terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O FASCISMO DE GERALDO ALCKMIN



Por Alexandre Figueiredo

Geraldo Alckmin mostrou não ter vocação democrática, através das arbitrariedades que fez nos casos da "cracolândia" e, sobretudo, de Pinheirinho. Nos dois, parece que Geraldo não foi um governador democraticamente eleito, mas se comportou como se fosse um governador biônico, nomeado pelo regime militar, vivendo nos tempos do AI-5.

Sem se atentar sobre as implicações sociais que estão por trás dos viciados de crack que consumiam o entorpecente nos arredores do centro de São Paulo, Alckmin acionou a polícia numa operação que, apesar do simpático nome de Operação Centro Legal, em parceria com o ex-aliado Gilberto Kassab (formando outro grupo político na centro-direita, mais "fisiológico"), não foi mais do que uma caçada policial aos supostos "vagabundos arruaceiros".

Sim, porque era isso que os viciados eram tratados. Gente sem emprego, deixada à própria sorte muitas vezes por conflitos familiares, falta de moradia, falta de trabalho, falta de qualquer esperança, e que ainda por cima ainda levava dura nos policiais truculentos e sem qualquer capacidade de refletir sobre suas brutalidades.

E a operação não combateu o tráfico. Os traficantes são os primeiros a fugir, têm até informantes por trás, vão vender o crack em qualquer outro lugar. Possuem também outros distribuidores, outros atravessadores. Ou seja, se Alckmin queria acabar com o pior, não acabou.

A situação até complicou. O "centro legal" ficou mais perigoso. Os viciados, além de assustados, ficaram mais revoltados, e isso pode aumentar a insegurança nas ruas. Afinal, para os viciados descontarem a repressão policial que sofreram em qualquer cidadão que aparecer andando ou indo de carro, as chances serão maiores disso acontecer.

Quanto a Pinheirinho, Alckmin parece ter sentido saudades da ditadura militar. Tanto no arbítrio da lei quanto do rompimento de qualquer legalidade que beneficiasse realmente os cidadãos. Ou seja, o que os juristas chamam de legalidade democrática.

Simplesmente sem esperar que alguma decisão judicial definitiva seja feita, Alckmin fez uma operação policial de surpresa, numa manhã de domingo, horário em que muitas pessoas dormiam ou se preparavam para mais um dia, principalmente de trabalho, porque nas comunidades pobres é comum que muita gente trabalhe nas manhãs de domingos e feriados para garantir um pouco mais de renda para a família, muitas vezes numerosa.

Imagine então se houvesse algum morador de Pinheirinho que, naquele dia, fosse fazer uma prova de concurso, e ver aquela truculência policial na sua frente. Seria um fato comprometedor, que poderia tirar o futuro profissional desejado pelo morador, cuja revolta com o ocorrido certamente iria lhe tirar, no caso, a concentração necessária para fazer a prova que ele tanto precisa para passar para um emprego estável.

Dramas pessoais ocorrem e a insensibilidade de Geraldo Alckmin o fez ser comparado a líderes fascistas. Filiado ao grupo católico medieval Opus Dei, o governador de São Paulo teria retrocedido uns dez séculos, não fosse o aparato policial "sofisticado" de uma operação de guerra. Qualquer semelhança com filmes de pancadaria não é coincidência.

Pois o Estado policialesco do governo Alckmin envergonha a todos. O caráter de surpresa da operação de desocupação de Pinheirinho tornou-se um dos mais humilhantes episódios vividos pelo povo paulista que havia aceitado colocar Alckmin no poder mais uma vez.

Em ato digno de um líder fascista, Geraldo Alckmin desprezou o interesse público, e, por ter realizado um ato arbitrário à revelia de todos e pegando os moradores do bairro popular de São José dos Campos de surpresa, Alckmin fez um verdadeiro ato de arbítrio combinado com improbidade administrativa.

Afinal, o governador paulista preferiu defender a propriedade falida (por má administração) de um especulador financeiro. Ignorou mais de 2 mil famílias, milhares de moradores. Atropelou a lei e fez uma ação de suspresa, rasteira, cínica, e por isso mesmo desonesta, porque feita à sombra da lei, sem consulta popular nem sequer jurídica.

Por isso, Geraldo Alckmin se desgasta violentamente, como um político retrógrado, sem vocação com a coisa pública, altamente reacionário, intolerante, conivente com a corrupção e até amigo dela (ou seja, um corrupto em potencial), já que pertence ao grupo político que realizou uma das maiores "festas" com o dinheiro público nacional, como cuidadosamente investigou Amaury Ribeiro Jr. no livro A Privataria Tucana.

PERIFERIA NÃO É BRINQUEDO DE INTELECTUAIS


OBVIAMENTE, O DRAMA DE PINHEIRINHO NÃO FAZ PARTE DO "ESPETÁCULO" BREGA.

Por Alexandre Figueiredo

"Moço, eu quero uma dentadura nova, dessas que colam na boca. Sou banguela e sinto muita dor aqui, onde não tem dentes", diz um trabalhador banguela para um antropólogo. Este logo responde:

- Alto lá, meu senhor. Vá primeiro fazer seu espetáculo, fale qualquer coisa, "dandá pra ganhá tentem", e depois a gente pensa se vai investir num implante dentário pro senhor".

"Moço, sou idoso, aposentado, quero ter qualidade de vida. Quero viajar, ler livros, conhecer novos amigos", diz um idoso trabalhador para um sociólogo.

- Não, meu senhor. - responde este. - O senhor tem que ficar no bar, bebendo, vendo jogo de futebol, ouvindo brega no jukebox. Pode até jogar baralho, entre uma pinga e outra. Mas se quiser uma "mulher boa", pode me dizer.

"Meu amigo, eu não sei fazer música. Canto muito mal, não tenho futuro e nem sei se a fama é um bom negócio para mim. Prefiro não arriscar, eu quero ser eletricista e viver minha vida", diz um jovem suburbano para um crítico musical.

- Nada disso! - diz este. - Você tem que fazer parte do espetáculo. Faça suas bobagens como puder, nos seus cinco primeiros anos, e, quando ficar rico e famoso, a gente faz um trainée para você e você vai fazer MPB igualzinho aqueles "bacanas" que tocam para gente rica. Nem precisa criar muito, você grava seus DVDs ao vivo, enche de covers e aí eu divulgo você como se fosse um artista injustiçado.

Sim, a periferia, infelizmente, tornou-se um brinquedo da intelectualidade "influente". Os subúrbios, roças e sertões, incluindo as favelas, são reduzidos ao playground do "deus mercado", um "mercado" que é dado como morto apenas para não assustar a "garotada".

Para essa intelectualidade, não existe o drama de Pinheirinho. Esses intelectuais tentam dizer que os pobres "são felizes no seu sofrimento", como quem "se alegra até na dor". Para eles, interessa apenas defender a música brega e seus derivados, sobretudo o tecnobrega e o "funk carioca", a pretexto de "defender" o que entendem como "movimentos sociais".

No entanto, eles defendem mesmo é o mesmo mercado que juram estar agonizando. E que, no fundo, esses intelectuais lutam para realimentá-lo com tendências e ídolos supostamente "independentes".

Isso foi claro com o tecnobrega, que tido como "discriminado pela mídia", foi cortejado por tudo que for a velha grande mídia, O Globo, Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão e até Veja. Alguma dúvida? Junte a palavra "tecnobrega" com a de algum desses veículos na busca do Google que sempre vai aparecer algum linque do estilo dentro de um veículo desses.

E o "funk carioca"? Mr. Catra ainda era tido como "sem mídia" quando entrava no Projac pelas portas da frente. Talvez nem precisasse se apresentar à portaria, o porteiro deve estar familiarizado. E a Banda Calypso, abraçada até a Marcelo Madureira? Mera coincidência? Não, nada disso.

Parece que até existe uma manobra para o ídolo brega-popularesco "desaparecer" na mídia. Se, numa determinada época, ele aparece na Rede Globo, para milhões de espectadores, na temporada seguinte ele tem que aparecer na Rede Record. Um passo para ele dizer que "está meio fora da mídia". Na temporada seguinte, ele pode simplesmente fazer uma apresentação no próximo Recbeat e, pronto, ele agora pode dizer que "a mídia não dá bola para ele".

"VIOLAÇÃO" DE TÚMULOS PARA REFORÇAR "TESES"

E a intelectualidade faz a maior propaganda. Quer dizer, travestida em técnicas mais avançadas do discurso intelectual, como o New Journalism e a História das Mentalidades. E a intelectualidade não mede escrúpulos para fazer sua "violação" nos túmulos alheios, para usar antigos artistas e intelectuais para "assinar embaixo" nas suas teses pró-brega.

Dessa forma, Oswald de Andrade é usado geralmente para "desmentir" a "americanização" de vários ritmos brega-popularescos, e o poeta modernista não está mais aqui para reclamar da interpretação deturpada de suas ideias.

Por outro lado, o poeta baiano Gregório de Matos, o "Boca do Inferno", é usado para "justificar" as baixarias que hoje se comete no "pagodão" baiano ou no "funk carioca". Também não está aqui para intervir nas deturpações de sua sátira poética, que não podem, evidentemente, serem confundidas com a baixaria gratuita do brega-popularesco mais rasteiro, que nada têm de sátira, a não ser a própria deturpação mercadológica da imagem de povo pobre.

Mas outras apropriações são feitas. De Lupicínio Rodrigues a Itamar Assumpção, passando até mesmo por Raul Seixas, os mortos são usados pela intelectualidade etnocêntrica, que, insatisfeita com seu poder de influência na opinião pública - que chega aos níveis preocupantes de "endeusamento" - , quer que os mortos "falem" para eles, "defendam" visões que os mesmos mortos, se vivos fossem, reprovariam energicamente.

Tudo isso é feito para alimentar o mercadão do brega-popularesco. Que nada tem de independente nem de alternativo, isso é lorota de intelectual neocon metido a progressista. O que eles querem é usar esses rótulos como desculpa para realimentar o mercadão dominante daquilo que entendem como "cultura popular", aquela que transforma o povo pobre numa caricatura de si mesmo, num estereótipo.

Afinal, é um mercado milionário, que movimenta uma fortuna imensa, e que, por essas razões, nem de longe representa a "cultura das periferias". Seus empresários - tidos como "pobrezinhos", "coitados" - são muito mais ricos do que qualquer "aristocrata" da MPB do Biscoito Fino, mas como eles lidam com as "periferias", seu poderio, que se equipara explicitamente ao de uma grande mídia regional, pouco importa para essa intelectualidade.

Enquanto isso, o povo pobre é reduzido a meros bobos-da-corte da intelectualidade dominante. E que adianta lhes oferecer o microfone aberto, se a mesma intelectualidade tirou desse povo a consciência crítica de suas vidas?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

REDUTO DO CLUBE DA ESQUINA É CORROMPIDO PELO "BAILE FUNK"



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Um antigo ponto de encontro dos músicos do Clube da Esquina, a Praça Duque de Caxias, na Zona Leste de Belo Horizonte, virou reduto de "bailes funk". Não bastasse, por outro lado, o cancioneiro do Clube da Esquina ser vampirizado por breganejos hoje tidos como "de raiz" (Chitãozinho & Xororó e quejandos), a memória do movimento é destruída por essa verdadeira ode ao grotesco e à mediocrização cultural.

