sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A GÍRIA "BALADA" FICOU BREGA. E "GALERA" FICOU INÚTIL


Por Alexandre Figueiredo

A gíria "balada", de propriedade intelectual de Luciano Huck - foi ele seu maior divulgador - , foi o recurso da velha grande mídia para testar seu controle sobre o público juvenil.

Gíria surgida no submundo da vida clubber - como havia citado um internauta que me escreveu para o blogue O Kylocyclo - , ela foi apropriada pela Jovem Pan 2 e pelo apresentador Luciano Huck para ser "a gíria das gírias".

Evidentemente, a intenção de se criar uma gíria "acima dos tempos e das 'tribos'" foi por água abaixo, já que o termo "balada" tornou-se ridículo dentro do empobrecimento do vocabulário juvenil.

Embora oficialmente a gíria "balada" tenha servido para designar uma forma brasileira e um tanto brega de rave - típica festa noturna lançada pelo Reino Unido, em 1988 - , ela era usada até mesmo para uma simples reunião de pessoas  em um bar, durante a noite. Chegou-se a esse ponto do ridiculamente aleatório.

Foi o teste usado pelos barões da grande mídia dentro da perspectiva do "vocabulário de poder" descrito por Robert Fisk para o caso da imprensa norte-americana, dentro dos assuntos geopolíticos. E, como o Brasil ainda se encontra em posição semi-marginal na geopolítica mundial - quando muito, o Brasil faz o papel de "quintal" do G-8, o grupo dos países mais industrializados do planeta - , o "vocabulário de poder" foi aplicado no ramo do entretenimento, para dar a impressão de uma atitude "apolítica" e "sem ideologias".

"GALERA" DISSO E DAQUILO

Testou-se também a generalização da gíria "galera", originalmente uma gíria que surfistas tomaram emprestado dos hippies, que tomaram emprestado dos futebolistas, que tomaram emprestado dos marinheiros. Aí tentou-se abolir palavras como "família", "equipe", "turma", "classe", e qualquer agrupamento, substituindo todos eles pela palavra "galera".

A medida - que inutiliza o nosso esforço, na infância, de decorar os coletivos, nas aulas de Português, num verdadeiro atentado à gramática - , em vez de simplificar, acaba complicando. Em vez de se dizer o coletivo correspondente, com o uso do termo "galera" a pessoa teve que, para não complicar demais, acrescentar ao termo o lugar que define que "galera" é essa.

Por exemplo. Em vez de falar "família', fala-se "a galera lá de casa". Em vez de falar "turma", fala-se "a galera lá da rua" ou "a galera lá da escola", conforme o contexto. Se for "equipe", fala-se "a galera lá do trabalho", "a galera da TV", "a galera do estúdio". Na verdade, ficou bem mais complicado.

Como se não bastasse o uso maior da saliva para pronunciar tantos "l" - "galera" e "balada" - e o risco de pronunciar cacófatos, como o termo "vou pra balada c'a galera", a tentativa de simplificar o vocabulário acaba complicando e empobrecendo ao mesmo tempo. Ficou mais banal, mais preguiçoso e nem por isso mais moderno.

Afinal, nos países de língua inglesa, nenhum jovem passou a trocar o "I'm going to the party with my friends" ("Vou para a festa com meus amigos") ou o "I'll spend the night with my pals" ("Vou passar a noite com meus colegas") pelo "I'm going to the ballad with my crew" ("Vou pra balada com a galera"). E quem tentasse acharia patético.

Mas no Brasil se ser imbecil é a regra na mídia, quem discordar ganha uma trolagem de presente, cortesia dos Reinaldos Azevedos do amanhã, para os quais o estabelecido pela mídia no entretenimento é a única lei social a ser seguida.

USO DA GÍRIA "BALADA" NÃO SE TORNOU UNIVERSAL

 O esforço da grande mídia em transformar a "balada" numa espécie de "gíria do III Reich", de carro-chefe de uma "moderna gramática" ensinada não pelas escolas, mas pela velha grande mídia, não deu certo. No meio do caminho, houve gente que estranhasse as coisas, por diversos motivos.

Primeiro, porque não existe uma gíria que esteja acima dos tempos e dos grupos sociais. Uma gíria nasce, cresce e morre conforme o contexto social. Chegou-se ao ridículo da gíria "balada" ter seu próprio esquema de marketing, ser empurrada até mesmo em noticiários "sérios" da televisão ou da imprensa escrita, na tentativa de atingir até mesmo o público mais adulto.

Segundo, porque estimulava a preguiça gramatical já habitual entre muitos jovens brasileiros, que já escrevem errado nos computadores e, emburrecidos, se acham "inteligentes" por nada, o que é uma burrice pior ainda, porque já não é mais ignorância e sim estupidez. E também não torna a fala ou a escrita mais bonitas.

 Sim, porque existe uma grande diferença em dizer e escrever "vou para uma festa com meus amigos", "vivo com minha família em minha casa", "trabalho no estúdio com minha equipe" do que em dizer e escrever "vou para a balada com a galera", "vivo com a galera lá de casa" e "trabalho com a galera lá do estúdio". O coloquialismo forçado, aliás, das gírias "balada" e "galera" criou algo tão forçado e, de certa forma, formal, dentro do contexto midiático atual.

Virou um parnasianismo às avessas, da rigidez "informal" (que expressa, na verdade, um formalismo às avessas, mas bastante rigoroso), do coloquialismo obrigatório que nada teve de coloquial. Não era mais espontâneo, se você era jovem tinha que substituir "festa" e "boate" por "balada", "família" e "turma" por "galera", e se alguém achava que isso faria qualquer um mais moderno, está enganado.

Afinal, as duas gírias acabaram, sim, escondendo os instintos mais reacionários de boa parte dos jovens. Tive um incidente terrível no Orkut só porque questionei a gíria "balada", que era a "máscara" usada para jovens ultrareacionários parecerem modernos. Escondem-se ideias retrógradas com vocabulários "modernos". Tive até que cancelar minha primeira conta diante de ameaças, em janeiro de 2007.

O uso não se tornou universal, apesar da insistência da grande mídia. Empurrou-se as duas gírias até para punks e headbangers mais jovens, sem muito êxito (estes haviam de receber bronca dos amigos mais velhos) e ficou patético pessoas de 30, 35 anos falarem em "tava na balada c'a galera", com cacófato e tudo.

BANALIZAÇÃO

O uso das gírias "balada" e "galera" acabou indo por água abaixo quando passou-se a criticar os problemas resultantes da vida noturna, sobretudo em incidentes policiais, como apreensão de drogas e violência. Só isso fazia com que as gírias, associadas a esse estilo de vida, perdessem sua força totalitária, sobretudo "balada", que seria a "gíria do III Reich", destinada a ultrapassar milênios na história da humanidade.

Além disso, a princípio certas modelos brasileiras usavam e abusavam dessas gírias, até que fenômenos como a agência Victoria's Secret, com suas modelos estrangeiras continuando a falar "I go to the party with my friends" - sem falar que um sucesso do pop eletrônico, do projeto Groove Armada, se chama "My Friends" e não "My Crew" (lê-se "mai cru") - , mudaram completamente a situação.

Desde então nenhum ator ou atriz passava a cuspir saliva para pronunciar aberta e obsessivamente essas gírias. Mas elas continuavam valendo para a "multidão comum" dos internautas que escrevem errado e vão atrás do estabelecido pela mídia do entretenimento sem verificar, deixando o raciocínio para coisas "mais importantes" como saber a diferença entre o sabor da cerveja Antarctica  e o da Brahma Chopp.

A banalização se deu pelo fato de haver, no Brasil, um arremedo tardio de cultura clubber - em moda no país enquanto se desgastava na Europa e nos EUA, conforme atestava a imprensa estrangeira - , que se estendia para o lazer brega-popularesco, sobretudo na axé-music e no dito "sertanejo".

Aliás, o uso da gíria "balada" no chamado "sertanejo pegação" foi o estopim para a bregalização da expressão, já banalizada como gíria da mídia fofoqueira e de celebridades. "Balada" ficou associado a uma versão brega de rave, como já descrevemos, e símbolo de um "ideal de vida" vazio, limitado à curtição, ao narcisismo e à libertinagem mais irresponsável.

Juntando isso à citação da referida gíria através de nomes como Luan Santana, Michel Teló, Gusttavo Lima e João Lucas & Marcelo, aí é que a "gíria do III Reich", que estaria acima dos tempos e dos grupos sociais, caiu de vez.

Afinal, a gíria "balada", em vez de se destinar a "todas as tribos", ficou associada apenas a jovens viciados em festas noturnas, sem qualquer coisa importante para fazer. E, vinculada a tolices breganejas como "tche-tchererê-tchê-tchê", "eu quero tchu, eu quero tchá" e "delícia, delícia, assim você me mata", a gíria "balada" encontra seu inferno astral nesse contexto farrista.

E a gíria "galera", então, de tão banal e tão pobre gramaticalmente - seria um retrocesso substituirmos tantas palavras por uma só, complicando mais a retórica - , tornou-se inútil e associada também a jovens que escrevem e falam errado. Daí que voltou, com toda a força, o uso das "velhas" palavras "família", "turma" e outras, que estavam ameaçadas pela palavra "galera", porque o uso mais plural e diversificado demonstra maior inteligência e bom senso.

Enquanto isso, a outra palavra "balada", aquela que significa música lenta, história dramática ou bater de sinos, continua sobrevivendo e retomou seu voo de fênix porque esses significados sempre estiveram, sim, acima do tempo e das tribos. Porque eram significados construídos não pela imposição midiática e sim pelas realidades sociais vividas em outros tempos.

Resta o consolo de que a gíria "balada" e sua parceira "galera" fizeram seu "passeio" pelos vários veículos da mídia, dia após dia, com muita insistência. E continuam sendo usadas, não mais no sentido de "expressões acima dos tempos e das tribos".

E só pelo uso frequente da gíria "balada", se houvesse a cobrança por parte de Luciano Huck pelos direitos autorais - ele é o divulgador maior da gíria, teria o direito da patente - , ele se tornaria um homem muito mais rico que seu amigo Eike Batista, o maior magnata do Brasil.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A MEDIOCRIZAÇÃO CULTURAL ÀS VÉSPERAS DA INTERNET


Por Alexandre Figueiredo

Não é preciso ser especialista em Comunicação ou mesmo analista da mídia para entender por que a mediocrização cultural do Brasil, dominante desde os anos 90, tentou se reciclar depois às custas de uma nova retórica, tão conhecida nos meios intelectuais.

Afinal, como se fosse da noite para o dia, uma multidão de cientistas sociais, críticos musicais, artistas e celebridades passou a adotar um discurso em que a mediocrização cultural dos anos 90 era a "verdadeira cultura popular", "o novo folclore brasileiro" e uma "maneira pop de entender o país".

Em abordagens um tanto confusas quanto desesperadas - havia até mesmo ataques contra quem reprovava a mediocrização cultural, até em artigos acadêmicos (!) - diversos intelectuais de todo o país, partindo da choradeira de Paulo César Araújo aos antigos ídolos cafonas e passando de Milton Moura e Mônica Neves Leme a Pedro Alexandre Sanches e Ronaldo Lemos, o brega-popularesco se reciclou com essa "pequena ajuda" da intelligentzia associada e em boa parte patrocinada pelo especulador estrangeiro George Soros.

O jabaculê tinha que se reciclar, não mais naquele método tradicional do suborno de rádios, TVs e revistas. Esse método continuava, mas a ênfase tornou-se outra, como vender a falsa imagem de "feministas" para as "popozudas" através de monografias ou documentários. Ou de promover os bem-sucedidos ídolos cafonas e neo-bregas como se fossem "coitadinhos sem lugar algum ao Sol".

