimento fez com que alguns chegassem a dizer que ele era "mestre dos mestres" - , Luciano Huck, Zezé di Camargo & Luciano, Michel Teló, Ivete Sangalo, MC Leonardo, Odair José, Benito di Paula, Sambô, Eike Batista, Neymar etc. O jogador Adriano é "imperador" mesmo se limitando a noitadas e bebedeira. E até Geisy Arruda tem sua "legião" de fanáticos.

Em contrapartida, eles reagem com uma rejeição arrogante e intransigente a nomes como Chico Buarque, Turíbio Santos, Oscar Niemeyer, Fernanda Montenegro, Legião Urbana, Milton Santos, Tom Jobim, Leila Diniz, Glauber Rocha, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Sidney Miller, Clarice Lispector etc. E mesmo na onda "pró-favela", a notável escritora Carolina Maria de Jesus não recebeu sequer uma menção da "galera".

Essa juventude está apegada a muita curtição. Só leem livros quando são obrigados, mas preferem substituir a apreciação de artes plásticas e teatro por desfiles de moda que eles tolamente pensam serem a síntese das obras de arte e pelas teatrais que se recusam a ver. De cinema, então, qualquer blockbuster para eles é visto, erroneamente, como "cinema de arte".

Enquanto isso, eles têm preconceito contra a Bossa Nova, contra a música instrumental, contra os clássicos do rock. Não suportariam ver um teleteatro dos moldes que se fazia na televisão dos anos 1950=1960. Têm preconceito contra o cinema mais intelectualizado, aliás tudo o que é intelectualizado para eles é sinônimo de "chatice".

Enquanto isso, eles aceitam de bom grado que um canal tipo TeleCine Cult, que prioriza o cinemão comercial de Hollywood, se autoproclame como de "filmes alternativos" (?!). E aceitam programas tipo Big Brother Brasil, onde as pessoas simplesmente nada fazem de importante.

E essas pessoas ainda se acham "dez" e "tudo de bom". Não passam de fantoches midiáticos, que nada dirão de importante para seus filhos. Espera-se que pelo menos novas gerações venham para questionar essa "galera show de bola" que trata como "coisas maravilhosas" toda a frivolidade sem graça da grande mídia do entretenimento.

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