Reduto do Clube da Esquina é transformado em palco de violência por conta de baile funk

Por Marcos Niemeyer - Blogue Cacarejadas & Alfinetadas

>> Ponto de encontro nos anos 60 dos maiores ícones do importante movimento musical Clube da Esquina – a exemplo de Milton Nascimento, Lô Borges, Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e Fernando Brant – entre outros, a Praça Duque de Caxias, em Santa Teresa, na região Leste de Belo Horizonte, se transforma no mais autêntico território sem lei.

Disputas de gangues, troca de tiros e uso de drogas por conta dos repugnantes bailes funk realizados em uma antiga casa de seresta – veja indicação da seta na imagem – localizada em frente ao logradouro público, tem tirado a tranquilidade do local e colocado em risco a segurança de moradores

Nem a centenária igreja católica erguida na praça escapa da ação dos marginais. Diante da violência, o pároco limitou a abertura do templo a partir das quatro horas da tarde na tentativa de inibir os assaltos. Os bandidos tentaram roubar, inclusive, a imagem de uma santa.

Indignada com a situação, a comunidade do entorno da praça pediu providências urgentes ao comando da Polícia Militar de Minas Gerais que, por sua vez, encaminhou ofício à prefeitura solicitando o fechamento definitivo do degradante estabelecimento.

"A gente fica com medo até de sair à rua. O barulho é muito alto. Os frequentadores passam de madrugada quebrando garrafas, fazendo confusão, brigando", disse a cozinheira Maria Aparecida Cardoso, que vive no bairro há 20 anos.

Situação previsível, diante do baixo nível e da truculência de quem frequenta esse tipo de ambiente, eventos de tal natureza dificilmente não terminam em pancadaria e tiroteio. As autoridades devem adotar uma providência imediata para que o mal seja cortado pela raiz.

Esses selvagens fora da lei não podem ser tratados com flores nem tapinha nas costas. Conforme já dissemos em outras postagens, baile funk não é cultura; é caso de polícia.

FERNANDO MORAIS FEZ O QUE O FORA DO EIXO NÃO TEVE CORAGEM



Por Alexandre Figueiredo

No Fórum Social Temático, o jornalista Fernando Morais mostrou toda sua firmeza e coerência quando afirmou, sem hesitar, que não mexeria um palito para trazer a blogueira Yoani Sanchez ao Brasil.

Ele acrescentou que qualquer campanha midiática a favor de Yoani é, na verdade, uma campanha em defesa dos interesses dos EUA em oferecer sérios bloqueios à nação centro-americana. Morais admite que o governo cubano comete erros, mas diz que nada justifica a intervenção norte-americana para enfraquecer Cuba.

Essa declaração se deu pouco depois de uma manifestação feita em Jequié, pelo Coletivo Borda da Mata, ligado ao Coletivo Fora do Eixo, em favor a Yoani Sanchez e ao documentário feito por Dado Galvão sobre Cuba. Dado Galvão é ligado ao Instituto Millenium, que abriga, entre seu quadro de sócios ou dirigentes, de Pedro Bial a Reinaldo Azevedo, passando por Marcelo Madureira e Marcelo Tas, e que também apoia a blogueira cubana.

Eu vi Fernando Morais numa palestra feita no Circuito Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2009. Junto a ele, estava o conservador Paulo César Araújo, o historiador dos bregas, do qual não dá para entender por que ele é o queridinho da chamada "esquerda frágil", com aquele ar melancólico mais para alguém a um passo de ganhar uma coluna de Veja.

Mas isso é outro assunto, pois Fernando Morais é um grande jornalista, como poucos, e pude ler deliciosamente - mas, num dado momento, de forma apressada (peguei emprestado de uma biblioteca) - o livro Chatô, o Rei do Brasil, sobre o empresário da mídia Assis Chateaubriand. Eu não li o livro Olga, mas vi sua adaptação cinematográfica com a bela Camila Morgado no papel da esposa de Luiz Carlos Prestes, de cuja relação gerou a hoje historiadora Anita Leocádia Prestes.

E, claro, como todo pensador veterano, Fernando Morais vê as esquerdas de forma realista, em vez de um deslumbramento meio esquizofrênico dos mais jovens que misturam pretensiosismo esquerdista com ideias neoliberais, querendo juntar valores de cidadania com livre mercado num só bolo (fecal, de preferência).

Por isso, ouvir os mais velhos é bom. Achar como o jornalista Pedro Alexandre Sanches - que talvez queira receber, às escondidas, a blogueira cubana com quase o mesmo sobrenome - , que "só os mais jovens prestam", é reduzir as coisas na questão meramente etária. É verdade que idade é relativa, mas a sorte dos mais velhos é que eles conheceram uma realidade que os mais jovens hoje só conhecem através dos livros.

A própria mídia deturpou a realidade. A velha mídia deturpou tanto que os conceitos são confusos. A Idade Mídia é a idade das trevas e Yoani é tão "ativista social" quanto Michel Teló é "cidadão do mundo".

No fundo, Yoani Sanchez é um ícone dessa "conscientização" sem consciência que, depois dos anos 90, tomou conta da juventude média brasileira. E que simboliza a mesma gororoba de personalidades que a mídia empurra ao público, junto à Valesca Popozuda, Michel Teló, Neymar, Luciano Huck, Eike Batista, Mr. Catra, Thiaguinho, Geisy Arruda, Justin Bieber e a Luíza que voltou do Canadá.

Por isso é admirável a coerência de Fernando Morais, de uma linha de intelectuais e jornalistas que não quer saber de "socialismo de mercado", de "cidadania de escritório", de "folclore de proveta" ou outras esquizofrenias que os mais jovens, movidos por Rede Globo, Folha de São Paulo, Jovem Pan 2, Veja, 89 FM (sobretudo a fase pseudo-roqueira), por Xuxa, Luciano Huck, Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo, Gugu Liberato, José Luiz Datena etc, acreditam.

Novamente se fala: seria melhor o Brasil voltar a ficar nos eixos.

A "BOA" E "OBEDIENTE" PERIFERIA QUE A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA ADORA



Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade culturalmente "influente" em nosso país não quer saber de senso crítico. O livre e natural processo de questionar o sentido do "estabelecido", que se vê em pensadores como Noam Chomsky e Umberto Eco, aqui é visto pelos intelectuais "sem preconceitos", mas bastante precoceituosos, como "expressão do mais horroroso preconceito".

Pensar as coisas deve se limitar tão somente àquilo que não incomoda o mercado, dado como morto por essa intelectualidade, mas ressuscitado na prática sob o rótulo de "novas mídias". Que nada têm a ver com as verdadeiras novas mídias, por serem aquelas que reafirmam o "estabelecido" no mercado do entretenimento, apenas em "novas formas".

E isso envolve a questão das periferias. A intelectualidade etnocêntrica diz defender a "cultura das periferias", mas o que eles entendem por "periferias" não é mais do que uma massa "próspera", "feliz" e "resignada", gente cujo maior desejo é o tal "direito de ser pobre", uma ideia que rende aplausos mas tem um sentido muito estranho de ser.

Pois não existe Pinheirinho nos discursos dessa intelectualidade. A "periferia" dos textos de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Paulo César Araújo, Ronaldo Lemos e similares é uma periferia obediente, infantilizada - embora seus ideólogos se apressem em desmentir tal ideia - , domesticada e cortejada de forma paternalista.

Sim, esses intelectuais tentam desmentir o máximo que o povo pobre, em suas mãos, é domesticado e infantilizado, e que eles vejam as classes populares de forma paternalista. Mas de que adianta desmentir o que fazem? Também Fernando Henrique Cardoso, o mestre maior (mas aparentemente "hostilizado") por essa classe, também era de desmentir muita coisa. O método discursivo de FHC foi herdado, com perfeição, por essa intelectualidade.

POVO CONTESTADOR É VISTO COMO "ARRUACEIRO"

Prestemos muita atenção às condenações que essa intelectualidade faz contra aqueles que expressam seu senso crítico, duvidando do sentido do "sucesso popular" de tecnobregas, de funqueiros, de BBBs, de Michel Teló e o que vierem.

Na Europa e nos EUA, por mais que alguém discorde de algum pensador em dado ponto de seu raciocínio, ninguém comete o cinismo de chamá-lo de "preconceituoso", "moralista", "elitista" etc. Mas aqui, a "urubologia" desses intelectuais "tarimbados" chega ao ponto de chamar até de "racistas" aqueles que não aprovam esses fenômenos, numa forma realmente trapaceira de liquidar o discordante.

Aqui, tudo que representar uma crítica ao "estabelecido", na visão dessa intelectualidade tão endeusada pela opinião pública média, é desqualificado da forma que quiserem eles. Mas não são só os outros intelectuais, a "desprezível crítica cultural higienista", que também são desqualificados pela fúria de Sanches, Vianna, isso quando não é a ironia cafajeste do professor baiano Milton Moura, ou o reacionarismo enrustido e grosso do mineiro Eugênio Raggi.

As próprias periferias também são desqualificadas por essa intelectualidade "sem preconceitos", que certamente fecharia as janelas de seus carros para não darem esmolas para meninos de rua. Afinal, eles não estão em suas palestras animadas, quando podem dizer, pela letra morta, que "adoram" as classes populares e "admiram" suas lutas.

Isso porque, para eles, o povo pobre só é "autêntico" quando rebola, feito mico de realejo, ao som de "funk carioca", tecnobrega ou "brega de raiz", só para dizer os estilos mais pretensiosos do brega-popularesco.

Faz parte do "espetáculo" que o pobre fique no seu consumo alcoólico, no recreio da prostituição, no subemprego do comércio clandestino, no consumo de "bens culturais" impostos pela televisão e pelo rádio FM mais comerciais, mas agora "corroborados" pelas ditas "novas mídias" - tidas como "independentes" só porque não possuem escritórios em Los Angeles e São Paulo - e ainda sentir "orgulho de ser pobre".

Ou seja, a intelectualidade etnocêntrica, aquela que muita gente, por boa-fé, gosta, quer que as populações pobres sejam obedientes e cumpram o seu "bom papel" dentro do animado entretenimento popularesco, fazendo com que o discurso paternalista de Pedro Alexandre Sanches & companhia não seja maculado pelas questões sociais.

Se elas ocorrem, a intelectualidade etnocêntrica engole seco. Não pode condenar os movimentos sociais, até porque seu discurso fala, em tese, da defesa dos mesmos (embora da forma que esses intelectuais entendem por "movimentos sociais"). Mas sentem um incômodo na qual não podem descrever nem assumir, afinal cumprem um protocolo com as esquerdas engajadas.

Afinal, como membros de classes abastadas e como expressão dos interesses desta classe, essa intelectualidade, integrada a um contexto de burocratização acadêmica, corporativismo docente e de interesses mercantis no âmbito da produção cultural, se inquieta quando a população pobre deixa de cumprir o papel de "bom selvagem" e passa a lutar por melhorias de vida.

Claro, seus intelectuais vão dizer "não é bem assim, não defendemos a domesticação do povo pobre, apoiamos todas as lutas sociais em prol da qualidade de vida", de uma forma nervosa, como quem teme alguma consequência desfavorável.

Isso porque, primeiro, eles idealizam a periferia "limpinha", "colorida" e "alegre", não a periferia com qualidade de vida e melhorias reais (com beleza arquitetônica e tudo), mas a periferia obediente ao "espetáculo" popularesco, que "melhora de vida" sem ameaçar as estruturas de poder e mesmo as regras do "novo" mercado midiático imposto pelas velhas mídias (já realimentadas pelas mídias regionais, supostamente "independentes").