Essa campanha, feita já a partir de 1996 com o texto "Esses pagodes impertinentes...", texto de argumentações duvidosas e escrito sem qualquer linguagem objetiva pelo historiador baiano Milton Moura, já previa a blindagem que a intelectualidade faria com maior intensidade quinze anos depois. Moura, na ocasião, pretendia defender o "pagodão" baiano derivado do sucesso do É O Tchan.

Cinco anos depois, veio o livro-tese de Paulo César Araújo, Eu Não Sou Cachorro Não, que defendia os ídolos cafonas do passado. E isso puxou toda uma gama de livros, reportagens, artigos, documentários, monografias, além do apoio de celebridades em vários eventos, para completar o jabaculê sofisticado em torno da "cultura" brega e todos os seus derivados.

E essa intelectualidade estava toda a serviço de um projeto cultural bolado pelos tecnocratas em volta do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Mas como Lula foi eleito em detrimento do escolhido tucano José Serra - em que pese os fisiologismos do PT e as políticas neoliberais adotadas - , a intelligentzia dominante de então teve que se voltar para o proselitismo de esquerda.

Tudo isso para tentar evitar que propostas mais avançadas de regulação midiática e melhorias sócio-culturais sejam postas em prática. O que Pedro Alexandre Sanches faz, por exemplo, para barrar o avanço de propostas de gente como Emir Sader para melhorar a cultura do país é de uma sutileza que poucos conseguem perceber.

MEDIOCRIDADE COMO DOMINAÇÃO SOCIAL PELA MÍDIA

Isso se deu porque a Internet brasileira se popularizou, no final da década de 90, neutralizando o monopólio da mídia, sobretudo rádios FM, TV aberta e "imprensa popular", o que deu o sinal para a ditadura midiática adotar um meio de evitar o despertar cultural das classes populares, tão castigada pela imbecilização vigente desde a ditadura militar.

A mediocrização cultural já era intensa quando a breguice foi despejada nos anos 90, depois que a Era Sarney e a liberdade democrática garantida pela Constituição de 1988 perigasse retomar aquela consciência crítica da sociedade brasileira no pré-1964.

A sociedade já começava a falar mal do governo por causa dos descaminhos do Plano Cruzado e aí a mídia teve que despejar, a partir de 1990, desde duplas "sertanejas", dançarinos de lambada, um demagogo tipo Fernando Collor, o policialesco Aqui Agora, os patéticos funqueiros hoje ditos "de raiz", as "musas" da Banheira de Gugu Liberato e outras barbaridades.

A intelectualidade influente então ainda era aquela que reprovava a mediocridade cultural. Era gente influenciada pela geração do Pasquim, pelos Centros Populares de Cultura da UNE e de outras iniciativas de melhorar a sociedade, que se achavam traídos pela adesão da mídia, em plena democracia, à imbecilização midiática mais aberta.

Nos anos 90, víamos gente como José Ramos Tinhorão - que hoje poderia ser visto como o anti-Paulo César Araújo, embora este, "desavisado", "estranhasse" que Tinhorão não tivesse apoiado a música brega - puxando o coro. Arnaldo Jabor ainda tinha excelentes textos contra a mediocrização cultural. Dioclécio Luz surgia e nomes como Ruy Castro e Mauro Dias também reforçavam a campanha contra a mediocridade reinante.

Mauro, aliás, havia escrito um excelente texto chamado "O massacre cultural sem precedentes", publicado em 1999 no jornal O Estado de São Paulo num tempo em que o jabaculê era menos intenso nos cadernos culturais, que ainda gozavam de uma certa autonomia e relativa honestidade.

Se bem que, nesses tempos, Otávio Frias Filho estava ensinando timtim por timtim as lições depois seguidas pelo fiel pupilo Pedro Alexandre Sanches, tão fiel que foi capaz de seguir seu mestre mesmo rompendo profissionalmente com a Folha de São Paulo.

Foi aliás depois do impacto causado por este texto de Mauro Dias - juntando os textos de Tinhorão, Ruy Castro e Dioclécio, além de outros até de músicos como Thedy Correa (Nenhum de Nós) - , mais as gozações de Marcos Mion e João Gordo contra o brega nos Piores Clipes do Mundo da MTV Brasil, entre 1999 e 2002, que a grande mídia e o mercado jabazeiro tiveram que criar uma contrarreforma intelectual.

Desse modo, a intelectualidade designada para defender a mediocridade cultural passou a apelar para tudo, até para verdadeiras "urubologias", acusando quem a rejeitasse de "preconceituoso". A campanha de defesa ao brega envolveu das retóricas intelectualoides, da publicidade dos famosos e até das trolagens feitas na Internet e não só prorrogou a mediocridade cultural já em desgaste como a fez mais hegemônica do que há 20 anos atrás, hoje ameaçando os espaços remanescentes da MPB e da cultura alternativa.

O avanço da Internet iria desviar as classes populares da mediocrização cultural e, no atual estágio da blindagem intelectual, existe até mesmo a apropriação desses referenciais medíocres com os referenciais culturais de qualidade. Tudo no desespero de prolongar a mediocrização a qualquer custo.

Convém mantermos os olhos abertos. O joio quer se parecer como uma parte inseparável do trigo.

COM CONCESSÕES A RURALISTAS, COMISSÃO APROVA CÓDIGO FLORESTAL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Infelizmente, o coronelismo brasileiro é organizado e se mobiliza para travar certas medidas ou amenizar projetos que vão contra seus interesses. Os ruralistas conseguiram reduzir as áreas que teriam que cuidar em caso do reflorestamento, reduzindo sua responsabilidade pela recuperação ambiental das chamadas áreas de proteção permanentes.


E, é claro, a "farra sertaneja" ficou por conta do deputado Ronaldo Caiado, que comandou a pressão ruralista. Um grande retrocesso para o povo brasileiro.

Com concessões a ruralistas, comissão aprova Código Florestal

Do Portal Terra

A análise da recomposição de áreas de proteção permanentes (APPs), em propriedades que foram desmatadas irregularmente, foi retomada nesta quarta-feira como condicionante para a votação da Medida Provisória (MP) 571/2012, que altera o Código Florestal. A matéria foi aprovada na comissão mista do Congresso que analisa o tema e, agora, segue para análise da Câmara dos Deputados.

O acordo só foi possível depois de uma pressão de mais de sete horas de parte da bancada ruralista, que ameaçou até inviabilizar a votação da MP e, consequentemente, a sua validade. Capitaneados pelo líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), esses deputados conseguiram reduzir de 20 para 15 m de regularização de APP, em margens de rios de até 10 m, em propriedades de quatro a 15 módulos fiscais - médios produtores.

Foi aprovado, ainda, que, em propriedades acima de 15 módulos fiscais, independentemente da largura do curso de água, a recomposição ficará entre 20 e 100 m de APP. O tamanho dessa área de proteção natural às margens do rio será definido em cada estado pelo Programa de Regulamentação Ambiental (PRA).

Os ruralistas conseguiram também fazer com que, em cursos de água acima de 10 m da calha do leito do rio, propriedades com mais de quatro módulos fiscais tenham que recompor de 20 a 100 m de APP. Nesse caso, o tamanho do reflorestamento na beira do rio será definido pelas regras estabelecidas no PRA do referido Estado.

Por outro lado, o relator da matéria, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), conseguiu reincorporar ao texto a proteção natural em faixas de água - rios, córregos, nascentes - intermitentes, ou seja, que não são perenes. No caso das veredas, a proteção terá a largura de 50 m, a partir do espaço permanentemente brejoso e encharcado. O parecer do relator estabelece que não será exigida a área de proteção permanente ao redor de reservatórios artificiais de água, que não decorram de barramento ou represamento de cursos de água naturais.

No caso de áreas rurais consolidadas em APPs, no entorno de nascentes e olhos de água perenes, será admitida a manutenção de atividades agrossilvipastoris, ecoturismo ou turismo rural. Para tanto, será obrigatória a recomposição em raio mínimo de 15 m.

O texto que agora vai à apreciação da Câmara também estabelece que, nos casos de áreas rurais consolidadas em APPs, ao longo de cursos de água naturais intermitentes com largura de até 2 m, será admitida a manutenção de atividades agrossilvopastoris, ecoturismo e turismo rural. A contrapartida será a obrigatoriedade do proprietário recompor faixas marginais de 5 m, contados da borda da calha do leito do rio, independentemente do tamanho do imóvel.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

POR QUE A VULGARIDADE FEMININA É TÃO INSISTENTE?


Por Alexandre Figueiredo

A inflação de "mulheres-objeto", em pleno primeiro quartel do século XXI, num Brasil que promete ser a nova potência da humanidade planetária, é preocupante.

O mercado editorial e midiático que se alimenta nessas "acidentais" e "despretensiosas" exibições de corpos "avantajados" torna-se tão insistente que existem "musas" de "todo tipo": de ex-BBBs a paniquetes, passando pelas funqueiras "mulheres-frutas", pelas "garotas da laje", "miss bumbum", "musas do MMA", "musas do Brasileirão" e o que vier.

Numa época em que precisa-se promover a emancipação feminina, não somente no mercado de trabalho ou na vida amorosa, mas numa série de valores morais, culturais e outros, é preocupante que nada menos do que 50 "boazudas", aproximadamente, figuram nos sítios de celebridades mostrando apenas sua única e exclusiva qualidade: os corpos que excitam um público machista e sexualmente obsediado.

As notas já são mais que repetitivas que até se duvida, e muito, das ocorrências "acidentais" de fulana que "paga calcinha", da sicrana que "paga cofrinho", da beltrana que "deixa o sutiã cair por ação do vento (sic)". Mas os empresários, produtores e editores que investem nesse hiperespetáculo machista não estão aí. As apelações das "musas" podem enfurecer até budista que eles continuarão insistindo.

Recentemente, temos o caso da anunciada "aparição" de Solange Gomes e de Andressa Soares, a Mulher Melancia, num decadente programa popularesco de TV. As duas, aliás, já fizeram juntas uma pose com seus glúteos em close, investindo fundo na baixaria televisiva que ainda irá ao ar em breve.

Enquanto isso, a ex-integrante do Big Brother Brasil, Maíra Cardi, esquecendo que deveria manter a compostura num aeroporto do Rio de Janeiro, cheio de passageiros, transeuntes e turistas, preferiu investir no exibicionismo, fazendo caras e bocas e "apertando" o decote, insinuando uma pseudo-sensualidade vulgar e desesperada. Tudo pela fama a qualquer preço.

"PRISIONEIRAS" DE SEU CORPO

Esse sensacionalismo anda preocupando bastante, porque não é isso que fortalecerá o feminismo, não é isso que expressa a liberdade do corpo da mulher. Pelo contrário, não se pode definir como liberdade do corpo o fato dessas "musas" serem prisioneiras e escravas do culto ao corpo, da obsessão pretensamente sensual que nada diz e nada contribui em coisa alguma na vida.

Fazendo uma comparação com outras mulheres famosas, como atrizes e modelos, nota-se que as mulheres que não vivem da vulgaridade pseudo-sensual adotam uma postura discreta e sóbria. Brasileiras como Deborah Secco, só para citar uma mulher considerada símbolo sexual de muitos homens, simplesmente passeiam pelo saguão dos aeroportos sem muito exibicionismo, sem bancarem as "gostosas" a qualquer custo, sem apelar para "mostrar demais" seus "dotes" físicos.

No exterior, então, musas como a modelo Cindy Crawford e as atrizes Emma Watson, Natalie Portman e Salma Hayek - esta famosa pelo protótipo de morena ultrasensual - aparecem de forma mais discreta, quando muito exibindo uma sensualidade light e menos apelativa possível, através de calças jeans justas ou de decotes discretos. Nada de exibicionismo, nem de caras e bocas.

