terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O DUELO MIDIÁTICO ENTRE CONNECTICUT E CORINTHIANS


Por Alexandre Figueiredo

Parece que voltamos a 2001. Enquanto os EUA sofriam a trágica comoção pelas vítimas dos atentados no país, incluindo o World Trade Center, naquela época o Brasil sofria com a exploração midiática das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, na qual a seleção brasileira ganhou mais pela sorte do que pelo talento.

Era também a época do escândalo da corrupção do futebol, que envolvia até mesmo parte da grande mídia e os grandes dirigentes esportivos, e Ricardo Teixeira, o maior deles, achou um jeitinho de abafar o episódio, manobrando as brechas da lei para beneficiar os maiores corruptos e por outro lado permitir que a seleção brasileira, em sua péssima fase, ganhasse todas, das eliminatórias ao "penta".

A exploração midiática da Rede Globo, sobretudo através do locutor Galvão Bueno, mostrava nessa época o uso do futebol para a manipulação do inconsciente coletivo, ludibriando muitos cidadãos que poderiam ver no futebol apenas um simples lazer, não fosse a campanha midiática comandada pela Globo mas seguida até por veículos como Bandeirantes e Rede Transamérica.

Esses veículos promovem o futebol não como um esporte feito apenas para divertir o público, mas como uma "doutrina da emoção", uma sub-religião em que os jogadores de futebol são "semideuses", e as vitórias do futebol são promovidos como se fossem "grandes milagres para a humanidade".

E hoje a coisa se repete quando vemos a tragédia de Connecticut, que comoveu os EUA por tantas vidas ceifadas prematuramente (a vítima mais velha do atirador Adam Lanza tinha apenas 56 anos), e o "espetáculo" da vitória do Corinthians no Mundial de Clubes do Japão.

A Rede Globo chega a exagerar na cobertura, prolongando a "festa" do Corinthians de tal forma que o hipnotismo seduziu até mesmo cariocas e compensou o baixo cartaz do time paulista no Campeonato Brasileiro de 2012. Em seus telejornais, na última segunda-feira, preciosos minutos foram desperdiçados para falar da vitória do time paulista na partida do dia anterior que encerrou o campeonato no Japão.

Para a Globo, não era a vitória de um time num campeonato internacional, mas a supervalorização do futebol não como um entretenimento como outro qualquer, mas como um símbolo de um pretenso patriotismo que não traz melhorias reais para a população,

Enquanto os EUA discutem o controle do porte de armas, o Oriente Médio começa a debater a criação de um Estado palestino, a Europa discute sua crise econômica e a Argentina começa a debater o fim dos monopólios midiáticos, o Brasil "festeja" a vitória do Corinthinans.

Isso é estratégico, porque o "cartola" do Corinthians, Andres Sanchez, é considerado sucessor de Ricardo Teixeira, e por isso mesmo o time é trabalhado para o estrelismo de seus jogadores em benefício da ascensão de seu dirigente, o verdadeiro beneficiado por esse bacanal todo.

Assim, a Globo, beneficiada pelo seu poder concentrado e temerosa com o caso do Grupo Clarín, ameaçado de perder seu poderio midiático na Argentina, precisa usar a festa do futebol para manter os brasileiros sob seu domínio. E, mais uma vez, o rótulo "popular" anestesia a todos, como se o termo não pudesse ser manipulado em prol dos interesses dos barões da mídia. Mas é manipulado, sim.

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