Por isso, caros leitores, há algo de muito estranho nessa "superioridade" na abordagem da "cultura popular" pela intelectualidade "divinizada" dos pretensos "donos" da cultura popular.

domingo, 29 de janeiro de 2012

"FORA DO EIXO" APOIA YOANI SANCHEZ EM JEQUIÉ



Por Alexandre Figueiredo

A informação foi dada através deste texto. Ontem, o grupo Coletivo Borda da Mata, grupo associado ao Coletivo Fora do Eixo em Jequié, no interior da Bahia, realizou, na Praça Rui Barbosa, naquela cidade, um evento em solidariedade à blogueira e dissidente cubana Yoani Sanchez.

O evento ocorreu em razão também da presença do cineasta Dado Galvão, autor de um documentário sobre a blogueira, Conexões Cuba-Honduras. A reunião dos "fora do eixo" teve o apoio da Prefeitura Municipal de Jequié, governada pelo PMDB, com a presença de um grupo musical local e de outro da Argentina.

Dado Galvão é ligado ao Instituto Millenium, entidade conservadora que corteja a blogueira cubana. Yoani, embora trabalhe a imagem de blogueira independente, é famosa por defender os interesses capitalistas e é queridinha da velha grande mídia.

O que estranha é um grupo ligado ao Coletivo Fora do Eixo - reportado pelo "esquerdista" Pedro Alexandre Sanches na revista Fórum deste mês - realize um evento em solidariedade a uma blogueira "independente" que no fundo defende interesses de forças reacionárias.

TECNOBREGA É "FASHION", MAS NÃO É SEM MÍDIA



Por Alexandre Figueiredo

Enquanto Gaby Amarantos vai ao Fora do Eixo reafirmar que o tecnobrega, do qual ela faz parte, "está fora da mídia", o estilo, sobretudo a própria cantora, aparece na mesma velha grande mídia que a intelectualidade associada tanto diz rejeitar os tecnobregas.

É só ver a Revista do Globo, na edição de hoje, páginas 32, 33 e 34 e lá se verá a Beyoncé do Pará - que talvez não tenha consciência de que não se faz cultura alternativa com Beyoncé Knowles - numa sessão de moda, bem à vontade no circuito grão-midiático. O tecnobrega não é sem mídia, mas pode ser "fashion".

Mas talvez os intelectualóides vão logo dizer que se trata de uma operação secreta de ocupação da velha mídia, pura lorota para calouro universitário dormir. Não dá para perceber em Gaby Amarantos, Joelma, Chimbinha, Mr. Catra ou Leandro Lehart, felizes quando entram nos cenários da velha grande mídia, supostos conspiradores guerrilheiros.

Achar que nomes assim estão na velha mídia por conta de um plano rebelde de ataque contra a velha mídia é fazer gozação contra nossa esforçada inteligência.

O tecnobrega, assim como o "funk carioca" e outros estilos popularescos, sempre estiveram de acordo com as regras, os princípios e os interesses da velha grande mídia. E está na cara que os barões da grande mídia e os "artistas" popularescos sempre estão felizes quando se encontram. Não há a menor chance de sequer supor algum plano de ataque contra a velha mídia.

Além disso, Gaby Amarantos é anunciada não só como fã de Caetano Veloso, mas como ídolo do cantor. E Caetano Veloso também é fã de Fernando Henrique Cardoso e de José Serra, além de ter defendido o termo "ditabranda".

A propósito, Fernando Henrique Cardoso e José Serra também são figuras "fora do eixo"? É bem provável que sim...

FOLHA DEFENDE "PROPRIEDADE LEGAL" DE NAHAS E AÇÃO POLICIAL NA CRACOLÂNDIA



Por Alexandre Figueiredo

A Folha de São Paulo está podendo. Na edição de hoje, a Folha divulga uma pesquisa de seu próprio instituto, a Datafolha, dizendo que 82% da população de São Paulo aprovou a operação policial contra os viciados em crack no centro paulista, numa área conhecida como Cracolândia.

Noutra reportagem, o mesmo periódico dos Frias mostra que um ex-dono da área do Pinheirinho, em São José dos Campos, ficou nervoso quando se falou que a compra do terreno pelo especulador financeiro e empresário Naji Nahas era "ilegal", o que indica a defesa do jornal à propriedade privada.

No primeiro caso, a população apenas "não deseja" que abusos sejam cometidos, como se fosse possível que tamanha arbitrariedade seja feita "sem abusos". Afinal, o governo paulista ignora que os viciados em crack estão nessa condição por problemas familiares, desemprego, abandono social de qualquer espécie. O que deveria ser feito lá é um trabalho assistencial e não uma operação policial.

No segundo caso, o ex-dono de Pinheirinho também contestou que Nahas tenha feito do terreno uma propriedade improdutiva com fins de especulação imobiliária. Pode ser até que haja pessoas trabalhando em plantações de frutas - isso quando a tal Selecta, mal administrada, funcionava - , mas a esperteza de Nahas deve envolver também falcatruas burocráticas. Ele não faz por menos.

Em todo caso, as pessoas que moravam em Pinheirinho é que têm que esperar muito tempo para receber as tais casas populares prometidas pela prefeitura da cidade. Para as autoridades tucanas, o povo é que tem que se virar e esperar as tais "melhorias". Sem prazo definido.

O que é uma pena, porque uma boa urbanização poderia ter feito Pinheirinho voltar a ser uma bela área verde, cercada de excelentes casas populares, se a comunidade tivesse sido preservada e recebido as atenções de uma prefeitura mais competente.

Mas, sabe como é o que funciona no PSDB e no seu "diário oficial" paulista. Para eles, o povo é só um detalhe.

OS NARLOQUINHOS


MATHEUS PICHONELLI E LEANDRO NARLOCH - Almas gêmeas?

Por Alexandre Figueiredo

Recentemente, em Carta Capital, o colunista Matheus Pichonelli lançou um "manual" de "como se comportar bem" nas chamadas redes sociais da Internet.

O texto, intitulado "O clichê anti-BBB", embora veiculado num portal da imprensa esquerdista, segue exatamente a mesma linha dos "Guias do Politicamente Incorreto" lançados pelo jornalista neoconservador Leandro Narloch, que havia trabalhado na revista Veja.

Narloch, por sua vez, havia se inspirado no Manual do Idiota Latino Americano, livro que alguns jornalistas latino-americanos, incluindo o filho do escritor peruano Vargas Llosa, Álvaro Vargas Llosa, para fazer seus "guias".

Eles seguem o mesmo caminho, fazer gozação contra aqueles que procuram valores culturais mais sólidos. Tudo bem que toda a unanimidade é burra, mas o caráter iconoclasta de Narloch, como é também o caso de Pichonelli, mostram o que é a campanha neocon de ridicularizar valores progressistas, usando um reacionarismo sutil, expresso pela ironia.

No "manual" de Pichonelli, ele deixa claro que certos procedimentos são "pecaminosos". Como gostar de Chico Buarque e Strokes, odiar Michel Teló como quem odeia José Sarney, e sobretudo odiar o Big Brother Brasil. Como quem quisesse apagar um incêndio com querosene, Pichonelli havia feito sua defesa ao BBB pouco antes de estourar o escândalo que hoje ameaça a sobrevida do reality show da Globo.

Nos seus "guias politicamente incorretos", Narloch seguiu o mesmo caminho, condenando os movimentos sociais, o princípio de soberania nacional, os líderes esquerdistas, sempre em comentários irônicos e exagerando nos pecados que cada ser humano pode cometer. De Karl Marx a Che Guevara, passando por João Goulart e Mahatma Gandhi, ninguém é poupado pela metralhadora giratória de Narloch.

A grande diferença entre Narloch e Pichonelli, mas que não traz grande efeito prático, é que este último, que ridiculariza a cartilha dos outros, segue a mesma cartilha pseudo-esquerdista à qual seguem comodamente figuras como o professor mineiro Eugênio Raggi e o jornalista Pedro Alexandre Sanches, queridinho da intelectualidade etnocêntrica.

Isso porque reza a cartilha pseudo-esquerdista que o neocon que adota tais posturas tem que "colaborar para a imprensa de esquerda", "atacar o PSDB", "falar mal da velha mídia", "seguir" o Emir Sader no Twitter (embora sinta ódio mortal às ideias deste renomado sociólogo), como muitos troleiros que, vendo seu reacionarismo extremo, se prontificam logo a "falar mal da Globo" para não pegar mal entre os amigos.

Talvez seja até uma forma de sobrevivência dos neocons atacar o demotucanato. É como um pirata que, vendo seu barco afundar, se refugia no navio inimigo e atira uma pedra na antiga embarcação. Mas isso também é uma forma de proteger os dedos, jogando fora os antigos anéis.

Só que as ideias conservadoras se mostram, de uma forma ou de outra, na fauna pseudo-esquerdista que ridiculariza quem procura valores culturais de qualidade, já que, no fundo, isso é o mesmo que os direitistas fazem, quando ridicularizam o desejo da América Latina de recuperar sua soberania e suas identidades nacionais, além de buscar melhor qualidade de vida.

E mostra o quanto certas pessoas, em nome do estabelecido, ainda se incomodam quando veem outras pessoas defendendo a qualidade de vida e o progresso social. Daí os Narloquinhos que pipocam em qualquer lugar, com suas ironias neocon que a ninguém enganam, mesmo escondidas na mídia de esquerda.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O FIM DA INTERNET LIVRE: ACTA NA EUROPA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Outro processo cruel de censura na Internet está em votação na Europa, o ACTA, que pode ter efeitos ainda mais devastadores que o SOPA e o PIPA norte-americanos. É algo para nos preocuparmos, e os europeus já se manifestam contra essa arbitrariedade.

O FIM DA INTERNET LIVRE: ACTA SERÁ ASSINADO HOJE

Por Marcos Paulo Góes - Blogue Libertar!

O FIM da internet livre: Além do SOPA, ACTA será assinado HOJE e ninguém parece saber de nada!
Estão chamando ele de "SOPA europeu", porém é ainda pior que a versão americana! E isto se alastrará para todo o mundo!
Só falta a Irlanda assinar...
E a mídia OMITE descaradamente!
Prepare-se pois o cerco está se fechando!
Faça backups dos seus sites, blogues e outros materiais... 2012 é um ano decisivo!
Ação-reação-solução - Não se esqueçam!

ACTA: poloneses vão às ruas protestar contra acordo antipirataria

O Acordo Comercial Anticontrafação (ACTA, em inglês Anti-Counterfeiting Trade Agreement) é um tratado comercial internacional que está sendo negociado, com o objetivo de estabelecer padrões internacionais para o cumprimento da legislação de propriedade intelectual, entre os países participantes. De acordo com seus proponentes, como resposta "ao aumento da circulação global de bens falsificados e da pirataria de obras protegidas por direitos autorais".
Veja mais informações sobre o ACTA, clique aqui.

Traduzido pelo Google
Será aprovado hoje o acordo internacional polêmico que promete uma grande ofensiva sobre o comércio de produtos falsificados - e compartilhamento de arquivos ilegais na Internet.

Representantes irlandeses vão assinar o Acordo de Comércio Anti-Contrafacção (ACTA) em uma cerimônia de amanhã - assim como representantes de cada um dos outros 26 Estados europeus membros da União, e da própria UE.
Uma vez que o acordo for assinado, ele pode então ser formalmente ratificado e aprovado em lei, uma vez que foi liberado pelo Parlamento Europeu. O tratado será assinado amanhã em Tóquio pelo embaixador da Irlanda para o Japão, John Neary.
Embora o tratado seja destinado principalmente a parar o comércio de falsificados bens físicos, contém disposições que exigem que os países participantes oferecem proteção igual e procedimentos de execução contra a violação de direitos autorais digitais.