Dá até para imaginar o tom de promoção que Maíra Cardi arrumou com sua exibição "acidental" do seu decote. A foto resultada aparentemente não indica, mas quem percorreu as proximidades, com atenção, deve imaginar que a ex-BBB e o fotógrafo combinaram a pose previamente, tudo pelo sensacionalismo barato na mídia nacional.

Essa insistência de prevalecer a vulgaridade feminina constrange e humilha a mulher brasileira. Não se trata de sermos contra a sensualidade. Mas a verdadeira sensualidade possui contextos, situações certas, e uma certa sutileza. E isso as "musas populares" não sabem fazer, e acham que estão sendo modernas com isso. Não estão. Elas estão, isso sim, sendo grotescas, antiquadas e um tanto caricatas quando "se mostram demais".

Solange e Andressa demonstram extremamente grotescas na sua "medição de bumbum" e Maíra parece alguém traumatizado com o risco de ostracismo, daí a apelação da pseudo-sensualidade. Outras musas do gênero, seguindo o mesmo "descaminho" - sobretudo uma Geisy Arruda que também "deixou escapar" um dos seios - , apenas se tornam constrangedoras e grosseiras nos seus atos.

E isso não as faz mais desejadas. Elas só são desejadas para um público machista, grosseiro e sem capacidade intelectual de traçar sequer uma fantasia sexual. As "boazudas", neste caso, vem com o produto pronto, "mulheres-objetos" que já chegam com a "fantasia" pré-fabricada pela mídia das celebridades e pelo mercado de revistas "sensuais". O machismo agradece com isso. Mas a sociedade em geral fica envergonhada com todo esse "espetáculo".

A POLÍTICA, A BREGUICE E A EMBRIAGUEZ


Por Alexandre Figueiredo

Um vídeo vaza na Internet mostrando um homem parecido com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) indo, embriagado, para um balcão de um boteco para pedir mais um copo de bebida.

Embora não seja 100% comprovado que o ébrio em questão seja o galântico político mineiro, embora ele tenha se encrencado, certa vez, num teste de bafômetro, o incidente causou uma grande polêmica mesmo dentro dos círculos esquerdistas.

A polêmica envolveu simpatizantes do PSOL, para os quais a acusação não passa de uma hipocrisia petista - há também as acusações de alcoolismo contra Lula, exploradas até mesmo pela mídia golpista - , numa atitude revanchista contra as acusações que simpatizantes do PT fazem do PSOL adotar posturas semelhantes ao PSDB.

Política e embriaguez são tão comuns na espécie humana. A politicagem do fisiologismo das autoridades, junto à poligamia e a embriaguez, já fizeram a história de muitas personalidades. Mas o vídeo do suposto alcoolismo de Aécio Neves - vídeo que não tem boa resolução de imagem - serviu para discussões um tanto politicamente corretas, um tanto oportunistas.

E o que dizer de intelectuais tão "santificados" pelo uso do termo "popular" mesmo em contextos demagógicos, que também decidem "tomar umas"? Claro, eles, "sendo humanos", são ainda mais "santificados" por isso, não bastasse a ampla visibilidade de suas plateias lotadas de desavisados.

De repente, também o "popular" virou pretexto para qualquer oportunista bancar o "santo". E haja "dois chopes com um pastel", haja buchada de bode, haja churrasco de gato! Mas, como se trata da apropriação do termo "popular", sem qualquer critério de verificação, vale tudo.

E aí eu me lembro das acusações de Vicente Celestino de ser o "pai dos bregas", quando ele era apenas um cantor de serestas, que viveu um contexto sócio-cultural diferente do atual, e o exagero da letra de "O Ébrio" era um exagero dramático. Vicente era dos primórdios das gravações em disco, tinha que cantar de costas por conta do seu vocal operístico.

Ele não era brega porque sua música refletia o contexto da época, anos 20, 30 e 40. O problema é que os apologistas do brega querem misturar contextos de épocas diferentes, jogando o passado no presente, jogando o presente no passado. Faz parte do discurso: afinal, o brega é marcado pela falta de contextos para qualquer coisa, e isso contamina até seus adeptos e defensores mais radicais.

Se reprovamos as baixarias do "funk carioca", eles nos atribuem um suposto moralismo de 100 anos atrás. Enquanto isso, a cafonice dos ídolos breganejos e sambregas de hoje passa recibo para nomes nada bregas como Nelson Gonçalves e Lupicínio Rodrigues. E os apologistas do brega fazem isso para confundir as coisas e fazer valer seu discurso a todo custo.

E a embriaguez torna-se então a "sina" da "cultura popular". Os apologistas do brega acham o máximo ver homens "se divertindo" nas mesas de bar, enchendo a cara, se um mendigo se embriaga e depois vaga pela rua balbuciando e rebolando, a intelligentzia cai em delírio, achando que isso é "sabedoria pop". "Veja como até os mendigos estão hiperconectados (?!) com as novidades pop! Isso é a nossa cultura pop, que torçam os narizes os críticos de plantão!", declaram.

São demagogias, oportunismos, confusões. Tudo numa embriaguez de romper a lógica. No fim, os envolvidos nas bebedeiras líquidas, ideológicas e intelectuais acabam vendo postes andando pelas ruas. E nenhum problema se revolve.

Eu, pelo menos, não me interesso por bebidas alcoólicas. Fico na minha, quem gosta de bebê-las que fique na sua. Mas não fico divagando desaforos ideológicos nem delírios intelectualoides em torno de aventuras etílicas que terminarão na ressaca das discussões e confusões sem sentido.

PADRONIZAÇÃO VISUAL NÃO TRAZ VANTAGEM ALGUMA


Por Alexandre Figueiredo

Que vantagem tem colocar diferentes empresas de ônibus com o mesmo visual? Disciplina? Nada disso! Essa ideia é tão patética quanto dizer que as pessoas serão mais dignas se forem fardadas.

Nesse modismo da "mobilidade urbana" adotado por autoridades em várias partes do país, seguindo um modelo adotado no auge da ditadura militar pelo arquiteto Jaime Lerner, a malandragem política se junta ao mais preocupante reacionarismo busólogo, dentro de círculos de poder viciados em que poucos têm coragem de dissolver, visando preservar o status quo.

Enquanto isso, os passageiros precisam dobrar a atenção para não pegar ônibus errados. É tolice dizer que o passageiro só pega o ônibus quando o recebe pela dianteira, reconhecendo a bandeira do número da linha. E a medida de padronizar as empresas de ônibus em cada cidade, além de causar sérios transtornos, traz diversos prejuízos técnicos, financeiros e sociais.

Não é preciso detalhar que Curitiba, a cidade que lançou essa medida, planejada no mesmo período do governo do general Emílio Garrastazu Médici, vive o declínio desse modelo, assim como São Paulo, uma das cidades que implantaram o mesmo modelo, também no período da ditadura, mas numa época posterior.

E, no Rio de Janeiro, a decadência segue a olhos vistos, mas como é uma "novidade", deixam-se os problemas ocorrerem porque eles não são muito claros e as autoridades e adeptos - sobretudo alguns busólogos dotados de intolerância e desespeito humano - ainda gozam de algum "prestígio" e visibilidade.

Não é só a padronização visual que é o problema maior. Ele é, traz desvantagens, mas o "novo modelo" também inclui, em seu "maravilhoso" pacote, a exploração exaustiva e cruel do trabalho dos rodoviários, e o poder concentrado das Secretarias de Transporte, na prática a "dona" e não a concessora de serviço, confundindo regular com chefiar, acumulando mais poder político e assumindo menos responsabilidades.

Nos últimos meses, acidentes com ônibus ocorrem no Rio de Janeiro que põem em xeque todo esse modelo prestas a ser apresentado em 2014 e 2016. Seus defensores, tomados da mais cega arrogância, acham que tudo é culpa dos rodoviários e do povo que "não sabe pegar ônibus". O que se vê nos fóruns de busologia no Facebook, no Orkut e no portal Ônibus Brasil é de arrancar os cabelos. Há busólogos que ainda parecem viver nos tempos de carro de boi nos latifúndios da República Velha...

PADRONIZAÇÃO É SEGREGAÇÃO SOCIAL

Não custa repetir. A padronização visual, a uniformização de pintura nos ônibus, nada tem a ver com ética nem com transparência. Pelo contrário, a medida claramente inime qualquer transparência, porque camufla as empresas de ônibus, desprovidas de sua identidade visual.

Isso confunde passageiros que não podem ver os nomes pequeninos que se reduziu a apresentação de cada empresa. Num comboio de vários ônibus de diferentes empresas mas de um mesmo consórcio, os passageiros precisam abrir mão de seus afazeres pessoais para "prestar mais atenção" no ônibus que pegar, para evitar pegar o ônibus errado.

É, infelizmente, como aquele ditado diz: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Ou o cidadão cheio de afazeres identifica o ônibus certo, ou perde o horário, ou embola os compromissos. Dá para perceber que esses dramas - para não dizer os vividos por doentes, idosos, gestantes e sub-escolarizados - não são vividos por busólogos "bem de vida", cuja grande visibilidade não condiz com sua agressividade e arrogância e pelo fato de que eles quase nunca usam ônibus, só os admiram por fora.

A padronização visual, além de não ter a menor funcionalidade - nem a Lei de Licitações, 8.666./93, possui qualquer texto que determine ou defenda esta medida - , não garante transparência nem disciplina. E ainda por cima sobrepõe a imagem não da empresa licitada, mas do poder que a concede, o que, na prática, é uma intervenção estatal disfarçada de "licitação". Mera propaganda de prefeituras ou governos estaduais.

Ela não traz transparência, porque oculta do público comum a apresentação da empresa de ônibus que serve determinada linha. Não há a apresentação da identidade visual que facilite a atenção do passageiro comum. E, com isso, a empresa, sem zelar por sua imagem própria, também perde a autonomia, devido ao poder autoritário do secretário de transportes de plantão.

Isso não traz disciplina. O Estado manda demais no transporte coletivo. Os passageiros são obrigados a dobrar a atenção antes de pegar um ônibus. E nem pense que os busólogos mais espertos são imunes a essa desatenção. Se eles se acham "imunes", é porque não andam de ônibus. Andam de carro pelas cidades e fotografam os ônibus.

Eu mesmo, com toda a atenção que tenho com o sistema de ônibus, capaz de memorizar rapidamente as linhas e as empresas, já confundi, quando estava em Bento Ribeiro, no ponto de ônibus em frente aos Supermercados Extra, um ônibus da Pavunense da linha 779 com o da Vila Real da linha 378. Eu estava para pegar o 378, na ocasião.

Imagine se eu pegasse o 779 e, em vez de ir ao Castelo vou para Madureira, perdendo tempo e dinheiro. Claro, o culpado sou "só eu". O busólogo "dono da verdade", não, porque ele não anda de ônibus. Se andasse, num dado momento ou outro teria pego um ônibus errado.

Ninguém fica ocioso sempre só para prestar atenção em ônibus. Às vezes - aliás, muitas vezes -  nos ocupamos em outros afazeres. Se temos muitas contas para pagar em banco, ainda temos que dobrar a atenção para ver se, na Av. Pres. Vargas, no Rio de Janeiro, um ônibus é da Acari ou Verdun, ou se é Matias, City Rio ou Ideal?

Isso ainda é pouco. Imagine uma empresa de ônibus que opera em várias cidades e  tem vários tipos de ônibus (por exemplo, um "cabrito", ou seja, convencional, outro articulado e outro midi), que precisa gastar mais tinta e plotagem para ter várias pinturas, em vez de adotar uma identidade só. O gasto sobrecarrega as despesas da empresa, e não raro se desvia o dinheiro que seria usado para a manutenção dos ônibus ou o pagamento de funcionários.

