terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PSEUDO-ALTERNATIVO E PERFORMÁTICOS "DESCOLADOS"


Por Alexandre Figueiredo

Orquestra Superpopular, produtora Cover Flow, projeto musical Kitsch Pop Cult, Gang da Eletro, tributos "alternativos" a Odair José e Raça Negra etc. O hit-parade brasileiro se traveste de vanguarda adotando um discurso "arrojado" que não convence. Tentam desestimular o debate cultural achando que a cultura popular brasileira é uma grande gororoba, um verdadeiro balaio de gatos por lebre.

O visual tenta ser qualquer nota. Roupas multicoloridas, adereços às vezes cafonas, às vezes modernos. Bermudões de skatistas com blazer, chapéus granfinos com sandálias de couro, branquelas com peruca black power, toda a indumentária indefinida, onde a indefinição é a definição. Tudo fora do contexto, dentro de uma "salada" confusa de referenciais.

Claro, são pessoas muito, muito jovens. Quando muito, começam os trinta anos. São pessoas que já desde a infância adotam referenciais confusos, contraditórios. Sua formação vai do consumismo pré-adolescente do Xou da Xuxa ao pretensiosismo pseudo-rebelde da 89 FM.

Suas babás ouviam rádios popularescas e cuidavam dos filhos dos patrões ouvindo música brega e acostumando mal a criançada com isso. Em contrapartida, essa geração teve que encarar as universidades e aprender coisas como a Contracultura e autores como Marshall McLuhan, Antonio Gramsci, Geörg Lucaks, Sigmund Freud, Hannah Arendt e outros.

Com isso, sua formação cultural tornou-se confusa e contraditória. Não decidem entre ser brega ou ser alternativo e acham possível ser um e outro ao mesmo tempo. Erram ao saber que o caminho da criatividade passa obrigatoriamente por essa etapa, e na prática eles acabam produzindo um pós-tropicalismo "emo", sem representar qualquer ousadia.

APOIO DA VELHA GRANDE MÍDIA

Esses performáticos "descolados", que misturam Wando com Legião Urbana, Michael Sullivan com Nirvana, Latino com Lenine etc sempre adotam um vestuário multicolorido, mas propositalmente deselegante. Tentam se valer pela "provocação", mas eles não causam provocação alguma. Tanto que a velha grande mídia se derrete toda por eles.

Afinal, gente como Merval Pereira e Eliane Cantanhede pode dormir tranquila, porque esses jovens acabam perdendo tempo misturando tipos contraditórios de roupas e adereços, num claro consumismo de informações diversas e opostas entre si, mas resultando numa pretensa "geleia geral" que nem de longe sugere uma abordagem crítica da realidade cultural do país.

Até porque as esquerdas médias, tementes ao "deus mercado", disseram, felizes da vida, que esse pessoal não se preocupa sobre o que é "velha ou nova MPB, alta ou baixa cultura, sofisticação ou mediocridade etc", apenas despejando tudo o que decidem despejar assim "na lata". Meros pseudo-alternativos que apenas realimentarão o entretenimento midiático e comercial com mais do mesmo.

Afinal, o que é criatividade se todo mundo dos grupos citados no alto deste texto faz exatamente a mesma coisa? Tudo o que eles fazem sob o rótulo de "novo" se reduz a clichês da mistureba estética que não traz estética nova alguma. Tudo soa velho, banalizado, conformista.

Não é à toa que essa "galera alternativa" que jura que é "discriminada" pela grande mídia conquiste, em amor à primeira vista, os barões da grande mídia e seus colunistas culturais. Para eles, é ótimo haver uma juventude assim, que finge que faz rebeldia, que faz sucesso se passando por "polêmica", que brinca de fazer provocação mas se comporta bem de acordo com o "sistema".

A Globo, Folha de São Paulo e outros veículos adoram esse pessoal, porque esses jovens não ameaçam o status quo. Eles não se revoltam contra os problemas sociais, antes são meros consumistas de tudo que assimilam do rádio, revistas e TVs, de forma bastante convencional, mas com um pretensiosismo "intelectualizado" e "vanguardista" um tanto hipócrita.

O que eles querem é tão somente realimentar o hit-parade brasileiro, que se desenvolve num contexto em que novas mídias se interagem com a velha grande mídia. Juntam referenciais confusos, misturando tipos diferentes de roupas, fazem um som que mistura um pop-rock apático e temáticas ou referências bregas, sem representar qualquer acréscimo à mesmice que já é tocada nas FMs mais comerciais.

No fundo, tudo permanece na mesma. Tudo fica banalizado, e o ecletismo desses jovens nada tem de libertário. Pelo contrário, tudo se banaliza num consumismo aleatório que só eles acham que vai mudar alguma coisa. Não vai mudar. No fundo, será apenas uma mudança parcial de totens na grande mídia, até que essa gente toda vá aparecer na Rede Globo mantendo a velha rotina do mainstream.

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