O acordo - que não está relacionada à polêmica legislação "SOPA irlandês '- tem sido criticado por muitos, incluindo o grupo de direitos digitais Electronic Frontier Foundation, por seu impacto potencial sobre a privacidade ea liberdade de expressão.
Especificamente, ele vê os Estados-Membros concordar em permitir que fornecedores de serviços Internet (ISPs) divulgar informações de um usuário a um detentor de direitos autorais, quando este tem uma reivindicação suficiente para que o usuário está violando seus direitos autorais.
Não contornar

Ele também diz que os Estados-Membros terão de oferecer "recursos jurídicos efetivos" para assegurar que as medidas anti-roubo - como o Digital Rights Management (DRM) de proteção em arquivos de música comprados - não pode ser contornada.
A cláusula poderia significar que a Apple, por exemplo, teria que desativar sua fábrica de gravação de MP3 no iTunes -, pois poderia ser usado para remover as proteções DRM a partir de um pedaço de músicas compradas através de sua loja iTunes.
Outros críticos do tratado sugerem que ele vai proibir a distribuição de medicamentos genéricos baratos - porque atenta contra os direitos autorais das empresas farmacêuticas cuja pesquisa levou à sua descoberta.
Um porta-voz da Comissão Europeia disse que o ACTA não criaria novos direitos de propriedade intelectual, mas que servem apenas para reforçar os já existentes - e não levar a monitoramento constante do tráfego de internet.
Michele Neylon de Carlow baseado em internet empresa de hospedagem Blacknight disse que o tratado poderia forçar hosts internet a lidar diretamente com as ordens emitidas por detentores de direitos autorais, em vez de ser capaz de garantir que tais ordens foram proferidas por um tribunal.
"Se temos sido dada uma ordem judicial, a multa - não há nenhuma discussão, um juiz tomou uma decisão - mas não é isso que acontece, você não começar o seu dia no tribunal."
Neylon disse que era uma questão de "economia básica" que empresas como a dele não poderia correr até significativas taxas legais, assegurando que os procedimentos judiciais foram seguidos, quando as taxas legais muito excedeu o dinheiro que recebeu para hospedar sites em primeiro lugar.
Ele acrescentou que a situação irlandesa jurídico vigente, onde não existe uma definição formal de "uso justo", significava mesmo gosta de blogs pessoais poderiam ser sujeitos a ordens de queda se elas incluídas logotipo de uma empresa sem permissão, por exemplo.
US $ 200 bilhões da indústria

O acordo visa a reprimir o comércio de contrafacção e de mercadorias de consumo eletrônico, que a OCDE acredita que valeu a pena cerca de US $ 200 bilhões em 2007 - o equivalente a cerca de 2 por cento de todo o comércio legal em todo o mundo naquele ano.
Todos os Departamentos governo irlandês terá de confirmar que a Irlanda tem os meios legais de implementar ACTA antes de ser formalmente aprovada.
Um porta-voz do governo disse, no entanto, que a Irlanda não esperava ter que alterar a sua legislação actual - crer que as disposições do acordo já estavam contabilizados em lei irlandesa.
Ela acrescentou que as negociações sobre o acordo incluía representantes do Departamento de Empregos Empresa e Inovação e os membros da representação permanente da Irlanda na UE, em Bruxelas.
Notícias da ACTA ser ratificado pela Polónia no início desta semana atraiu a ira de anônimos e um outro grupo chamado Resistência polonesa, que atacou os sites de muitos departamentos governamentais em protesto contra a assinatura da Polônia do tratado.
Os Estados Unidos, Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Coreia do Sul, Cingapura e Marrocos - que participou na negociação do tratado - assinado até ACTA, em outubro do ano passado.
A União Europeia e da Suíça, disse na época que eles iriam oferecer o seu apoio ao tratado e que assiná-lo, logo que foi possível.
Outros países interessados ​​podem se inscrever para o negócio antes de Maio de 2013.

Fonte: http://www.thejournal.ie/ireland-and-eu-to-sign-controversial-acta-treaty-tomorrow-336764-Jan2012/

PADRONIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS NÃO É IRREVERSÍVEL



Por Alexandre Figueiredo

Os busólogos-pelegos, forjando profecia barata, tentaram assustar seus discordantes dizendo que a padronização visual dos ônibus cariocas é um processo irreversível. "Urubologicamente", tentaram dizer coisas do tipo "não adianta reclamar", "não dá para voltar para trás", "agora é tarde demais".

Queriam soar "proféticos", mas apenas tentaram intimidar com seu conservadorismo.

"Conservadorismo? Como assim? Conservadores não eram os que combatiam essa novidade?", perguntará algum desavisado.

Não. O conservadorismo está mesmo na "novidade" da padronização visual.

Primeiro, porque ela é "nova" no Rio de Janeiro, mas já existe em Curitiba desde o auge da ditadura militar.

Segundo, porque desde os anos 90 o conservadorismo ideológico usa o "novo" para esconder princípios e ideais velhos. O próprio neoliberalismo aposta sempre no "novo" como maneira de promover a exclusão social através de processos tecnocráticos e elitistas dos mais diversos.

Terceiro, todo processo de padronização visual do serviço de ônibus envolveu, de certa forma políticos conservadores. Jaime Lerner, tido como "deus da mobilidade urbana" para muitos incautos, é histórica figura da direita paranaense, originalmente ligado à ARENA.

E Lerner tem o mesmo apetite privatista voraz dos políticos tucanos investigados no livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.. Lerner privatizou um banco paranaense, uma empresa de saneamento e várias estradas, e queria muito mais, não fossem os protestos dos trabalhadores do Estado. E depois Lerner foi posar de "socialista", numa fracassada filiação ao PSB.

Em São Paulo, o banqueiro Olavo Setúbal, ligado ao então prefeito Paulo Egydio Martins (que no passado tentou "udenizar" a UNE), implantou a padronização visual. Em Belo Horizonte, o PDS mineiro fez o mesmo. E, no Rio de Janeiro, foi Eduardo Paes ligado a um antipopular PMDB, mas originalmente ligado ao PSDB carioca, mais antipopular ainda.

A padronização visual nos ônibus, do contrário que se imagina, não é um processo irreversível. Ela pode ser cancelada a qualquer momento. Chega a ser risível que políticos e tecnocratas achem isso "tecnicamente impossível" porque a padronização visual é um processo aparentemente integrante do sistema de licitação previsto para vinte anos.

Balelas.

Não foi Deus quem impôs a padronização visual nos ônibus de uma cidade ou região metropolitana. E a padronização visual dos ônibus cariocas, por exemplo, não estava incluída no documento original da licitação de transportes coletivos do governo Eduardo Paes. Só foi incluída tardiamente, conforme manobras politiqueiras.

E, além disso, é muito cinismo dizer que é "ilegal" desfazer a padronização visual dos ônibus porque, dependendo da conveniência, ilegalidades piores podem ser cometidas, como a destruição de uma área ambiental na Zona Oeste carioca para a construção da via exclusiva para o BRT, denominado de "Ligeirão".

O próprio grupo de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho são capazes de rasgar a Constituição Federal para satisfazerem seus interesses. Por coisas piores, são capazes de qualquer ilegalidade para benefício político e econômico deles próprios.

Incompetentes no trato com a coisa pública, os dois tendenciosos políticos, juntos, são capazes de acabar com o serviço público de Saúde ou de destruir um estádio de futebol de Niterói que é a única referência do antigo Estado do Rio de Janeiro, o Caio Martins. Coisa que não aconteceu graças a muita pressão política contra Cabralzinho.

DIVERSIDADE VISUAL VAI VOLTAR

É certo que, por enquanto, os passageiros cariocas terão que ter muita paciência para tentar reconhecer a diferença entre um ônibus da Matias e outro da Acari, um ônibus da Bangu e outro da Pégaso, um ônibus da Vila Isabel e outro da Braso Lisboa, ou um da Caprichosa com outro da Real.

A arrogância de autoridades, tecnocratas e dos busólogos-pelegos - que disparam até palavrões contra quem discordar de seus pontos de vista - ainda vai durar um tempo, cegamente confiantes com sua "cidadania de escritórios", acreditando que seus cálculos matemáticos vão resolver todos os problemas da sociedade.

Sabe-se que não resolvem, e diariamente a realidade desafia esses poderosos, quando a piora do sistema de ônibus do Rio de Janeiro está a olhos vistos e, comprovadamente, não será resolvida com compra de ônibus mais longos, com piso baixo e motor de marca sueca, paliativos que as autoridades só fazem para forçar a opinião pública a aceitar seus projetos retrógrados para o transporte coletivo.

Assim como não é dando presente para a criançada que um algoz se transformará num bom caráter, "presentear" busólogos com ônibus melhores, só para justificar um modelo tecnocrático de transporte, não vai tornar o sistema mais eficaz, mais justo nem o mais perfeito, sendo mais uma forma de neutralizar protestos do que de resolução de qualquer problema.

Por outro lado, Florianópolis, que abandonou a padronização visual há um bom tempo, também aderiu aos mesmos ônibus articulados, com piso baixo e motor de marca sueca que outras cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro só adotam de forma tendenciosa, para arrancar apoio da opinião pública e para plantar notícias sensacionalistas nas publicações sobre transporte coletivo.

A capital catarinense simplesmente permitiu a aquisição desses ônibus por uma natural tendência de mobilidade urbana, apesar do termo controverso que a palavra sugere e das discussões sobre a adoção obsessiva de BRTs nas cidades.

A diversidade visual dos ônibus voltará porque a identidade visual de cada empresa não é importante apenas pelo aspecto estético. A identidade visual é funcional, até porque é necessário aos passageiros reconhecer a empresa que serve uma linha, coisa que a padronização visual dificulta, mesmo com suas tentativas de "facilitar" a identificação (que não passam de tentativas de "facilitar" o que é complicado).

Com as mudanças ocorridas na sociedade - ninguém imaginaria a crise que o Big Brother Brasil, por exemplo, teria hoje em dia, e os combalidos tucanos outrora eram "matadores" nas urnas - , a padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro, uma "novidade" que não passa de um resíduo da ditadura militar, está se desgastando completamente, e se revelará ineficaz e prejudicial para os passageiros, principalmente gestantes, idosos, analfabetos, deficientes e qualquer um que esteja ocupado demais para reconhecer a diferença de um Internorte da Acari e outro da Ideal.

Até o momento, a realidade parece indicar o contrário, mas o "todo-poderoso" Alexandre Sansão, o "Ali Kamel da busologia", está com a batata assando, diante de tantos ônibus enguiçados, acidentados e até incendiados por conta de seu "moderno sistema de transporte".

Até um ônibus (da conceituada Braso Lisboa) enguiçou na frente dele, durante a inauguração de um corredor BRS em Ipanema. O secretário de transportes da prefeitura carioca esnobou, com sorridente arrogância, dizendo que isso é um "bom teste" para o corredor então inaugurado. Mas o RJ TV, que publicou a tal cena, teve que retirar o vídeo para evitar má repercussão.

A Rede Globo anda apoiando os ônibus fardados cariocas. Eles lembram, com seu design de embalagem de remédio (leia-se Berotec), seus áureos tempos de serviços à ditadura militar.