A padronização é uma imposição de autoridades que não querem saber de diversidade social. é um resquício de políticas fascistas de triste lembrança na Itália, Alemanha e África do Sul, também tomadas da mesma "racionalidade" de Eduardo Paes e Alexandre Sansão, a partir da experiência de Jaime Lerner aplicadas em Curitiba e outras cidades.

Para uma cidade marcada pela coisificação do homem pela grande mídia, e quando internautas troleiros não têm a menor noção de suas identidades, já que vários deles não passam de fakes a assombrar com humilhações e gozações qualquer um que fale em cidadania fora da palavra padronizada dos palanques.

E o reacionarismo troleiro já dá uma amostra do quanto padronizar visualmente é uma medida reacionária, até mesmo pelo perfil de seus adeptos mais radicais...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

JOSÉ SERRA APARECE EM NOVAS GRAVAÇÕES COM BICHEIRO CARLINHOS CACHOEIRA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A coisa está complicada, que só o "silêncio" dos depoentes pode salvar os envolvidos. E se há indícios de que o esquema de Carlinhos Cachoeira havia derramado suas "águas" até nos sapatos de Jaime Lerner e Eduardo Paes, agora é a vez dessas "águas" pingarem no atual candidato a prefeito de São Paulo, José Serra, que havia feito parcerias com o amigo de Cachoeira, Fernando Cavendish, da Delta Construtora, por intermédio do presidente do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Paulo Preto.

José Serra aparece em novas gravações com bicheiro Carlinhos Cachoeira

Do Brasil 247

Pela primeira vez, o nome de José Serra aparece na boca do bicheiro Carlinhos Cachoeira, numa conversa com o já cassado Demóstenes Torres. “Ocê vai tá com o Serra aí hoje?”, pergunta o contraventor. “Marca uma audiência com ele”, insiste. “Vou marcar com ele e venho aqui”, responde o ex-senador. Negócios da Delta com SP são próximo alvo da CPI

14 de maio de 2009. José Serra era governador de São Paulo. Executava, no Estado, obras bilionárias, como a construção do trecho Sul Rodoanel e as ampliações das marginais – algumas, com a participação da construtora Delta, de Fernando Cavendish. Amanhã, o empreiteiro estará na CPI, que investiga as atividades do bicheiro Carlos Cachoeira.

Assim como Cavendish, também irá depor o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que era o homem forte da Dersa, empresa de desenvolvimento rodoviário de São Paulo, e já disse que Serra era sua “bússola” na estatal.

Um diálogo, obtido com exclusividade pelo Brasil 247, aponta agora, pela primeira vez, o nome de José Serra nas conversas de Cachoeira. É num telefionem dela ao ex-senador Demóstenes Torres. Cachoeira quer uma audiência do governador para um personagem chamado Dino. E Demóstenes promete marcá-la.

“Ocê vai tá com o Serra aí hoje?”, pergunta Cachoeira. Com naturalidade, Demóstenes diz que não. Afirma ter estado na Companhia Siderúrgica Nacional, do empresário Benjamin Steinbruch. Cachoeira faz então uma brincadeira dizendo que quem gosta muito de Steinbruch é o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

E, depois, insiste para que Demóstenes, que foi cassado por ser uma espécie de despachante de luxo do bicheiro, marque uma audiência com Serra. “Vou marcar com ele e venho aqui”, atende o ex-senador.

Numa outra conversa, de 26 de abril de 2009, Cachoeira também liga a Demóstenes para tratar de negócios em São Paulo. O ex-senador estava no apartamento 1.105 do Hotel Meliá, no bairro do Itaim-Bibi de São Paulo. O bicheiro, que representava interesses da Delta em São Paulo, pede para o senador se encontrar com um espanhol chamado Carlos Sanchez. Trata-se do chefe do Departamento de Engenharia do Metrô de Madri – o modelo usado é o mesmo usado em São Paulo.

Na terceira conversa, Cachoeira fala com o próprio Sanchez sobre o encontro no Hotel Meliá. Onde? Na rua João Cachoeira, em São Paulo.

Há ainda uma quarta conversa em que Demóstenes fala novamente com Sanchez e sugere a ele que entre na página da internet do Senado para reconhecer a face de Demóstenes Torres. O espanhol, pelo tom de voz, já festeja um negócio que será “muy bueno”.

Há ainda um último diálogo em que um homem não identificado conversa com um certo Geovane, ligado ao grupo de Cachoeira, sobre um encontro com Serra.

PAULO PRETO VOA PARA BRASÍLIA. DIRÁ TUDO À CPI?


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Paulo Preto, ex-diretor do Dersa, Desenvolvimento Rodoviário S/A, pretende dar novos rumos à CPI que investiga o esquema de corrupção de Carlinhos Cachoeira, já que é envolvido tanto com Fernando Cavendish, o empreiteiro da Delta Construtora, e o ex-governador e hoje candidato a prefeito de São Paulo, José Serra. Certamente Serra está apreensivo, porque se ele for incluído nas investigações, poderá comprometer sua campanha e ser derrotado nas urnas. Será?

Paulo Preto voa para Brasília. Dirá tudo à CPI?

Do Brasil 247

Ex-diretor do Dersa, que declarou ter no então governador José Serra a sua "bússola", embarca ao lado de seu advogado, o dr. Juquinha, para ser testemunha amanhã na CPI do Cachoeira; hoje, diálogos revelados por 247 mostraram pela primeira vez o contraventor pedindo a Demóstenes Torres marcação de audiência com Serra; ligação perigosa?

247 – No voo de 16 horas, São Paulo-Brasília, desta terça-feira 28, dois personagens que podem dar novos rumos à CPI do Cachoeira embarcaram lado a lado, em meio a conversas típicas de cliente e advogado. No primeiro papel, o ex-diretor da Dersa – a estatal Desenvolvimento Rodoviário de São Paulo – Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Na qualidade de causídico, José Luís de Oliveira Lima, o dr. Juquinha.

Eles serão vistos novamente juntos amanhã, quando Souza, que já declarou ter atuado em seu cargo tendo o governador José Serra como sua "bússola", servir como testemunha da CPI do Cachoeira. Ele foi chamado para explicar os contratos firmados pelo Dersa, no tempo do governo Serra em São Paulo, com a empreiteira Delta. O ex-presidente da construtora Fernando Cavendish também deverá falar amanhã.

Os tucanos temem que Paulo Preto não siga rigorosamente um script pró-Serra, em razão de seu potencial para agregar novas informações à Comissão. Um novo elemento que deverá influenciar neste depoimento foi divulgado com exclusividade, hoje, por 247: diálogos entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e o então senador Demóstenes Torres, de 14 de maio de 2010, quando Serra era governador. Neles, Cachoeira pede e Demóstenes aceita marcar uma audiência com Serra (leia reportagem e escute os áudos aqui).

Em seguida, conforme revelaram as escutas da Operação Monte Carlo, Cacheira aproxima Demóstenes do espanhol Carlos Sanchez, então diretor de engenharia do metro de Madri, em cujo modelo se baseia o metrô paulistano. Como já comprovou a CPI, Cachoeira e Demóstenes eram os principais lobistas da empreiteira Delta e atuavam em torno de grandes obras. A pergunta em Brasília que eleva o grau de tensão na CPI é: Paulo Preto contará o que sabe sobre tudo isso?

PHA VENCE NA JUSTIÇA. CHORA ALI KAMEL!


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É famosa a polêmica entre Paulo Henrique Amorim, que contestou o conteúdo do livro de Ali Kamel, Não Somos Racistas, que rendeu até processo na justiça. Foi uma dura batalha em que PHA enfrentava os interesses da grande mídia, supostamente defensora dos mais nobres valores da sociedade.

No entanto, o decorrer do processo foi favorável ao apresentador do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, que já havia enfrentado outros processos, um deles uma verdadeira batalha judicial contra Diogo Mainardi, da Veja.

Com seu habitual senso de humor, Paulo Henrique "desaconselha" a divulgação deste texto, sob pena de aumentar ainda mais o cartaz de seu blogue Conversa Afiada. Em tempo: o tal "Jornal da Bahia" em questão é o jornal A Tarde.

PHA vence na Justiça. Chora Ali Kamel!

Por Paulo Henrique Amorim - Blogue Conversa Afiada, reproduzido também no Blog do Miro

A brilhante Maria Elizabeth Queijo e sua impecável equipe – de Eduardo Zynger a Daniela Almeida e Aline Amoresano - obtiveram na 5ª Vara Criminal de Brasília, do Juiz Valter Bueno Araujo, vitória insofismável sobre a acusação de que este ansioso blogueiro é racista.

A qualidade técnica de Queijo se impôs de forma devastadora sobre a argumentação do Ministério Público.

O ansioso blogueiro agradece também a seu advogado no Cível, Cesar Marcos Klouri, que, antes, conduziu a um acordo em que o acusador reconhecia, em Juízo, que não tinha sido vítima de ato de racismo.

Clique aqui para ler “O acordo que PHA e Heraldo fizeram na Justiça”.

Clique aqui para ler “Como PHA se defendeu de Gilmar e de Ali Kamel”.

Esta era, provavelmente, a mais engenhosa armadilha que se tentou armar contra o ansioso blogueiro na Justiça.

Não é por outro motivo que, por trás dela, o ansioso blogueiro pressentiu redonda a inspiração daquela a quem se refere como ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo.

Gilmar Dantas lá estava ao lado da suposta vítima, no banco das testemunhas, na companhia de renomados jornalistas globais, Monica Waldvogel e Ali Kamel, cuja contribuição, lamentavelmente, tornou-se irrelevante.

O ansioso blogueiro aproveita para agradecer ao depoimento de suas generosas testemunhas: Marcos Rezende, Tonha, Branca, Luiz Felipe de Alencastro, Luiz Claudio Cunha, Edson Santos, Antonio Paim e Jean-Willys.

(Foi uma pena que, por motivo de força-maior, o reitor José Vicente, da Universidade Zumbi dos Palmares, não pudesse depor.)

O ansioso blogueiro agradece também ao deputado Vicentinho recusar o convite para considerá-lo racista.

Por fim, o ansioso blogueiro informa que não espera de nenhum de seus devotados admiradores a divulgação de que a Justiça o absolveu.

O ansioso blogueiro espera que o Jornal da Bahia, a Folha, o Globo; membros do Sistema Daniel Dantas de Comunicação, especialmente um Bajulador Jurídico; o geógrafo que traz no rosto a marca do talento que a USP lhe conferiu; o cronista que realiza o melhor Proust que Brasília é capaz de produzir; e uma colonista Ilustre que acompanha os trend topics do twitter com a mesma eficácia com que capta palpites – de todos eles o ansioso blogueiro espera discrição.

A propagação dessa notícia pode aumentar a audiência de seu Conversa Afiada de forma perigosíssima.

É melhor evitar.

Sejam discretos, por favor!

"POPOZUDAS" GERAM MACHISMO, RACISMO E EXCLUSÃO SOCIAL


 Por Alexandre Figueiredo

Bia Abramo acabou furando o lacre do alarme de emergência. Sob o pretexto de criticar o "horror moralista" contra tudo que é associado ao rótulo "popular", ela se lançou contra as mulheres trabalhadoras, na medida em que ridicularizou a campanha destas contra a exploração pornográfica de suas profissões através da tal "Proibida do Funk".

A "Proibida do Funk" era uma daquelas "musas" que antecipou as atuais "popozudas" com seu corpo exageradamente siliconado e um perfil extremamente vulgar e intelectualmente oco.

Mas é tudo pelo "popular". No discurso intelectual mais influente, até uma mãe favelada que reclama da poluição sonora de "bailes funk" é enquadrada nos "insuportáveis elitistas que evocam a alta sociedade do século XIX (?!)". "Urubologia" pouca é bobagem.

