sábado, 8 de dezembro de 2012

O BREGA E A BLINDAGEM DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO


Por Alexandre Figueiredo

A julgar pelos esforços das Organizações Globo em definir o seu modelo de "cultura popular", nota-se o seu propósito de fazer blindagem em favor do brega-popularesco, evitando o máximo que a antiga cultura das classes populares volte a ter a força que tinha antes de 1964.

Hoje, sob a "segura recomendação" de cientistas sociais e jornalistas culturais bastante badalados e de muita visibilidade, o povo pobre não pode mais assumir o legado cultural de seus antepassados. A desculpa é que isso é "ultrapassado" e "ineficaz", porque o povo "não se interessa mais por isso".

Eles acham que os chamados "sucessos do povão" do rádio e TV, aliados ao jornalismo policialesco e pitoresco e às musas "popozudas", é que constituem a "moderna cultura popular" brasileira, julgando que isso será o "folclore" do futuro. Um "folclore" movido pelo jabaculê e pelo sensacionalismo barato, mas fartamente defendido pelo cinema, pelos textos acadêmicos e por outros recursos discursivos.

As Organizações Globo são um grande reforço para a reabilitação de modismos popularescos ameaçados de decadência. Sua blindagem não é única, pois, da Rede Record à revista Caras, a breguice cultural é defendida com unhas e dentes pelo poder midiático. Mas ela é bastante decisiva na forma de criar estereótipos e distorções acerca da cultura das classes populares.

O jornal O Globo tenta transformar o brega em "cultura alternativa". E coloca os jornalistas do Segundo Caderno para fazer o serviço. Até mesmo Carlos Albuquerque, que parecia ser "irmão de causa" do pesquisador cultural Maurício Valladares, conhecido fotógrafo, jornalista e radialista do nosso país, passou a atuar nessa blindagem em prol do brega.

Pois isso é um recurso ambicioso de castrar a verdadeira cultura alternativa, que merece análise em outro texto. Mas casos como o tributo "indie" do grupo de sambrega Raça Negra e a "persistente reabilitação" do brega dos anos 70 são bastante ilustrativos nessa manobra tendenciosa.

Na Rede Globo, há a construção ideológica do que ela deseja que deva ser as "periferias" brasileiras. Suas novelas sempre criam "núcleos pobres" que estranhamente são trabalhados pelos roteiristas como "oásis de alegria e prosperidade (?)". Até mesmo "periguetes" são criadas para convencer as moças pobres de que ser "baranga" vale mais do que buscar um trabalho digno na vida.

A Globo investiu muita grana para transformar o "funk carioca" em "fenômeno nacional". E como se mente muito nos bastidores do "funk carioca", seus dirigentes ainda diziam que o ritmo era "discriminado pela grande mídia". Nunca foi. Desde o começo, a famiglia Marinho sempre apoiou o estilo, assistindo o "pancadão" já a partir da emissora de rádio carioca 98 FM.

Nomes como Zezé di Camargo & Luciano, Calcinha Preta, Banda Calypso e Gaby Amarantos, todos "também discriminados" pela grande mídia, são protegidos pela Globo. E uma estrela da Rede Globo, Patrícia Pillar, realizou documentário e livro sobre Waldick Soriano, um dos pioneiros do brega.

A Rede Globo, que havia, nos anos 80, contratado Michael Sullivan para "embelezar" a música brega - com o poder comparável ao de Ali Kamel hoje - , também contribuiu para o estabelecimento da "MPB de mentirinha" feita por ídolos neo-bregas como Alexandre Pires, Leonardo, Daniel, Chitãozinho & Xororó, Belo, Ivete Sangalo e, mais recentemente, o cantor Thiaguinho.

Portanto, a Globo quer bregalizar o país, enfraquecendo sua cultura. Sutilmente divulga a cultura de verdade, mas como algo "admirável, mas velho", deixando-a em segundo plano e forjando sua decadência comercial aos poucos.

Dessa feita, a Globo investe na manipulação do "gosto popular" de forma a promover a mediocridade não só nas periferias, mas agora nas classes médias e nos meios universitários. Se o "mau gosto" tem som, ele com toda a certeza é o famoso "plim-plim".

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