DEZ MENTIRAS QUE CERCAM O PINHEIRINHO


DESOCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO NÃO FOI PACÍFICA.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O caso Pinheirinho, a desocupada comunidade de São José dos Campos, mostra o quanto ainda existe o reacionarismo político, através da ação conjunta e truculenta da prefeitura da cidade e do governo do Estado de São Paulo, governados pela ala mais retrógrada do PSDB. Segue, antes do referido texto, um comentário que eu mesmo fiz sobre o ítem 10 desta lista, no blogue que serviu de fonte para este texto:

"O caso Pinheirinho é uma catástrofe, sim. Uma catástrofe política que mostra a verdadeira cara do fascista Geraldo Alckmin, que parece sentir saudades do AI-5, porque o processo de desocupação é digno dos tempos do DOI-CODI, do "Brasil Grande" e outras barbaridades da ditadura militar".

Pinheirinho só não é uma catástrofe no sentido de que seus ex-moradores tenham que se resignar como tal, mas continuar agindo para fazer valer seus direitos, o que felizmente é amplamente garantido por lei.

Dez mentiras que cercam o Pinheirinho

Por Hugo Albuquerque - Blogue O Descurvo

Com a tragédia ainda em curso, e a quantidade colossal de sofismas e boatos propositalmente espalhados acerca do Pinheirinho, me dei ao trabalho de selecionar as dez piores mentiras - no sentido de superstição consciente e oportunamente utilizadas pelo Poder - que estão a pairar por aí sobre o tema. Vamos lá:

1. "Não houve violações, a reintegração de posse foi pacífica"

Eis a pior e mais primária de todas. Vídeos aos montes, fotos aos milhares, além de relatos emocionados de testemunhas oculares - como o nosso Tsavkko - e de moradores - dados, inclusive, para a imprensa internacional - contradizem isso. A polícia não veio para brincar, com sua tropa de choque, suas balas de borracha e sua sede por violência. Atacaram uma comunidade formada por famílias - seus velhos, suas crianças, pessoas com necessidades especiais - e quem ficou no meio do caminho apanhou. Sobre eventuais distorções da nossa imprensa, convido à leitura do que pensa sobre isso o Guardian, um dos principais jornais do mundo.

2. "A culpa é dos moradores, por serem invasores e/ou por não terem negociado"

É a tese do varão da república (do café com leite) Elio Gaspari, devidamente rebatida pelo nosso João Telésforo. Acrescentamos ainda que o Brasil possui 22 milhões de vítimas do chamado "deficit habitacional" - o eufemismo contábil que expressa a quantidade daqueles que foram largados para morrer ao relento -, o Brasil possui uma Constituição que fala em função social da propriedade privada e em dignidade da pessoa humana, o Brasil possui uma jurisprudência que não aceita a inércia da administração pública como desculpa. para não realização de políticas públicas. Outra, não estar nem aí para um contingente de milhares de pessoas - só no caso do Pinheirinho - é uma decisão política sua, portanto, assuma o risco dela, mas esperar que essa gente simplesmente tenha de sentar e esperar a morte chegar, é pedir de mais - ou mesmo aceitar um xeque qualquer e enfie o rabo entre as pernas do lugar onde ela estão estabelecidos, só para, no fim das contas, realizar o fetiche dos credores da massa falida de um mega-especulador.

3. "Foi um processo duro, mas cumpriu-se a letra da lei"

Nem isso. Na manhã de domingo, quando ocorreu a invasão, havia um conflito de competência entre a Justiça Estadual e a Justiça Federal, portanto não havia ordem judicial que autorizasse realmente qualquer reintegração de posse. Mesmo se houvesse, uma ordem judicial não equivale a uma carta branca da polícia para fazer nada, tampouco ignorar os direitos ou as garantias daqueles cidadãos asseguradas pelas Constituição.

4. "Os moradores estão sendo atendidos devidamente"

Os moradores do Pinheirinho, depois de perderem suas casas, estão amontoados em igrejas, ginásios ou quetais. Eles estão ao relento e identificados com uma pulseira azul - por que numa estrela azul logo de uma vez?

5. "Os policiais só cumpriram ordens"

Opa, tudo bem que militares obedecem ordens, mas isso não significa que, numa democracia, um oficial deva acatar irresponsavelmente uma ordem qualquer e executa-la da maneira que bem entende - com suscitou a secretária de justiça de São Paulo Eloisa Arruda -, do contrário, lhes seria autorizado atentar contra a ordem ("democrática"), o que seria uma hipótese absurda. É evidente que os maiores responsáveis por essa hecatombe são os senhores Geraldo Alckmin e Eduardo Cury - respectivamente governador do estado e prefeito municipal de São José dos Campos -, mas os oficiais que lideraram a missão tem sua parcela de responsabilidade nessa história sim.

6. "O Pinheirinho é uma espécie de Cracolândia"

"Só se for no quesito da especulação imobiliária sobrepondo-se ao direito e à dignidade das classes pobres" como diria meu amigo joseense Rodrigo dos Reis. De resto, essa analogia - como foi utilizada pela Rede Globo - só duplica a perversão verificada no apoio à política de "dor e sofrimento", aplicada na região do centro de São Paulo chamada "Cracolândia" - um grave problema de saúde pública e de moradia, tratado à base de cacetete.

7. "O governo federal é culpado por ter politizado a situação"

Como testemunhamos na nota soltada pelo PSDB para "responder" o governo federal. Bom, nem vou perguntar como alguém poderia ter politizado uma situação que é política por natureza, mas como seria possível despolitiza-la. Ainda, é curioso como se responda ao quase silêncio do governo federal culpando-o por uma ação violenta que foi executada por dois governos seus, o estadual de São Paulo e o municipal de São José dos Campos. De novo, chuto o balde aqui: faça um, dois, um milhão de pinheirinhos, mas pelo menos assuma o que fez e não se ponha como vítima, as vítimas são os desabrigados.

8. "Os moradores do Pinheirinho são envolvidos com movimentos sociais radicais"

Membros do PSDB, como o pré-candidato paulistano Andrea Matarazzo, pensam o mesmo do correligionário Geraldo Alckmin, nem por isso alguém razoável defende que o governador seja arrancado à força do que quer que seja. No mais, o governador Alckmin ou os próceres da massa falida do Nahas na imprensa, deviam saber que vivemos numa democracia e as pessoas têm liberdade para se filiar ao grupo pacífico que bem entendem - nem na hipótese absurda de todos os moradores do Pinheirinho terem relação com o PSTU (que é como dizer que todos os moradores do bairro de Alckmin têm ligação com, p.ex. a opus dei), é fato que aquele partido jamais usou de força ou conluios no judiciário para desalojar um bairro inteiro, logo, quem é radical mesmo?

9. "O governo federal não podia ter feito, nem pode fazer, nada"

Podia sim, tanto que estava negociando uma saída pacífica, até que veio a invasão no domingo, uma boa dose de paralisia, uma comemoração de 25 de março com tucanos de alta plumagem e uma condenação vazia no recente fórum social mundial. Dizer que o Pinheirinho é Barbárie, até eu digo, Presidenta, agora mandar hospitais de campanha do exército fornecer ajuda humanitária aos milhares de desabrigados, nem todo mundo pode - e mesmo vale para a construção de moradias dignas para eles no curto prazo. Importante: não estou nivelando tucanos a petistas, esse caso deixa claro que os primeiros não têm coragem de assumir o que fazem, enquanto os segundos não têm coragem de fazer aquilo que assumem - são papéis inteiramente diferentes.

10. "O Pinheirinho é uma catástrofe, estamos todos derrotados, não há nada o que fazer contra essa marcha invencível"

Toda marcha desse tipo, em seu interior, admite uma Leningrado - e eu não estou chamando tucanos de fascistas em um sentido histórico não, afinal, aqueles tinham coragem moral de assumir o que faziam, isso foi só uma metáfora que guinadas reacionárias, por sua própria natureza, trazem consigo a possibilidade de sua derrota. No demais, não existe espaço para choradeira como colocou com precisão o Bruno Cava pelo papel que o Pinheirinho está cumprindo. Digo mais, repetindo o que já digo aqui o tempo todo: a favela é o locus definitivo de resistência daqueles que foram largados para morrer ao relento, é processo de luta, portanto, sua própria existência - e sua re-existência - é positividade pura. O antropofágico Pinheirinho, mais ainda. Derrota é a resignação, é sentar-se e aceitar morrer, nada disso aconteceu.

ESTUDANTE RELATA DESVIO DE DOAÇÕES NO PINHEIRINHO


DESABRIGADOS DA DESOCUPAÇÃO DE PINHEIRINHO SÃO ALOJADOS EM CONDIÇÕES HUMILHANTES, ENQUANTO DOAÇÕES SÃO DESVIADAS PELA PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Não bastasse o processo de remoção dos moradores de Pinheirinho, digno de tempos trevosos como os da ditadura militar, há denúncias de que as doações feitas para assistir os desabrigados da demolida favela de São José dos Campos estão sendo desviadas à revelia do conhecimento público. Mas a estudante Isadora, em mensagem enviada ao blogueiro Renato Rovai, tomou coragem e resolveu denunciar o caso.

Estudante relata desvio de doações no Pinheirinho

Por Renato Rovai - Blog do Rovai

A estudante Isadora Szklo, 19 anos, me enviou um relato bastante preocupante por email sobre uma situação que viveu nesta quarta (25) no Pinheirinho.
Aliás, se a situação é ruim ela pode ficar pior, porque a mídia (incluindo a independente) que cobria o caso, já deixou o local. Os moradores agora estão à mercê da mão violenta dos governos de da polícia.
Segue o relato de Isadora:

“Fomos hoje entregar as muitas doações para as famílias desalojadas na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ao chegar próximo do local, notamos uma grande movimentação e vimos que os ex-moradores estavam sendo removidos da Paróquia, a pedido do Padre, e sendo encaminhados para outro lugar, um ginásio, a 4 km dali. Quatro quilômetros percorridos por eles no sol de 35 graus, a pé.

Chegando ao ginásio, a Prefeitura estava tomando conta do local e a PM estava cercando, coisas que não haviam ocorrido na Igreja. Entregamos nossas mais de 15 sacolas enormes com doações de roupas, comida e itens de higiene à Juliana, que era quem estava organizando, na medida do possível, tudo lá dentro.

Passamos por cima da grade, pois a Prefeitura estava bloqueando a porta para cadastro, e resolvemos ir ao mercado para comprar o valor de mais uma doação. No caminho vimos uma senhora convulsionando e as autoridades se recusando a chamar ambulâncias. Então a PM a colocou num carro e saiu, na fúria. Várias pessoas passaram mal devido a péssima ventilação do ginásio. A ambulância se recusou a ajudar em vários momentos. E a PM também.

Voltamos do mercado e fomos procurar nossas doações. Juliana, a organizadora, nos contou que se distraiu por um minuto, e quando foi ver, a prefeitura estava levando as doações em uma viatura.

Fui questionar os agentes da Prefeitura lá presentes. Eles negaram, me chamaram de louca, mentirosa e disseram que não tinham visto nada chegar e que não roubariam os miseráveis. Ao me ver peitando tais agentes, um guarda da GCM (Guarda Civil Municipal) veio com a mão em sua arma e falou: “Você está fazendo uma acusação, fica esperta se não vai ter consequência”.

Ficamos lá por mais um tempo procurando as doações. E eles negaram até o fim que a gente tivesse entregado algo e insistiam que eu estava mentindo.

Pra piorar, serviram comida estragada aos abrigados. Linguiça verde e feijão amargo.

No Pinheirinho, vai tudo de mal a pior.

Já relatei isso à Defensoria Pública.”