Mas Bia Abramo, colega do "caetucano" Pedro Alexandre Sanches, se "lacerdizou" ao trocar as lições do pai Perseu Abramo e do tio Cláudio Abramo - que, anos depois de morto, "perdeu" o filho Cláudio Weber para os braços do Instituto Millenium - pelos "ensinamentos" de Otávio Frias Filho no Projeto Folha, os mesmos que criaram as bases ideológicas de Sanches.

Hoje, vemos o mercado todo saturado, repetitivo e inútil das chamadas "boazudas" ou "popozudas". Paniquetes, "mulheres-frutas", ex-BBBs, "musas do Brasileirão", "musas do UFC", "garotas da laje", "miss bumbum", etc, etc, etc. E elas não fazem outra coisa senão "mostrar demais" os corpos, isso quando elas não cometem gafes em declarações na imprensa ou exibem seu "admirável" gosto musical da mais escancarada música brega.

Isso é "liberdade do corpo"? Não, porque não é liberdade de coisa alguma. O espírito não tem serventia, o corpo é que, com sua "liberdade", aprisiona o espírito. As "musas populares" não têm o que dizer, não têm o que fazer, só "mostram o corpo". Que geralmente é "turbinado" com generosas doses de silicone, até sem a menor necessidade.

Só que elas, que também são anabolizadas e algumas mentem quanto ao estado civil - algumas funqueiras casadas andaram se passando por "solteiras" - , acabam causando efeitos nocivos que conduzem à degradação mais cruel da mulher brasileira, principalmente mulheres trabalhadoras, negras e pobres.

A BANALIZAÇÃO DOS GLÚTEOS ENORMES

Pessoas diferentes possuem diversas estaturas físicas. Diversas cores de pele, diversos tipos de rosto. Nas classes populares, a diversidade étnica é notável, e isso é que irrita certas elites reacionárias, principalmente quando existe a livre miscigenação racial onde prevalece a afinidade natural das pessoas.

A exploração comercial de mulheres com corpos "avantajados" acaba criando um estereótipo supostamente "popular" da mulher brasileira que, em vez de enobrecê-la, a degrada violentamente. E, vendo muitos internautas, que, troleiros, escreveram mensagens agressivas para mim defendendo as tais "mulheres-frutas", dá para perceber que existem até mesmo conotações racistas e outros motivos pejorativos nisso.

Afinal, a "mulher brasileira" defendida por esses "machistas-uia" é um estereótipo de clara apelação pornográfica, que acaba criando uma imagem fútil da mulher das classes populares, porque, infelizmente, as chamadas "popozudas" são promovidas pela mídia como se fossem o "tipo ideal de mulher" a ser seguido sobretudo pelas jovens da periferia.

Com a exploração pornográfica e claramente anti-intelectual - sim, os "machistas-uia" veem até um certo charme na burrice de muitas "popozudas" e se ofendem quando alguém cobra o mínimo de inteligência delas - dessas "musas", isso cria problemas até no mercado de trabalho, porque a "sensualidade" grotesca e alienante cria uma imagem preconceituosa das mulheres que não têm a forma light das modelos, mas o corpo que coincide, em volume e formas, aos corpos "sarados" das "popozudas".

Imagine, por exemplo, uma negra da favela, do tipo plus size, jovem e faceira, mas que, coerente, se recusa a fazer o papel da "popozuda" ou da "boladona", preferindo estudar para um concurso público para ser técnica administrativa. Por ter um físico que "coincide", ainda que sem silicone, com o das musas "populares" como a Mulher Melancia, ela não poderá entrar no mercado de trabalho por conta da forma "avantajada"?

A exploração grosseiramente "sensual" também cria diversos problemas. Além do racismo contra negros, índios e caboclos, ou mesmo de mestiças de pele mais clara, por conta da infeliz associação, há também a visão equivocada da "fome sexual" que atinge as classes trabalhadoras, acostuma muito mal os homens trabalhadores e promove negativamente o povo pobre como se fosse um "bando de tarados selvagens".

A exploração do brega-popularesco esconde muita crueldade na visão deturpada das classes populares, que em diversos aspectos é vista de forma caricata, patética e domesticada. A "inocente" e "despretensiosa" grande mídia - que aos olhos dos intelectuais "deixa de ser" grande mídia pelos "grandes serviços" à promoção do "popular" - acaba, sim, fazendo um péssimo serviço à promoção da cultura popular, preferindo investir num modelo estereotipado, que transforma o povo pobre em caricatura de si mesmo.

Mas sabe-se muito bem que nem todos os pobres compartilham dessa visão. Há muita gente pobre, que, mesmo analfabeta, sabe o que é dignidade, e quem está desprovido de televisão, jornal e rádio não deixa de ter sua vantagem de pelo menos não se influenciar pela degradação midiática que, sobre o rótulo "popular", comete as mais cruéis "urubologias" contra o povo, sem que soe "negativa" aos olhos da opinião pública média.

Muitos pobres vão de carona nos "sucessos populares" da mídia porque viraram escravos do rádio e TV, que, não devemos esquecer, são controlados por oligarquias nacionais e regionais. Há muito nos acostumamos com o "popular" caricato do brega-popularesco, mas isso não dá direito aos intelectuais mais festejados de dizer que isso é a "verdadeira cultura popular".

E, no caso das "popozudas", a coisa é grave. O mercado tenta saturar do maior número possível de "musas" do gênero, sem medir escrúpulos em saturar e tornar o "universo" repetitivo e cansativo com tantas moças que "mostram demais" aqui e ali. E isso deturpa a imagem das classes populares, criando uma imagem pejorativa que esconde valores racistas e machistas de muita gravidade.

Convém romper com tudo isso, e até seria melhor evitar comprar essas revistas com "popozudas", evitar visitar os portais que as glorificam - como o portal Ego, das Organizações Globo - e coisa e tal. Por trás desse "maravilhoso" mercado "popular" de moças "muito sensuais" (sic), há todo um sistema machista e elitista perverso, de empresários que querem ficar ricos às custas da exploração abjeta dos instintos que o povo pobre, desprovido de uma boa escolaridade, acabam desenvolvendo para se distraírem da miséria e da exclusão social. Só que isso nem de longe é "felicidade". Isso é alienação.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"PAGODÃO" BAIANO EM MAIS UMA BAIXARIA


Por Alexandre Figueiredo

Há 16 anos, o professor da UFBA, historiador e sociólogo Milton Moura, havia defendido os grupos de "pagodão" baiano no seu artigo "Esses pagodes impertinentes...", numa edição da revista acadêmica Textos em Comunicação da referida universidade.

Apesar de haver um conselho editorial composto das mais diversas universidades, o artigo de Moura pouco tem de científico, com uma linguagem um tanto jocosa e cheia de inverdades - como medir a criatividade dos conjuntos pela pressa de gravarem discos - , além de usar o termo "sofisticado", associado à MPB de qualidade, de forma um tanto pejorativa em contraposição ao "popular" simbolizado pelo ritmo baiano puxado pelo É O Tchan.

Com o tempo, essa "saudável expressão" do "pagodão", ou porno-pagode, passou a simbolizar manifestações de racismo - trabalhando uma imagem imbecilizada contra o negro baiano, visto como "bobo alegre" e "tarado", isso num Estado capaz de gerar mentes brilhantes na negritude, como o ator Lázaro Ramos e o saudoso Milton Santos - e de machismo explícitos.

Mesmo os grupos que adotam uma postura mais light, como Harmonia do Samba, Terra Samba, Prisico e Parangolé, sem os exageros de atitudes dos conjuntos menos conhecidos, não deixam de exprimir a mediocridade artística do gênero. Mas o É O Tchan já teve música com apologia ao estupro, como o próprio sucesso "Segura o Tchan", e grupos como Companhia do Pagode e Gang do Samba compartilham com as posturas machistas do conjunto liderado pelo empresário Cal Adan.

Ao longo dos últimos dez anos, o que se viu foram letras machistas que aludem à violência contra a mulher, como "toma, toma", "é tapa na cara, mamãe" ("mamãe" é metáfora para a moça desejada), "só na pancadinha", "é na madeirada", entre outras baixarias pornográficas como "tira e bota" (pronunciada rapidamente que parece "tiribó"), "só as cabeças, só as cabecinhas" e balbuciações como "uisminoufay, bonks-bonks-bom".

Recentemente, o grupo Black Style despejou a música "Me dá a Patinha", que trata a mulher como se fosse uma cadela. Mas o último episódio dessa "leva" ocorreu no fim de semana passado, quando membros do grupo New Hit foram acusados de terem estuprado duas adolescentes durante uma micareta na cidade de Rui Barbosa, no interior baiano. Um policial é suspeito de conivência com a atitude dos acusados.

Certamente, a liberdade moral tem limites. E, infelizmente, o "pagodão" baiano estimula mesmo que mulheres "deem mole" e assediem qualquer um ou sejam assediadas por qualquer um. Não há uma educação que previna às baianas pobres sobre o risco da paquera sem controle, sem critério. Nem sequer afinidades pessoais são consideradas.

A acusação de estupro surge como um alerta para esse descontrole, já que é muito fácil até mesmo para cafetões da prostituição na Europa usarem roupas informais e "mais modestas" e assediarem as baianas pobres. Infelizmente, elas acabam seduzidas e caem na armadilha, acreditando que estão sendo paqueradas pelo elegante marginal.

Desse modo, é acertada a atitude de uma deputada, Luíza Maia (PT-BA), de criar uma lei anti-baixaria. O problema é que tem gente que ainda quer que essas baixarias imperem, sob o pretexto da "brincadeira", como o amiguinho do supracitado Milton Moura, Roberto Albergaria.

Para esses dois, o machismo explícito do "pagodão" baiano é "divertido", porque como membros da elite intelectual que domina o país, o povo é "melhor" naquilo que tem de ruim, a mediocridade cultural é glamourizada pela intelligentzia atual, e nós é que somos "moralistas", "elitistas" e "preconceituosos", apenas porque queremos qualidade de vida até para a cultura popular.

A PREOCUPANTE "TROLAGEM" NA BUSOLOGIA


Por Alexandre Figueiredo

Anda preocupando o festival de baixarias e arrogâncias que envolve a busologia no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro.

A chamada "trolagem" já foi assunto de notas no portal Ônibus Brasil e de um longo texto no portal Interbuss, um dos principais de ônibus no país, manifestando grave preocupação com o que ocorrem nas redes sociais da Internet.

Mas o que chama a atenção é que essas mensagens grosseiras na Internet não partem apenas de "moleques" que querem "bagunçar". É claro que, nestes casos, preocupa ler mensagens de gente defendendo, por exemplo, empresas sucateadas - como a Turismo Trans1000, de Mesquita (RJ) - como se fossem "boas", mas o mais grave é que as grosserias diversas também partem de busólogos mais experientes, uma minoria pequena, mas tão barulhenta a ponto de um deles se envolver com um blogue caluniador de "comentários críticos".

A situação é preocupante e mostra a reação da elite busóloga em relação ao crescimento que o hobby teve nos últimos anos. É estarrecedor que busólogos que ganhem fama com fotos que, de fato, são admiráveis, apareçam escrevendo ofensas, muitas delas com palavrões e xingações gratuitas, contra outros busólogos, ou o tal busólogo mais encrenqueiro perder tempo com um blogue de calúnias.

No Rio de Janeiro, o sistema de ônibus como um todo está sendo entregue à incompetência política mais pedante, lançando tardiamente um modelo que, tido como "moderno", é hoje ultrapassado, que é o de Jaime Lerner. A uniformização das pinturas de ônibus, o poder centralizado dos secretários de transporte, a exploração escravista dos rodoviários, todas essas medidas retóricas e antipopulares impostas como se fossem "novidades" causam a dor de cabeça não só dos passageiros mas de quem quer denunciar essas arbitrariedades.

Que as autoridades e os tecnocratas que impõem essas medidas antipopulares não andam de ônibus, isso é fato. Eles não andam de ônibus mesmo, a não ser para fazer propaganda. Mas até mesmo os busólogos envolvidos em grosserias, pasmem, demonstram que também não são muito de andar de ônibus, a não ser, da mesma forma, por pura propaganda, só para tirar foto e mostrar na Internet.

A recente onda de reacionarismo busólogo - que, apesar de denúncias no portal Ônibus Brasil e advertências dadas a busólogos encrenqueiros, continua ocorrendo - tem dois motivos bastante prováveis.

Um é o desejo desse pequeno grupo de busólogos - uma meia-dúzia, da qual se destaca o tal busólogo dos "comentários críticos", o mais agressivo deles - de "fechar" a busologia para um "seleto" grupo. Temendo perder os privilégios que tinham há cerca de seis anos atrás, quando somente eles detinham o poder na busologia do Rio de Janeiro, eles decidiram criar uma campanha "higienista" para evitar que eles sejam ofuscados por uma nova geração de busólogos.

Para disfarçar essa intenção, esses busólogos encrenqueiros e caluniadores - que chegam ao ponto de defender abertamente a censura na Internet, exceto para eles dizerem suas baixarias, é claro - tentam bajular alguns outros busólogos emergentes que ganham destaque nos portais de ônibus na Internet, tanto para dar a falsa impressão de que são "receptivos" aos mais novos quanto para tentar cooptar alguns busólogos para apoiar a campanha que lançam contra outros busólogos.

Outro motivo é que, desde que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, adotou o "novo modelo" de transporte coletivo, com as citadas medidas antipopulares (em especial a tal "padronização visual" da pintura uniformizada nos ônibus), ele prometeu oferecer cargos funcionais e políticos para busólogos mais destacados. Isso "rachou" a busologia fluminense e abriu espaço para uns poucos reagirem com baixarias.

Essas baixarias se tornaram graves quando essas promessas não foram cumpridas. Aparentemente, o prometido cabide de emprego não se consolidou e nenhum busólogo se candidatou a vereador. Isso irritou a meia-dúzia de busólogos que passou a liderar campanhas para expulsar discordantes das redes sociais (comunidades BUSÓLOGOS DO RJ no Facebook e Orkut).

Ou seja, para se vingarem de não terem sido chamados para ocupar cargos importantes nos gabinetes do secretário de Paes, Alexandre Sansão, ou do DETRO (órgão que cuida das linhas intermunicipais de ônibus), eles tentam afastar do hobby alguns membros que consideram "incômodos", preferindo manter apenas o grupo capaz de expressar um "pensamento único" na busologia mais condescendente com imposições político-tecnocráticas.

São esses motivos que fazem com que o hobby da busologia, no Rio de Janeiro, entre na sua grave crise, dentro de um contexto em que se confrontam dois extremos antagônicos na democracia na Internet, que é a proibição de publicação livre e responsável de fotos de busólogos por outros que não sejam da "panela" - mesmo a título de informação ou mesmo de homenagem - e a publicação gratuita de calúnias para desmoralizar busólogos independentes.

Enquanto isso, os passageiros de ônibus dão continuidade ao seu sofrimento do dia-a-dia.

A (IMPRÓPRIA) MEDIDA DOS PROGRAMAS POLICIALESCOS NAS TARDES NA TV


Por Alexandre Figueiredo

Há muito tempo, uma coisa errada acontece nas televisões do Brasil. Com a obsessão de chamar mais audiência, a veiculação de conteúdo violento, através de filmes de ação e programas de noticiário policialesco, virou uma febre na TV aberta.

O pior é que essa mania fez com que o conteúdo violento fosse despejado justamente à tarde, diante de crianças na sala e tudo, e infelizmente continua valendo, apesar das reclamações cada vez mais crescentes.

Claro, em nome do rótulo de "popular", se santifica qualquer barbaridade. Se reclamamos, a intelectualidade dominante cai em uníssono, nos acusando de "elitistas" e "preconceituosos", tentando relativizar o ruim com se fosse "coisa boa", às custas de muita, muita, muita retórica. E muita choradeira também, mesmo expostas nas "mais científicas" monografias.

E a chamada "imprensa policialesca" não é excessão à regra nessa choradeira capaz de transformar reles funqueiros em "ativistas sociais" ou bregas à beira do ostracismo em "gênios vanguardistas". Quem conta um conto aumenta um ponto, quem glamouriza uma lorota ganha mais pontos. É tudo pelo "popular".

Há o caso dos jornais impressos que seus defensores, confusos, não sabem dizer se é "imprensa investigativa" ou "jornalismo de humor". E, desconhecendo totalmente a história de nossa imprensa, só "de ouvir falar", acham que jornalecos como Meia Hora e Supernotícia são "inspirados" na Última Hora ou no Pasquim. Verdadeiro atestado de burrice e desinformação históricas.

E há também os programas televisivos. Sempre com algum apresentador um tanto bronco, prometendo "justiça" para os espectadores, mostrando o "mundo cão" como se a realidade fosse isso. E sem medir escrúpulos em apresentar assassinatos para telespectadores mais sensíveis e até na mais tenra idade infantil.

Tudo isso veio desde que o Aqui Agora fixou nas tardes o filão dos programas policialescos, nos anos 90, algo inconveniente mas defendido com unhas e dentes pelos executivos de televisão. Foi a radicalização de um processo que até houve antes, de forma secundária, que foi a vulgarização da televisão, numa espécie de populismo canhestro, com um quê de conservador, que nada tinha a ver com o nacional-popular da era Jango.

Isso era batata. Afinal, o começo dessa onda popularesca veio logo com a ditadura em 1964, com um dos primeiros deslizes da TV Cultura de São Paulo, então ligada aos Diários Associados, ao criar um talk show com o sensacionalista Jacinto Figuiera Jr.. Sabem aqueles programas em que familiares brigam até causar quebradeira por causa de bobagens? Pois é.

Mas antes havia muitas alternativas na televisão. E, antes do golpe de 1964, culturalmente procurávamos nos evoluir. Imagine um programa do formato Viola Minha Viola que Inezita Barroso apresenta atualmente, transmitido pela TV Record? Hoje seria impensável, teria que ter muito breganejo para salvar audiência, e se até o programa teve que, dentro da lógica tucana da TV Cultura atual, receber canastrões como Chitãozinho & Xororó e Daniel (de quê, afinal?), dá para sentir o drama da televisão de hoje, em que o comercialismo contamina até mesmo antigos oásis como as emissoras educativas e a TV paga.

E o que dizer de Móbile, que Fernando Faro, um programa vanguardista que alternava, em edição aparentemente aleatória, entrevistas, vinhetas, curtas e clipes, passar em 1962 na TV Paulista, uma emissora comercial? A televisão aberta nem era 24 horas, em média as emissoras entravam no ar às 15 horas, e a popularização da televisão pré-1964 não indicava uma inclinação ao popularesco mais grosseiro.

Nas tardes, só para se ter uma ideia, havia programas femininos ou programas infantis. Quando muito, um boletim jornalístico era lançado para noticiar um fato grave. Mas nada desse "jornalismo mundo cão" que se despeja hoje ainda sob o céu claro.

O que acontece hoje na televisão é altamente vergonhoso. Mas, à menor reclamação do grotesco que existe hoje sob o rótulo de "popular", somos acusados de "preconceituosos" e "elitistas". Os intelectuais se gabam com sua defesa à "ditabranda do mau gosto", que para eles é "causa nobilíssima", mas poucos admitem que essa questão de gosto inexiste, porque tudo hoje na mídia é motivo mais de persuasão.

Mas não vamos nos ater agora nessa questão de gosto. Já foi publicado um texto assim, mas ainda vai se falar nesse gosto artificialmente conduzido pela mídia, nesse "popular" midiático onde o povo pobre é "convidado" a se tornar caricatura e estereótipo de si mesmo, para o gozo da intelectualidade mais paternalista.

Não temos, atualmente, pessoas de visão como Walter Clark ou Fernando Barbosa Lima, este ainda mais audacioso. Walter pensava numa televisão comercial de qualidade, e, mesmo sendo ex-TV Rio, pôde adaptar até mesmo as conquistas da TV Excelsior para a programação da Rede Globo, evidentemente naquilo que ideologicamente não feria os interesses da ditadura (mas às vezes sim, como na primeira versão da novela Roque Santeiro, quase pronta para entar no ar em 1975 até ser vetada pela censura).

Já Fernando Barbosa Lima, filho de Barbosa Lima Sobrinho, queria mais ousadia, aperfeiçoando a linguagem da televisão com o máximo de qualidade, sem deixar de dialogar para o público simples. Mas mesmo os executivos de televisão eram mais flexíveis. E olha que Barbosa Lima era ligado a uma agência de comunicação, a Esquire. Tudo poderia sucumbir ao comercialismo mais pragmático, mas naquela época havia respeito ao cidadão.

Aqui tudo é feito através do jabaculê, da libertinagem, e ainda se fala que isso é "a verdadeira cultura", só por causa da palavrinha mágica "popular". E vemos o quanto de efeitos nocivos isso causa. E o quanto é ridículo nossos intelectuais falarem que nossas críticas contra o "popular" midiático são preconceituosas.

Criticamos o popularesco da mesma forma que criticamos o analfabetismo. Defender a alfabetização é "europeizar" o povo pobre? Defender uma cultura melhor é "aburguesar" as periferias? Enquanto a intelectualidade faz cara feia com as críticas feitas à "divertida cultura de massa", a degradação sócio-cultural acontece desafiando o mais condescendente relativismo intelectualoide.

Pois a violência que aparece nos filmes de ação - agora tidos como pretensamente cult - e pelo noticiário popularesco que jura só "mostrar a realidade nua e crua das ruas", além de viciar os hábitos do público, acaba criando gerações de jovens agressivos, que desprezam qualquer necessidade de respeito humano e resolvem as coisas, na "melhor" das hipóteses, através da trolagem mais depreciadora na Internet.

As brigas de torcidas organizadas de futebol, por exemplo, ou os crimes conjugais, os parricídios, fratricídios, os latrocínios que tornam qualquer ladrão pé-de-chinelo altamente perigoso por conta de um revólver na mão, tudo isso é movido por uma visão de "justiça" que só empurra uma injustiça contra outra.

O intelectual que defende essas barbaridades midiáticas porque "é divertido e o povo gosta" não deve saber bem das coisas. Sua visão é elitista, por mais que ele julgue o contrário. E, tentando promover justiça com o povo pobre, é o que mais promove sua injustiça, porque em vez de defender, de fato, o povo pobre, o intelectual de nome acaba defendendo mesmo o que os barões da mídia fazem com a população pobre.

Na boa, os programas de noticiário policialesco deveriam ser transmitidos, na mais generosa hipótese, na meia noite, ou à uma da manhã durante os horários de verão. Não dá para admitir que programas assim sejam transmitidos abertamente de tarde, expostos até para a criançada, mesmo com as mais persistentes alegações.

Até porque o "grosso" da violência humana costuma ocorrer nas madrugadas de qualquer lugar. Seria mais justificável transmitir um programa policialesco nesse horário. Até por causa da "demanda" que é maior nesses horários. Não melhoraria nossa TV, mas seria mais conveniente.


domingo, 26 de agosto de 2012

O PAÍS TRAÍDO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Enquanto os intelectuais que se acham os "juízes máximos da cultura popular" acham as favelas um máximo, como se elas fossem uma "arquitetura pós-moderna", a realidade mostra que o povo não vive nelas porque quer, mas porque não tem moradia melhor.

A exclusão imobiliária é uma realidade triste, mas os "etnólogos pop" não querem saber, eles glamourizam a miséria e ainda conseguem arrancar aplausos dentro da "unanimidade burra" de suas palestras e de seus textos publicados. Eles não entendem as desigualdades de nosso país, mas ficam se achando.