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CULTURA ALTERNATIVA EM RISCO DE DETURPAÇÃO



Por Alexandre Figueiredo

Os "longos anos 90", para muitos interessados, não devem terminar. Tempos de "livre mercado", de "fim da história" e de utopias tecnológicas e globalizadas, eles agora são relançados sob o rótulo de "anos 2010", com o "novo" dissimulando o já "velho e cansado".

Afinal, não vivemos mais os tempos de valores duradouros, como na década de 1960, quando se estabeleciam princípios pensando no amanhã. São valores que, aparentemente, soam cronologicamente mais antigos que o dos anos 90, mas a diferença é que, antes, se pensava no amanhã, na posteridade, e hoje se pensa no imediato, no pragmático, daí os valores dos anos 90 serem mais perecíveis do que os de trinta anos antes.

Dos anos 70 para cá e, com maior intensidade, desde os anos 90, pensa-se em valores pragmáticos visando apenas o imediato, pensando no hoje, embora acreditando que o amanhã tenda a ser uma cópia xerox do hoje, de preferência uma cópia mais radical ou, talvez, mais aberrante ainda.

É essa a perspectiva oculta no tal "movimento" Fora do Eixo, formado por uma elite de acadêmicos, ativistas, jornalistas e intelectuais. O FdE, pelo que se vê no perfil de alguns de seus participantes, pode representar uma futura burocratização da cultura alternativa e a submissão da cultura independente ao mercado dominante.

Embora se anuncie como um grandioso movimento de cultura alternativa, o FdE, só pelo apoio direto ou indireto de alguns nomes, pode simplesmente reduzir a cultura alternativa numa simples "alimentadora" do mercado dominante, sem que rupturas reais com as regras de mercado sejam feitas.

Entre esses nomes, vemos um Carlos Eduardo Miranda, produtor musical e jornalista, além de músico, que transformou o cenário do Rock Brasil dos anos 90 numa cena asséptica, acrítica, numa imitação mais conformista e menos criativa do cenário "new wave" vivido nos EUA e na Europa entre 1978 e 1985.

Eram os tempos das "bandas engraçadinhas", a maioria mais preocupada em arrumar um bom empresário antes de formar as linhas básicas de seu repertório. Mais preocupada em contar piadas ou dar sorrisos cínicos nas fotos do que fazer boa música. Bandas que tinham uma estrutura profissional e técnica até bem feita, mas tinham deficiências criativas enormes.

É só perceber alguns desses grupos: Baba Cósmica, Virgulóides, Ostheobaldo, Poindexter, Peter Perfeito, entre outros. Para não dizer Raimundos e Mamonas Assassinas, os mais populares dessa cena.

Os Raimundos faziam aquele "rardicor" caricato, que pouco tinha da veia crítica do verdadeiro hardcore. Uma de suas músicas, por exemplo, só falavam em "querer ver o oco". E um dos discos veio a se chamar "Só Nos Forevis", enfatizando o humor como era de praxe nesses grupos.

Já os Mamonas Assassinas era a síntese antecipada de tudo que a mediocridade cultural produziu nos últimos 15 anos, de Exaltasamba a Michel Teló, do Pânico na TV ao Restart. Mas os Mamonas pelo menos se assumiam como piada, do contrário que seus "herdeiros" de hoje, que temos que levá-los a sério, até demais.

Havia exceções nesta cena, é claro, mas o que se via em sua maioria esmagadora era a diluição da cultura alternativa, dentro do universo roqueiro, que na prática só isolou o segmento rock para um público mais jovem, de classe média e que mesmo dentro do rock já cometia suas injustiças condenando o que é mais antigo.

Não é à toa que o saudoso Renato Russo quase teve sua boa reputação perdida durante um período em que o grupo Charlie Brown Jr. - apadrinhado por um discípulo de Carlos Eduardo Miranda, Rick Bonadio - vivia o momento de fanatismo intolerante de seus fãs. O grupo de Santos havia sido escolhido pelo mercado para ocupar o nicho dos Raimundos, que na sua crise interna perdeu o vocalista Rodolfo Abrantes, que brigou com o grupo e hoje é pastor evangélico.

Com a onda do Charlie Brown Jr. e seus intolerantes fãs, Renato Russo quase foi jogado ao esquecimento, ridicularizado sob o pretexto de que o falecido cantor havia gravado música italiana. Só depois, com o revival dos anos 80, Chorão e companhia tiveram que pegar carona gravando justamente "Baader-Meinhof Blues", na tentativa de pedir desculpas pela atitude dos fãs.

O declínio desse rock "pragmático" e "limpinho" da cena lançada por Carlos Eduardo Miranda e pelo ex-vocalista do Não Religião (os "Los Saicos" do emo?), Tatola, abriu o caminho para os jovens de classe média alta abraçarem o brega-popularesco. Era um rock tão "limpinho" e bem mixado que, para tentar parecer "sujo", geralmente usava-se baterias ruins, cujos tambores tinham o mesmo som de latas de leite Ninho.

Até a trolagem passou a ter outro foco. Nomes como Alexandre Pires, Zezé di Camargo & Luciano, Mr. Catra, Banda Calypso e os breganejos João Bosco & Vinícius e Leonardo passaram a ter os mesmos fãs fanáticos e fascistas que Charlie Brown Jr. havia deixado de ter.

Além de Miranda, temos o já muito falado Pedro Alexandre Sanches, que faz falsos ataques ao PSDB e à velha mídia, tentando nos fazer esquecer de seu passado como cria do Projeto Folha. E tem a cantora Gaby Amarantos, que é tão "sem mídia" que apareceu até na Rede Globo e Veja, e tão "alternativa" que se inspirou na atual "rainha das paradas de sucesso" - o hit-parade é o extremo oposto da cultura alternativa - , Beyoncé Knowles, para fazer seu espetáculo tecnobrega.

O maior risco do FdE, portanto, não é a aglutinação de vários eventos e instituições independentes. Até porque este ato, por si só, pode ser saudável e positivo. O risco é de transformar a cena independente numa "panelinha" de intelectuais, produtores e acadêmicos "bacanas" que, em vez de romper com o velho mercado - apesar de insistirem nesta tese, no discurso - , apenas o "renovam" sem oferecer ameaça às regras dominantes.

Juntando uma MPB alternativa, inteligente mas sem compromissos de análise crítica da realidade e do mercado, com músicos performáticos mais preocupados em chocar do que em qualquer coisa, além de outros mais preocupados com o uso de tecnologia de ponta e a "massa excluída" do brega-popularesco (neste caso, Gaby Amarantos e Leandro Lehart são alguns exemplos), a "panelinha" dos "fora do eixo" poderá amarrar a cena alternativa através de suas regras de "livre mercado".

Para dar a impressão contrária, eles - que abusam do discurso "esquerdista" - deixam o microfone livre para qualquer um se expressar. "Qualquer um", em termos. Desde que não seja para exprimir sua consciência crítica em relação ao mundo em que vivemos.

Tudo dentro de uma perspectiva pós-tropicalista e neo-caetânica de analisar o mundo num astral pop inofensivo, embora pretensamente "provocador" e "arrojado". Perspectiva que reduz o senso crítico a um inofensivo processo de criar uma verborragia em que se critica o nada e se contesta a coisa nenhuma, "entes" evocados numa retórica pós-moderna, com um quê de concretista - Ferreira Gullar que o diga - , com outro quê de pós-tropicalista - Caetano Veloso que o diga.

E os coitados de Oswald de Andrade, Gregório de Matos e Itamar Assumpção terão que assinar embaixo até quando os Psiricos da vida forem cooptados pelo esquemão FdE em Salvador. Eles não estão mais aí para reclamar. Há vezes em que certos mortos morrem mais de uma vez, usados, usurpados e abusados para fora de seus contextos.

Vide Raul Seixas, que certamente não gostaria de ver seu nome associado à dupla Chitãozinho & Xororó (que o roqueiro baiano odiava, e disse isso numa entrevista). A propósito, Chitãozinho & Xororó também são artistas "fora do eixo"?

COPA DO MUNDO CRIOU 'CIDADES NEOLIBERAIS', AVALIAM URBANISTAS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Essa ideia é bastante próxima das análises que a socióloga norte-americana Sharon Zukin e a arquiteta brasileira Lia Motta falavam, no livro O Espaço da Diferença, organizado pelo ex-presidente do IPHAN, Antônio Augusto Arantes (Papirus, 2000), sobre as chamadas "paisagens de consumo" que caraterizam cidades urbanizadas prioritariamente segundo interesses do mercado turístico, sem oferecer reais qualidades de vida.

Os mendigos deixados num canto da "imponente" Praça Quinze de Novembro, no Rio de Janeiro, não nos deixam mentir, junto ao fedorento calabouço que se reduziu o "mergulhão" da Avenida Alfred Agache.

Copa do Mundo criou 'cidades neoliberais', avaliam urbanistas

Por Najla Passos - Agência Carta Maior

Decisões político-urbanísticas estariam subordinadas a interesses privados nas doze capitais brasileiras que vão sediar partidas da maior competição esportiva do planeta em 2014. Despejo de comunidades carentes por causa de obras e controle do espaço público para atender patrocinadores seriam exemplos visíveis de predomínio da lógica mercantil.

RIO DE JANEIRO – Comitês populares criados nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 reclamam que a realização do megaevento – e também da Olimpíada de 2016 – está motivando intervenções nos municípios que extrapolam a seara esportiva de modo prejudicial a seus habitantes. Queixam-se que os espaços públicos estariam sendo mercantilizados, que a especulação imobiliária corre solta, que famílias estão sendo despejadas por causa das obras.

Este tipo de crítica não se limita a quem muitas vezes está sentindo os problemas na pele. Também encontra eco em urbanistas. "Estamos frente a um novo pacto territorial, redefinido por antigas lideranças paroquiais, sustentadas por frações do capital imobiliário e financeiro, e amparadas pela burocracia do Estado”, disse Orlando dos Santos Junior, mestre e doutor em Planejamento Urbano e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Santos Junior integra o Observatório das Metrópoles, um instituto virtual que reúne cerca de 150 pesquisadores na discussão de temas urbanos. Para ele, os megaeventos esportivos alteraram o processo decisório nas cidades. Investimentos públicos e privados orientam-se agora em função dos eventos, não das necessidades das pessoas. Corte de impostos, transferência de patrimônio imobiliário e remoção de comunidades de baixa renda seriam exemplos disso. “Essas remoções são espoliações, já que as aquisições são feitas por preços muito baixos”, afirmou.

Mestre em arquitetura e urbanismo, a professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Nelma Oliveira acredita que os megaeventos estão criando o que ela chama de “cidades neoliberais”. Nelas, decisões políticas e urbanísticas estariam subordinadas aos interesses privados. Isso seria visível nas regras de exploração comercial. “Existe um controle do espaço público para atender aos patrocinadores, que querem o espaço das cidades, e não apenas do estádio”, disse.

Além das comunidades carentes vítimas de remoção, Nelma aposta que trabalhadores informais e profissionais do sexo vão ser reprimidos. “Limpar a cidade e proibir a atuações desses grupos faz parte do processo de higienização das metrópoles”, afirmou a professora, que participou nesta sexta (18), junto com Santos Junior, de debate em seminário sobre comunicação que acontece no Rio.

Presente ao mesmo debate, o jornalista Paulo Donizetti, editor da Revista do Brasil, afirmou que os megaeventos deveriam ser uma oportunidade de a sociedade discutir políticas públicas. Mas o país não estaria aproveitando. “Qual poderia ser o legado humano desses eventos? Fala-se muito do legado físico, mas não se fala em aproveitar as Olimpíadas de 2016 e desenvolver uma política esportiva”, criticou.