Claro que esses "etnólogos" nunca viram uma favela pegar fogo, como nos inúmeros incêndios que dizimaram várias delas em São Paulo. Para eles, favela é um "paraíso torto". Coitados, nunca viram pessoalmente a periferia que julgam conhecer tão bem, a não ser em documentários e reportagens de TV.

Outros aspectos também são citados e que afirmam que o Brasil sofre grande desigualdade social.

O país traído

Por Mino Carta - Carta Capital, reproduzido também no Boilerdo

Em São Paulo, tempos ásperos. Leio: uma residência particular é assaltada a cada hora, o roubo de carros multiplica-se nos estacionamentos dos shopping centers. Entre parênteses, recantos deslumbrantes, alguns são os mais imponentes e ricos do mundo. Que se curva. Um jornalão, na prática samaritana do serviço aos leitores, fornece um receituário destinado a abrandar o risco. Reforce as fechaduras, instale um sistema de alarme etc. etc.
Em vão esperemos por algo mais, a reflexão séria de algum órgão midiático, ou de um solitário editorialista, colunista, articulista, a respeito das enésimas provas da inexorável progressão da criminalidade. Diga-se que uma análise honesta não exige esforço desumano, muito pelo contrário.

Enquanto as metrópoles nacionais figuram entre as mais violentas do mundo, acima de 50 mil brasileiros são assassinados anualmente, e um relatório divulgado esta semana pelas Nações Unidas coloca o Brasil em quarto lugar na classificação dos mais desiguais da América Latina, precedido por Guatemala, Honduras e Colômbia. O documento informa que 28% da população brasileira mora em favelas, sem contar quem vive nos inúmeros grotões do País.

Vale acrescentar que mais de 60% do nosso território não é alcançado pelo saneamento básico. Ou sublinhar a precariedade da saúde pública e do nosso ensino em geral. Dispomos de uma cornucópia maligna de dados terrificantes. Em contrapartida, capitais brasileiros refugiados em paraísos fiscais somam uma extravasante importância que coloca os graúdos nativos em quarto lugar entre os maiores evasores globais.

É do conhecimento até do mundo mineral que o desequilíbrio social é o maior problema do País. Dele decorrem os demais. Entrave fatal para o exercício de um capitalismo razoavelmente saudável. E evitemos tocar na tecla do desenvolvimento democrático. Mas quantos não se conformam? Não serão, decerto, os ricos em bilhões, e a turma dos aspirantes, cada vez mais ostensivos na exibição de seu poder de compra e de seu mau gosto. Não serão os profissionais da política, sempre que não soe a hora da retórica. Não será a mídia, concentrada no ataque a tudo que se faça em odor de PT, ou em nome da igualdade e da justiça.

Nada de espantos, o Brasil ainda vive a dicotomia casa-grande–senzala. CartaCapital e especificamente o acima assinado queixam-se com frequência do silêncio da mídia diante de situações escusas, de denúncias bem fundamentadas, de provas irrefutáveis de mazelas sem conta. Penso no assunto, para chegar à conclusão de que há algo pior. Bem pior. Trata-se da insensibilidade diante da desgraça, da miséria, do atraso. Da traição cometida contra o País que alguns canalhas chamam de pátria.

Exemplo recentíssimo. Há quem lamente os resultados relativamente medíocres dos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Londres. Parece-me, porém, que ninguém se perguntou por que um povo tão miscigenado, a contar nas competições esportivas inclusive com a potência e a flexibilidade da fibra longa da raça negra, não consegue os mesmos resultados alcançados em primeiro lugar pelos Estados Unidos. Ou pela Jamaica. Responder a este por que é tão simples quanto a tudo o mais. O Brasil não é o que merece ser, e está muito longe de ser, por causa de tanto descaso, de tanto egoísmo, de tanta ferocidade. De tanta incompetência dos senhores da casa-grande. Carregamos a infelicidade da maioria como a bola de ferro atada aos pés do convicto.

Mesmo o remediado não se incomoda se um mercado persa se estabelece em cada esquina. Basta erguer os vidros do carro e travar as portas. Outros nem precisam disso, sua carruagem relampejante é blindada. Ou dispõem de helicóptero. Impávidos, levantam seus prédios como torres de castelos medievais e das alturas contemplam impassíveis os casebres dos servos da gleba espalhados abaixo. A dita classe média acostumou-se com os panoramas da miséria, com a inestimável contribuição da mídia e das suas invenções, omissões, mentiras. E silêncios.

Às vezes me ocorre a possibilidade, condescendente, de que a insensibilidade seja o fruto carnudo da burrice.

O RIDÍCULO DO MACHISMO DAS "POPOZUDAS"


Por Alexandre Figueiredo

Está ficando cansativo, está ficando repetitivo, está ficando completamente inútil. Mas a coisa não para. A exploração vulgar e machista da mulher brasileira, através do saturado "circo" das "popozudas", que alimenta todo um mercado controlado por MACHISTAS e destinado aos MACHISTAS, continua existindo, constrangendo as mulheres e os homens que não compartilham desse verdadeiro recreio do "machismo-uia", aquele machismo meio envergonhado, meio festivo e muito tolo.

É uma inflação de "mulheres-frutas", paniquetes, "musas do MMA", "musas do Brasileirão", "garotas da laje", dançarinas de "pagodão" e tudo o mais. E, o que é pior, o mercado é tão saturado que as novas entram sem que as veteranas saiam de cena. Tudo vira um espetáculo da vulgaridade mais explícita, da mediocridade, da imbecilização, da qual não podemos contestar porque pode surgir um troleiro fazendo gozações baratas.

Evidentemente, esses troleiros, muitos deles expressões típicas do "machismo-uia", são "pegadores" frustrados, punheteiros envergonhados que têm vergonha de tudo, exceto de escrever baixarias na Internet. E só eles é que acham que essas "popozudas" são as "deusas absolutas". Coitados, nunca devem ter visto uma Natalie Portman na vida.

A foto acima, desculpem o grotesco, mostra a Andressa Soares, a Mulher Melancia, e a Solange Gomes, ex-"garota da banheira" de Gugu Liberato, "medindo" os glúteos no programa de Gilberto Barros, o "Leão", espécie de "genérico" de Carlos "Ratinho" Massa.

A participação se destina ao programa que "Leão" apresenta na falida Rede TV!, o Sábado Total, tido como "de variedades".

Sem o que mostrar e apelando para o sensacionalismo barato, as duas "musas" foram ao programa apenas para "medição de bumbum", numa atitude bastante constrangedora, típica das duas. Tempos atrás, a Mulher Melancia se autoproclamava "inteligente", numa época em que, na Inglaterra, a esforçada Keira Knightley declarava que precisava estudar muito e ler livros, por não ter nível universitário.

Solange também havia dito no Twitter que "não necessitava ler livros porque é formada na faculdade da vida (?!)". Mas, ironicamente, está preparando um livro só para descrever os processos judiciais que move contra o ex-marido, o cantor de sambrega Vaguinho, ex-Morenos e hoje pastor evangélico.

Quando o Brasil precisa progredir, lutando pela dignidade das mulheres, a vulgaridade feminina atrapalha qualquer esforço. As feministas dão um duro danado para barrar a impunidade, e até o feminicídio - que cresce assustadoramente no país - sofre uma campanha de parte delas para que seja reconhecido como crime hediondo (campanha que eu apoio totalmente).

E, de repente, meu irmão chegou no momento em que escrevo este texto mostrando a notícia de que, só em Niterói, uma média diária de mulheres é vítima de agressão. Enquanto isso, as "popozudas" promovem a péssima imagem da mulher das classes populares, como se ter glúteos grandes é sinônimo de ser idiota.

As reações contra esses "brinquedos de machistas" que são as "popozudas" ocorrem, é só clicar nesta segunda figura. Eu mesmo lancei esse termo no meu comentário. E a ditadura midiática alimenta com gosto esse mercado constrangedor, que ofende as mulheres e vicia os homens na sua tara sexual de cada dia.

Nada disso traz qualquer dignidade para as mulheres. É tudo vulgaridade, humilhação, desgosto. E não dá para achar que o "mau gosto é lindo", que "mau gost´é causa nobre" porque é impossível. A breguice, a vulgaridade e outras aberrações constrangem até mesmo muita gente das periferias. Enquanto isso, são as elites que apoiam essa breguice em todos os sentidos.

Assim disse Chico Buarque: "quem te viu, quem te vê".

O "FUNK CARIOCA" E SUA "URUBOLOGIA"


Por Alexandre Figueiredo

Nas redes sociais, defensores do "funk carioca" se sentiram incomodados com os textos que questionam o ritmo na Internet. Um deles, mais recente, "A apropriação do funk autêntico pelo bastardo", foi o alvo de críticas que supunham que eu estava desinformado sobre o ritmo.

Claro, o que vale, para tais pessoas, é a versão oficial, a da mídia, a das Organizações Globo. O que tiver a assinatura dos irmãos Marinho, da famiglia Frias e dos Civita é lei. Até no "funk carioca", que se julga "sem mídia" mas sempre esteve aliado aos barões da mídia. Até o reino mineral sabe dessas coisas.

O "funk carioca" adota essa postura, de não aceitar questionamentos, semelhante ao que vemos na revista Veja. Imagine se o Tropicalismo tivesse sido criado, não por Caetano Veloso e Gilberto Gil, mas por Diogo Mainardi e José Luiz Datena. Daria exatamente no "funk carioca", com suas buzinas, seus "tamborzões" e os "tchuscudá-tchuscu-tchuscudá" dos MCs de apoio.

"Você está desinformado sobre o que acontece no gênero", dizem, "diplomaticamente", esses defensores. É justamente isso que Veja faz, por exemplo, quando reclama que parte da sociedade "não tem ideia" das "maravilhas" do livre-mercado, que, quando realiza demissões em massa, "sugere" para os desempregados se virarem em outra coisa, de preferência pagando não-sei-o-quê de cursos de especialização, com que dinheiro não se sabe etc.

É uma espécie de "urubologia" funqueira. Seus dirigentes e defensores fazem a choradeira na mídia dizendo que são "vítimas de preconceito". Fazem toda uma verborragia para dizer que o mero consumismo funqueiro é "ativismo social". Fazem toda essa campanha, mas no entanto não aceitam ser questionados. E, de tão questionados pela sociedade, já ficam nervosos e tentam fazer réplicas sem sentido.

Claro, enquanto eles posam de vítimas e inventam que estão fora da mídia, mesmo estando em tudo quanto é espaço nas Organizações Globo e na Folha de São Paulo, eles são os donos do mercado. Os empresários do "funk carioca", tão "pobrezinhos", praticamente são os donos das favelas e impõem o que o povo pobre tem que consumir, que é, claro, o "funk carioca", ou, quando muito, aquele insosso "pagode romântico" ou sambrega.

O discurso dos dirigentes funqueiros e seus militantes é bastante conhecido. Além da habitual choradeira, eles criam um "pancadocentrismo" - não chamo funkocentrismo porque aqui não inclui o funk autêntico de Tim Maia, James Brown etc - no qual o "funk carioca" é a medida de todas as coisas. O tal pancadão ou batidão são o centro do universo, segundo esses retóricos. E quem contestar isso "não sabe" das coisas.

Ou seja, os defensores do "funk carioca" só aceitam o samba, o baião e outros ritmos quando subordinados ao império funqueiro. Primeiro vem o "funk", o resto vem em segundo plano. Isso em si já mostra o quanto o "funk carioca" está no poder, de braços dados com os barões da mídia.

Lembra muito a Idade Média e as imposições dos sacerdotes de então. E as favelas são escravizadas pelo "funk carioca", não podem ter outra expressão. Muitas jovens querem ser professoras, cozinheiras, costureiras etc. Terão que ser MCs ou "mulheres-frutas". Lei do mercado. Lei da selva. E quem contestar isso "não sabe" das coisas.

Esse "pancadocentrismo" mostra o quanto o "funk carioca" cria reservas de mercado facilmente. A choradeira faz o ritmo penetrar em redutos de classes mais abastadas, e o ritmo já faz parte do "cardápio" das festas de aniversários organizadas por produtoras de eventos. A choradeira tenta sensibilizar a sociedade, a "urubologia" tenta intimidar os críticos. Mas não consegue.

Afinal, os dirigentes funqueiros acabam se comportando igual a Veja, a José Serra, ao PSDB, ao Merval Pereira. Eles não aceitam críticas. Tentam fazer proselitismo nas esquerdas (vide MC Leonardo escrevendo para Caros Amigos), mas falam mal das esquerdas pelas costas. Tentam ser totalitários, absolutistas, centralizadores, e ainda têm a coragem de desmentir isso. Mas seu discurso sempre vai no mesmo caminho: o de tentar convencer-nos que o "funk carioca" é a medida de todas as coisas.

Querem tolerância, mas não aceitam críticas. Vá-se entender...

sábado, 25 de agosto de 2012

EUA MANTÉM BRADLEY SOB TORTURA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A dita "democracia" norte-americana tenta pressionar para que se evite algum esforço de investigar as violências que os carcereiros fazem contra o soldado Bradley Manning, acusado de ter ajudado Julian Assange a divulgar documentos secretos do Pentágono e do Departamento de Estado dos EUA no portal Wikileaks. Manning é mantido em condições degradantes, nunca foi interrogado em juízo e ainda por cima é eventualmente violentado na sua rotina na prisão.


Enquanto isso, ativistas realizam protestos e manifestações pela liberdade de Brad Manning, que ainda por cima está ameaçado de sofrer a pena de morte. Um abaixo-assinado, aliás, contou até mesmo com um antigo professor do presidente norte-americano Barack Obama, Laurence Tribe, que julgou a situação do soldado imoral e ilega.

EUA mantém Bradley sob tortura

Do jornal Hora do Povo

Ao falar da sacada da embaixada do Equador em Londres, o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, pôs em evidência o soldado Bradley Manning, que está há mais de 810 dias em uma cela solitária e sob tortura nos EUA, acusado de ter vazado centenas de milhares de telegramas do Pentágono e do Departamento de Estado, assim como vídeos de crimes de guerra, considerando-o, caso seja a fonte dos mesmos, como "um dos presos políticos mais importantes do mundo".

Ilegalidade

Preso desde maio de 2010 em um centro do corpo de marines em Quantico, na Virgínia, incomunicável, Manning vem recebendo, segundo seu advogado, David Coombs, "um tratamento humilhante e degradante". "É uma forma de tortura", disse à BBC Ann Wright, ex-militar que deixou o exército norte-americano em protesto contra a invasão do Iraque. De acordo com as denúncias, Manning é forçado a ficar despido, a permanecer em pé sem poder se encostar a alguma estrutura por horas a fio, a cada cinco minutos é obrigado a responder aos carcereiros e é acordado durante o sono se voltar a face para a parede. Como assinalou Ann, trata-se "das técnicas trágicas que a Marinha usou em Guantánamo e Abu Graib".

O porta-voz da secretária de Estado Hillary Clinton, P.J. Crowlely, foi forçado a se demitir após afirmar que Manning não fora declarado culpado de crime algum e que sua prisão era "contraproducente e estúpida". Com base nas denúncias, o relator da ONU para casos de tortura, Juan Mendez, tentou investigar a situação de Manning, mas foi impedido pelo Pentágono, que não aceitou que ele se reunisse sozinho com o soldado. Visita, só na presença de oficiais dos EUA. Mendez se declarou "desapontado e frustrado com a má-fé" do governo norte-americano. A Anistia Internacional também teve negado pedido para vê-lo.

Manning enfrenta mais de 22 acusações, inclusive a de "colaborar com o inimigo", e está ameaçado até mesmo de execução. Ativistas e entidades de direitos humanos têm organizado protestos em frente à prisão em que Manning está encarcerado e arrecadado fundos para sua defesa. Mais de 250 juristas enviaram uma carta aberta a Obama, em que afirmam "que não há desculpas para este tratamento degradante e desumano antes de um julgamento". Entre os signatários, está Laurence Tribe, que deu aulas de direito a Obama em Harvard e que chegou a declará-lo seu melhor aluno. Ele classificou as condições de prisão de "ilegais e imorais".

Como se sabe, os documentos não foram "passados ao inimigo" – se é que foi ele – e sim ao WikiLeaks e daí às páginas dos jornais e telas das emissoras de TV do mundo inteiro o que, como os "Papéis do Pentágono" fizeram em 1971 em relação à guerra do Vietnã, só ajuda a impulsionar uma saída dos atoleiros no Iraque e Afeganistão. O que os documentos vazados mostraram foram centenas de milhares de atos do governo dos EUA intervindo no mundo inteiro, e o desastre no Iraque e Afeganistão. Um dos mais impactantes documentos é, exatamente, um vídeo da guerra do Iraque, em que um helicóptero é orientado, pela base, a disparar contra oito civis iraquianos. Os assassinatos são consumados diante das câmeras.

Chantagem

Ao que tudo indica, a tortura contra Manning tem como um dos objetivos fazê-lo incriminar Assange, contra quem, segundo o jornal inglês "Guardian", já há um indiciamento secreto e já está pronto um tribunal. No governo Nixon, os "Papéis do Pentágono" acabaram por apressar o final da guerra, e o nome de Daniel Ellsberg virou história. No de Obama, 2012, o soldado Manning está na câmara de tortura.

OS "PURISTAS" E OS "SUJOS" DE UM MESMO DISCURSO


Por Alexandre Figueiredo

Não tem como escapar. Brega-popularesco, a dita "cultura popular" de mercado, é respaldado pela mesma mídia conservadora e reacionária que tenta controlar a opinião pública em nosso país.

A intelectualidade associada tenta se desvencilhar da grande mídia e do tucanato, mas os frutos não caem longe das árvores, e há muito de Fernando Henrique Cardoso em ideias propagadas por Paulo César Araújo, Ronaldo Lemos, Pedro Alexandre Sanches, entre outros.

Recentemente, vimos situações aparentemente diferentes, mas frutos de uma mesma postura. O candidato à Prefeitura de São Paulo e presidenciável derrotado em 2010, José Serra, costuma chamar os blogueiros que fazem críticas a ele de "sujos".

Numa aparente contrapartida, Pedro Alexandre Sanches, propagandista da mediocridade cultural do brega-popularesco, tenta chamar os críticos a essa pretensa "cultura popular" de "puristas". Embora as palavras "sujos" e "puristas" tenham um sentido oposto, uns associados à ideia de sujeira e outros à ideia de limpeza, as classificações seguem o mesmíssimo sentido pejorativo.

Afinal, há o "purismo" político das esquerdas verdadeiras - não o fisiologismo partidário esquerdista, este que é até duramente criticado por ativistas de esquerda - , que constrange Serra. E há os "analistas sujos", que preferem "melar" os sucessos "populares" da mídia, "analistas" estes que constrangem Sanches.

É a mesma coisa. As acusações vão contra quem se opõe ao livre-mercado, que tem José Serra como um de seus representantes políticos mais destacados - embora não necessariamente o mais prestigiado - e tem como trilha sonora as breguices defendidas por Pedro Alexandre Sanches, que, sabemos, teve sua formação ideológica calcada no Projeto Folha de Otávio Frias Filho e nos conceitos tucanos de "cultura popular" ensinados por alguns professores da Universidade de São Paulo.

Os "sujos" seriam aqueles que furam o bloqueio reacionário da velha grande imprensa no processo de formação de opinião, assim como os "puristas" seriam aqueles que furam o bloqueio da velha intelectualidade pop que endeusa a "cultura de massa" deslumbrada com o rótulo "popular" que disfarça seus elitismos pessoais.

Os "sujos" falam em movimentos sociais, em reivindicações das classes populares, em pontos de vista que desagradam os "gurus" do livre-mercado. Os "puristas" querem a melhoria da sociedade através da cultura, querem cidadania, melhorias nos valores sociais, querem ética e honestidade, contrariando toda a "festa" da "cultura de massa" que os "gurus" do livre-mercado brega-popularesco tanto defendem.

FALANDO SÉRIO

Mas, comparações à parte, as acusações de "purismo" contra aqueles que criticam o brega-popularesco nem de longe podem ser consideradas consistentes. O que se defende, na música brasileira, não é o congelamento da trajetória da MPB à chamada "música de raiz", mas a continuidade do seu caminho, sem as deturpações e distorções trazidas pela "cultura de massa".

Não queremos abolir guitarras elétricas, órgãos Hammond ou aprisionar o samba nos pandeiros e cavaquinhos. Queremos, sim, a música brasileira de verdade, com as assimilações de influências de fora a que se tem direito, e não a que se tem pela obrigação midiática.

Hoje a chamada "cultura popular" não é decidida pelo povo. Ela é decidida por uma elite - sim, uma elite - de programadores radiofônicos e televisivos e de oligarquias empresariais regionais, nacionais ou multinacionais. Essa é a verdade que a intelectualidade mais badalada faz vista grossa.

Eu mesmo baseei meu gosto musical, na adolescência, através de rock alternativo, sobretudo Smiths, banda britânica extinta há 25 anos. A MPB estava entediante, com aquelas músicas românticas monótonas, que nada diziam para um rapaz feito eu, que via as moças mais atraentes das escolas se comprometerem com homens de maior status.

Isso era nos anos 80. E quem hoje pensasse que a música brega é uma "corajosa ruptura" a essa MPB "melosa" de então, está redondamente enganado. Quem ouvisse os discos menos inspirados de Guilherme Arantes e Zizi Possi e constrangesse pela monotonia musical e temática desses discos praticamente feitos às pressas, deveria no entanto prestar atenção no que nomes como José Augusto e Adriana gravavam, submetidos às mesmas regras.

E, se Lincoln Olivetti e Robson Jorge pasteurizaram a MPB, Michael Sullivan e Paulo Massadas pegaram as regras resultantes dessa pasteurização e deram um trato cosmético no brega. E chamaram alguns cantores de MPB - Fagner, Tim Maia, Alcione, Roupa Nova e uma contrariada Gal Costa - para seguir seu esquema, unindo a "MPB burguesa" ao brega feito com gosto por Wando, José Augusto e Fábio Jr., entre outros.

Feito o "crime perfeito", Olivetti e Jorge, Sullivan e Massadas, juntos, se reuniram para comporem a música "Amor Perfeito", chamando para cantar um Roberto Carlos submetido aos ditames da indústria fonográfica e sobretudo à Rede Globo, num processo de domesticação pior - embora sem danos à saúde - do que o que o "coronel" Tom Parker fez com Elvis Presley.

Portanto, pouco me importa se a música brasileira sofre a interferência de ritmos estrangeiros. Se forem assimilados espontaneamente, e não pelos ditames da mídia e do mercado - como é no caso do brega-popularesco - , eles até enriquecem, atualizam e modernizam a cultura brasileira, dialogando nossas expressões locais com o que acontece no mundo em volta.

Mas o que se vê aí não é a "cultura genialmente impura" que tão "pós-modernamente" se fala por aí, mas a gororoba que mistura alhos com bugalhos e reclama o reconhecimento do joio como parte indissociável do trigo da nossa cultura.

Desse modo, somos tão "puristas" quando reclamamos da degradação cultural de nosso país e somos tão "sujos" quando reclamamos da degradação da mídia e da política nacionais. Dá no mesmo.
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