Segundo ele, ao contrário de outros países latino-americanos, o Brasil não tem um programa esportivo universalizado. “Por que o esporte, no Brasil, é para poucos? Nós estamos preparando uma reportagem sobre a Copa e já descobrimos que 70% das escolas brasileiras não tem nenhuma quadra”, disse.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

OS "DONOS" DA OPINIÃO PÚBLICA E OS "DONOS" DA CULTURA POPULAR



Por Alexandre Figueiredo

Uma perigosa reprise está a ocorrer nos bastidores da mídia. Depois que foram desmascarados os "donos" da opinião pública que consistiam nos "grandes comentaristas" da velha imprensa, outro grupo perigoso pode botar a perder todo o processo de evolução sócio-cultural de nosso país.

São os intelectuais etnocêntricos há muito contestados neste blogue. Eles até começam a ser postos em xeque em outros blogues, com ecos no Tijolaço, no Sul 21 e em gente como o jornalista Sylvio Miceli, descontando questões latentes no pensamento de gente como Emir Sader, Rodrigo Vianna e Eduardo Guimarães.

Mas ainda é muito pouco. A tendência dominante é ainda o endeusamento de um grupo de intelectuais dotados de procedimentos suspeitos, como suspeitos eram os procedimentos dos hoje conhecidos como "urubólogos".

São eles: Paulo César Araújo, Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches, Carlos Eduardo Miranda, Bia Abramo, Ronaldo Lemos, Milton Moura, Eugênio Raggi, entre outros. Todos com uma visão etnocêntrica do que eles entendem como "cultura popular", dentro de um prisma paternalista que eles não assumem ter. Afinal, embora preconceituosos, se afirmam "sem preconceitos".

A visão desses "donos" da cultura popular não é menos restritiva do que a visão dos antigos "donos" da opinião pública (Miriam Leitão, William Waack, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhede, Carlos Alberto di Franco, entre outros) e até mesmo Hermano Vianna tem relações com o demotucanato, tendo sido orientado, na pós-graduação, por um discípulo de Fernando Henrique Cardoso, o antropólogo Gilberto Velho.

Afinal, a aparente defesa desses intelectuais à dita "cultura popular" é muito estranha, presa aos princípios da "cultura de massa". Outros procedimentos também tornam-se bastante suspeitos, para uma intelectualidade que, como os citados Miranda e Sanches, são tratados como semi-deuses.

CONDENAR O SENSO CRÍTICO

Um dos procedimentos dessa intelectualidade é a condenação do senso crítico. O pretexto mais comum, e praticamente uniforme no discurso de cada intelectual, é que a avaliação crítica da "cultura de massa" é, para eles, expressão de "preconceito estético".

Isso torna-se muito estranho, na medida em que é missão natural do intelectual estimular o senso crítico, e não censurá-lo ou, ao menos, desaconselhá-lo. Os questionamentos que esses intelectuais admitem têm que ser dentro dos limites ideológicos deles, sem representar reais rupturas com os valores de entretenimento da velha grande mídia.

Não é fácil, à primeira vista, ter essa constatação. Afinal, esses intelectuais manipulam o discurso de forma que tenhamos a impressão de que seu pensamento é perfeitamente progressista, com uma sutileza que chega a convencer os mais desavisados.

Isso não significa que eles possam entrar em contradição em seus discursos, ou que não cometam seus reacionarismos. Suas abordagens, em que pese toda a roupagem "científica" que vai de monografias a documentários, é confusa, e seu conteúdo tem muito mais de publicitário e persuasivo do que de científico e racional.

MICROFONE ABERTO, MAS NEM TANTO

Uma das vitrines desta intelectualidade é o "movimento" Coletivo Fora do Eixo, que reúne acadêmicos, jornalistas, intelectuais, líderes de organizações não-governamentais, que aparentemente canaliza vários eventos culturais e diversas iniciativas sociais por todo o país.

No entanto, o evento já começa a ser visto como uma espécie de "Instituto Millenium" da cena alternativa, através de acusações de corporativismo entre os envolvidos e da absorção de tendências brega-popularescas, como o "funk carioca" e o tecnobrega, que, do contrário que muitos imaginam, está dentro da velha mídia.

Isto é sintomático, já que o "funk carioca", mesmo o "de raiz" (tido como "engajado" e "difícil"), é historicamente parceiro das Organizações Globo, e o tecnobrega, desde o começo, foi claramente apoiado pela mídia da famiglia Maiorana, dona do jornal O Liberal. Estes são fatos, não são especulações.

O grande problema é esse, é quando a intelectualidade que se apropria do tema "cultura popular" se serve de todo um discurso que, embora sugira "ruptura com antigos paradigmas", na verdade reduz toda a militância à mera reciclagem da "cultura de massa".

Não se tratam de valores realmente críticos. E mesmo o "microfone aberto" não se abre a qualquer senso crítico. É fácil criticar a Folha de São Paulo quando "chutar cachorro morto" (ou seja, atacar instituições já com reputação abalada) é o esporte da moda. Mas o próprio Pedro Alexandre Sanches não só foi cria do Projeto Folha, como continua tendo a mesma filosofia defendida pelo jornal "modernamente" conservador.

PENSAMENTO NEOLIBERAL APLICADO À CULTURA

Pois esse discurso de "novos paradigmas", dentro de retóricas de cunho tecnocrático, evocando conceitos de informática e globalização, soa um tanto anacrônico, pois remete à submissão do homem pela máquina, numa lógica positivista dos anos 90.

Não que a informática não prestasse para a cultura. Ela presta, e muito. Mas sua importância é superestimada pelos ideólogos da "nova cultura popular", como se bastasse colocar plugues, chips e modems para tornar a cultura brasileira mais atualizada.

A cooptação de bregas e neo-bregas "excluídos" pela grande mídia (em tese, porque eles continuam tendo muito espaço na mesma) também é um ponto negativo, o que mostra o quanto valores da velha mídia continuam prevalecendo, para o bem de um mercado dado como morto mas redivivo na praxe dessa intelectualidade.

Outro aspecto negativo é a visão das "periferias" difundida por esses intelectuais. Embora estes se posicionem numa aparente - e, não obstante, falsa - oposição ideológica a Fernando Henrique Cardoso, é a partir da visão do sociólogo e ex-presidente que eles se inspiraram, até de forma bastante explícita, para a dicotomia "centro X periferia" de suas pregações ideológicas.

Pois a visão de "periferia" se refere, na verdade, a uma visão idealizada e romantizada das classes populares, reduzidas a uma massa consumidora de entretenimento, tida como "feliz", "próspera" e "inocente". É a mesma visão da pretensa "autossuficiência" das populações pobres questionada pelo economista John Kenneth Galbraith no livro A Cultura do Contentamento.

Os malabarismos discursivos desses intelectuais "influentes" dá a falsa impressão de que o entretenimento popularesco é o equivalente brasileiro dos movimentos sociais lá fora. Uma ideia hipócrita, que na verdade visa evitar que tais movimentos sociais do exterior cheguem até aqui com a força que tinham na Europa, EUA e Oriente Médio.

Aqui a mediocridade cultural é defendida, como se fosse a "rebelião popular". E os intelectuais envolvidos não medem escrúpulos para partir para o reacionarismo, quando falamos na mediocridade cultural de tecnobregas, forró-bregas, funqueiros, breganejos, sambregas etc. Somos chamados, a esmo, de "preconceituosos", "moralistas", "elitistas".

Isto quando um Pedro Alexandre Sanches, irritado e tomado da mais abjeta fúria folhista (a fruta não cai longe da árvore, e nunca se viu uma manga romper com a mangueira, uma laranja com a laranjeira, um limão com o limoeiro), chama os críticos da mediocridade cultural de "racistas" e "higienistas".

Ainda se vai falar dessa intelectualidade, desses "donos" da cultura popular e suas visões suspeitas, que tratam o senso crítico como se fosse um crime, como se fosse um erro questionarmos a mediocridade cultural dominante.

Enquanto muitos acreditam nos ideais de cor e fantasia desses intelectuais, que travestem a imagem das periferias em "Disneylândias do mau gosto", conformistas, piegas e ingênuas, eles são os reis da visibilidade e os microfones, sem dúvida alguma, continuam abertos sobretudo à voz dominante deles.

Mas, na medida em que o senso crítico avança, como uma avalanche de questões e dilemas vão pondo tais intelectuais na berlinda, assim como os antigos cronistas políticos que gozavam, até pouco tempo atrás, de similar supremacia.

O VERDADEIRO HIGIENISMO CULTURAL



Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade que exalta a pseudo-cultura "popular" do mercadão midiático acusa aqueles que criticam fenômenos popularescos de "higienistas". Acham que, só por desejarem ver o povo pobre mais culto, estão fazendo "eugenismo" cultural, "antissepsia" social.

Nada disso. Higienistas, na verdade, são esses intelectuais, que louvam o "funk carioca", o tecnobrega, o Big Brother Brasil e outros fenômenos "populares", e muito mais higienistas do que eles próprios poderiam admitir de si mesmos.

Isso porque eles defendem uma imagem domesticada do povo pobre. Para esses intelectuais, o povo precisa "gostar" de sua pobreza, apenas "melhorando de vida" através de alguns paliativos. Esses "pensadores" pretensamente especializados em cultura popular tentam glamourizar a pobreza e reduzem seu ideal de "qualidade de vida do povo pobre" a meras questões de consumismo e aparência.

Essa intelectualidade, tão "divinizada", tão cheia de visibilidade, é que tenta, com sua visão aparentemente generosa das classes populares, "higienizar" o povo pobre. Acha que a mediocridade cultural imposta pela mídia é a "verdadeira cultura das periferias", e eis que a intelectualidade dominante dá sua visão do que é a "criatividade do povo pobre".

Para essa intelectualidade, o povo é "criativo" quando recria referenciais previamente lançados pela mídia e pelo mercado. Se o povo pobre for realmente criativo - como nos grandes artistas do passado, como Cartola, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga - , ele é "aristocrático".

Aí vem o preconceito da intelectualidade dita "anti-preconceitos", que vê num pobre tocando piano e compondo grandes melodias um "humilde de alma burguesa". Um preconceito cruel que tira qualquer vocação desses intelectuais para combater o verdadeiro preconceito, porque o mais grave preconceito está neles mesmos.

O povo, para a intelectualidade etnocêntrica, não pode ter identidade nacional. Apenas pode desenvolver uma nacionalidade precária, defendida sob o eufemismo da "cultura transbrasileira", do "pop suburbano". A grande desculpa é que essa "nacionalidade" é "conectada com o mundo", para justificar a subordinação aos referenciais "enlatados" transmitidos pelo rádio e TV.

O povo não pode ter senso crítico, segundo esses intelectuais. Deve ser ingênuo, para manter sua "pureza" da "periferia" de contos-de-fadas difundida por esses cientistas sociais e críticos musicais. Por isso, deve ser despolitizado e aceitar sempre as "melhorias" prometidas por decisões vindas sempre de cima.

Para esses intelectuais, o povo não pode ter escolas, porque isso "macularia" sua "inocente pureza" do grotesco. Educar o povo, conscientizá-lo, ainda que pelas vias revolucionárias do Método Paulo Freire (cuja metodologia sempre respeita aspectos regionais e comunitários de um grupo social), é considerado "higienismo", um processo "perverso" de "civilização" que tiraria a "doce virgindade" da vulgaridade grotesca e cafona, da "deliciosa" tolice dos pobres alienados.

O que a intelectualidade quer é apenas a "inclusão social" dos pobres no consumismo da indústria cultural, ou a "inclusão" dos ídolos brega-popularescos no banquete burguês da "MPB caricata". Como se vestisse "pagodeiros românticos" e "sertanejos" com roupas de gala e botá-los para cantar com orquestras fosse acrescentar alguma coisa relevante com a cultura das classes populares.

Por isso, a intelectualidade etnocêntrica quer que a periferia seja idealizada pelo espetáculo do entretenimento mercantil. Nada de movimentos sociais sérios, afinal os "movimentos sociais" são sempre os eventos de entretenimento "populares", quando o povo vai, que nem gado, para os galpões que mostram os mesmos ídolos "populares" da velha mídia.

É um discurso engenhoso, que infelizmente prevaleceu por muitos anos, que transformava o povo pobre numa multidão ao mesmo tempo ingênua, submissa, abobalhada. Ela prevaleceu porque era um discurso confuso, cheio de contradições, mas era um discurso "positivo", além de ter um forte apelo sentimental.

Em outras palavras, era uma campanha publicitária, travestida de artigos jornalísticos, documentários, teses acadêmicas, textos científicos, tudo para tão somente reafirmar a mediocridade cultural dominante.

É um discurso claramente apoiado pelos barões da grande mídia, mas que a intelectualidade associada, até com certa insistência, tentava e ainda tenta empurrar para a mídia esquerdista. Mas o DNA ideológico de muitos deles não deixa mentir que eles mesmos são ligados, direta ou indiretamente, aos mesmos interesses dos Marinho, dos Frias, dos Civita.

Talvez sua "independência" quanto ao serviço da velha mídia os tenha feito mais verossímeis no seu discurso cheio de teses neoliberais. Seu "positivismo" tipicamente comtiano, com algo de darwinista, queria que a mediocridade cultural se "evoluísse" sem mexer no sistemão do entretenimento midiático.

Afinal, em vez de lutarmos para melhorarmos a cultura, com novos personagens e novos agentes, a intelectualidade etnocêntrica quer que a cultura se "evolua" através do continuísmo da mesmice brega-popularesca, com os mesmos ídolos que cometeram gafes, equívocos e omissões jogados para (tentar fazer) um progresso sócio-cultural que, na verdade, tem mais de tendencioso do que eficaz.

Em outras palavras, é como se a intelectualidade desejasse que a MPB se "progredisse" com os mesmos ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas que ignoraram a MPB no passado. Ou que as mulheres-frutas "comandassem" os novos valores da mulher moderna e classuda. Ou que qualquer um que cometesse gafes profundas virasse um "modelo" para a nova sabedoria cultural popular. Mas toda essa utopia se revela inútil e sem qualquer garantia de eficácia.

Afinal, já vimos esse filme todo, essas tentativas todas, e elas não deram certo. Os ídolos "populares" apenas "evoluíram" dentro dos conceitos elitistas da classe média alta, que "socorria" os ídolos popularescos com seus "ensinamentos" e seu "apoio".

Mas tudo isso em nada contribuía para a evolução social do povo pobre, era no fundo uma tentativa das elites intelectuais em se passarem por "generosas" para o povo e um meio dos mesmos ídolos da mediocridade cultural justificarem sua longa presença no showbiz.

Por isso, o verdadeiro higienismo cultural é a domesticação do povo pobre pelo entretenimento dito "popular". Um povo ao mesmo tempo grosseiro e tolo, catártico e submisso, brutalizado e infantilizado, com valores retrógrados fantasiados de "modernos" mas desprovidos de verdadeira ética e cidadania.

É através dessa domesticação que o povo pobre, em vez de ter qualidade de vida e melhorias, mantém-se no comportamento grotesco e brutal, mas imbecilizados pelos referenciais "culturais" a eles atribuídos pela velha mídia.

Desse modo, a intelectualidade etnocêntrica quer que o povo pobre seja tão somente uma multidão de "bons selvagens", de bobos-da-corte para satisfazer a vaidade elitista dos intelectuais que defendem o brega-popularesco.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

QUANDO "VERDADE" RIMA COM VISIBILIDADE



Por Alexandre Figueiredo

Exercício de raciocínio lógico: existe um intelectual que sempre mente, existe um intelectual que às vezes mente, às vezes diz a verdade e existe um intelectual que sempre diz a verdade. Se o intelectual que mente sempre tem diploma de doutorado e grande visibilidade, logo ele fala a verdade. Se o intelectual que às vezes mente, às vezes diz a verdade serve uma aristocracia claramente reacionária, ele é tendencioso. Se o intelectual que sempre fala a verdade não é muito badalado, logo sua verdade não interessa.

Não precisa analisar isso. No primeiro caso, o intelectual das meias-verdades - às vezes mente, às vezes fala a verdade - , se possui diploma de pós-graduação, tem grande visibilidade e faz palestras bastante festejadas no seu meio, então ele "fala sempre a verdade".

No país do jeitinho brasileiro e da memória curta, a intelectualidade etnocêntrica tenta armar um discurso bastante sutil, cheio de sonho e fantasia, mas travestido de roupagem científica. Tudo fica "objetivo", parece "racional" demais para o cidadão comum duvidar. Afinal, René Descartes, o célebre cientista francês, está na galeria dos "preconceituosos" listada com gosto pela intelectualidade "divinizada" em nosso país.

"Não tem como duvidar", cantava Alexandre Pires para a mesma plateia que hoje aplaude a intelectualidade etnocêntrica prestes a acolhê-lo, quando o cantor sambrega que deixou os EUA antes que seja tido como "neocon" (apadrinhado por cubanos anti-Fidel e cantando para George W. Bush) deixar de bater ponto na Rede Globo.

É até curioso. É uma intelectualidade que não quer ser analisada, quer ser endeusada, e por isso meias-verdades e mentiras andam sendo impunemente veiculadas, para o bem de todo o espetáculo neoliberal e popularesco dominante.

Eles tentam se posicionar, no discurso, contra a velha grande mídia, mas agem a favor dela. Falam mal da Rede Globo, da Folha de São Paulo, de Caras, mas no fundo estão a serviço desses veículos.

Falam mal de Fernando Henrique Cardoso, mas como é que podem bons alunos se voltarem contra o seu mestre maior, quando sua influência é claramente, explicitamente notada nas ideias de Hermano Vianna, Ronaldo Lemos, Paulo César Araújo e, sobretudo, Pedro Alexandre Sanches?

Criam todo um discurso que dá a impressão de que o que eles entendem por "cultura da periferia" está "hiperconectada com o mundo". Só que essa ideologia "revolucionária" que essa intelectualidade tanto alardeia é um discurso velho, de paspalhos neoliberais que superestimaram a revolução humanitária com o fim do Muro de Berlim.

É só ver os conceitos de Ronaldo Lemos e Pedro Alexandre Sanches, por exemplo, que estão encharcados dos mesmos conceitos info-liberais de Steve Jobs e global-históricos de Francis Fukuyama. Mais neoliberal que isso, impossível.

Mas eles não querem ser considerados neoliberais, coitados. Como se eles acreditassem que se faz revolução socialista com "funk carioca" e Michel Teló. Confundindo as coisas, eles condenam os movimentos sociais na medida em que "movimentos sociais", para esses intelectuais, só são o espetáculo do consumismo do povo pobre resignado.

Para esses intelectuais "fora do eixo", não existe Pinheirinho, não existe Eldorado dos Carajás, para eles o que vale é a "periferia legal", domesticada, infantilizada, estereotipada no Esquenta! da Rede Globo.

Essa visão tecnocrática de uma pseudo-cultura ciber-brega-popcreta - o pós-new-old que há foi contestado por Raul Seixas e Marcelo Nova - só faz arrancar aplausos de uma plateia acrítica, que Pedro Sanches agradece por ser mais jovem.

Diz o colonista-paçoca que essa geração mais jovem "não possui os preconceitos estéticos dos mais velhos". Pode ser. Mas, infelizmente, essa garotada amestrada pela mídia (sim, Rede Globo, entendeu, Sanches?), possui outros preconceitos que, apesar de "sem preconceitos", são muito e cruelmente mais preconceituosos.

A POLÍTICA ANTIPOPULAR PARA AS FAMÍLIAS DE PINHEIRINHO


EDUARDO CURY, PREFEITO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Cúmplice do fascismo do governador Geraldo Alckmin.

Por Alexandre Figueiredo

Se é possível complicar, para que facilitar? Pois tanto a prefeitura de São José dos Campos quanto o governo estadual de São Paulo, ligados ao PSDB, agiram de forma cruel e antipopular contra os moradores da comunidade de Pinheirinho, que já está em processo de demolição.

Expulsos sumariamente pela truculência policial, os moradores foram tratados de forma humilhante, jogados em alojamentos feitos às pressas em igrejas e escolas, com eventual falta d'água e amontoados a esmo.

Sim, era uma catástrofe, mas a diferença é que ela foi feita pelas autoridades tucanas, o prefeito Eduardo Cury e o governador Geraldo Alckmin. Que, agora, dizem que "não há prazo" para que os moradores da antiga favela, que já vivia uma rotina de bairro e só faltava ser urbanizada, irem para alguma nova residência.

Cury afirma que os ex-moradores de Pinheirinho estão "sendo acolhidos", mas afirma que a prefeitura da cidade tem um cronograma de política habitacional que já incluía outras famílias. Quer dizer, a coisa, que não era fácil, ficou mais complicada ainda. E o jeito são as famílias de Pinheirinho ficarem à própria sorte, acampadas da forma que puderem. As autoridades, que lavem suas mãos.

Tudo para salvar o patrimônio decadente de um especulador financeiro, Naji Nahas, que é até queridinho da velha mídia. Certa vez, a Caras fez uma bela cobertura de casamento da filha do especulador, com o dito cujo entre os presentes, bem naquele clima do colunismo social mais chique.

Sim, a Selecta pode estar falida, mas Nahas continua vivendo muito bem. E ele está feliz porque seus amigos tucanos lhe salvaram a propriedade que o especulador nem sabia como utilizar, mas que, para o bem de sua riqueza, tinha que manter no seu patrimônio.

O povo de Pinheirinho é que tem que se virar, dizem os tucanos. Mas isso desgasta a imagem de Alckmin e Cury, num ano eleitoral para o cargo de prefeito. O PSDB perdeu uma boa chance de capitalizar eleitoralmente um projeto social e, reprimindo o povo de Pinheirinho, numa ação policial constrangedora e revoltante, pode simplesmente levar uma surra nas urnas de São José dos Campos.

Realmente, isso não se faz. Pinheirinho tinha sua vida tranquila, com gente trabalhando, estudando, procurando emprego ou, simplesmente, vivendo. Havia seus problemas, sim, mas a comunidade não era para ser destruída, e se as casas tinham que ser demolidas, era para construção de casas populares, oferecendo qualidade de vida para os moradores.

Em vez disso, o que era sofrível ficou pior. Nem barracos o povo de Pinheirinho tem mais. A situação humilhante da população da antiga comunidade, depois de oito anos instalada, mostra a prepotência e a demagogia de um grupo político que agora fala em "assistir os moradores".

Mas Alckmin e Cury estão muito longe de fazer qualquer assistência aos moradores de Pinheirinho. Para eles, tanto faz não haver prazos, não são eles que veem o tempo correr, mas as 1600 famílias que simplesmente terão de esperar muito tempo para uma nova moradia. Isto é, se ela vier a ser feita, ou se ela atenderá as condições e necessidades desses cidadãos.
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