sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MADAMES E MADAMES NO CÍRCULO MIDIÁTICO

A "VIAGEM" DE TICIANA VILLAS-BOAS E O "TRABALHO" DE MAÍRA CARDI

Por Alexandre Figueiredo

Tanto na mídia "popular" quanto no colunismo social, parece que vivemos o "feitiço do tempo". Tantos absurdos, tantos abusos, tantos equívocos que se insistem por tempo indeterminado. Reclamamos, e nada se resolve, apenas suspende-se esses abusos por duas semanas e eles reaparecem intensamente depois.

No colunismo social, os granfinos se esquecem do mundo afora, a ponto do empresariado se esquecer até mesmo suas diversões da juventude. É só ter 45 anos e, pronto, vai "se divertir" fazendo conversas pedantes com os amigos nas festas luxuosas dos fins de semana.

Já no âmbito da mídia "popular", protegida da intelectualidade "progressista" de futuros urubólogos, os valores machistas correm solto, travestidos de modéstia e simpatia. A avalanche de "mulheres-objetos" é intensa, as mais velhas não se aposentam, surgem as mais novas sob os mais diversos rótulos - de ex-BBBs, "musas do Brasileirão", "miss Bumbum" e até as "peladonas" - e tudo fica na mesma.

Recentemente, dois episódios nos põem a pensar sobre a posição da mulher na sociedade e as frescuras que certas moças adotam quando ficam famosas. Um é relatado pela polêmica colunista Fabíola Reipert, do portal R7, sobre a extravagância da jornalista Ticiana Villas-Boas desde que ela se casou com um economista promovido a empresário, Joesley Batista.

Segundo Fabíola Reipert, Ticiana estaria chegando tarde ao trabalho - precisaria chegar às 14 horas para preparar o Jornal da Band, mas chega as 17:30 - porque precisa almoçar com o marido milionário, e a apresentadora estaria também recebendo regalias na emissora.

Conta a colunista que Ticiana, certa vez, disse aos colegas do Jornal da Band que não poderia fazer a edição de sábado porque teria um compromisso de viagem. Os colegas depois souberam que se trata de um casamento de amigos dela e do marido.

Ticiana seria aquele protótipo de garota legal, se não fossem as pressões midiáticas para o seu meio social em Salvador curtir axé-music e as conveniências que a fizeram se casar com um milionário, convertendo-a em mais uma senhora a ir para o jet-set ao lado de um marido viciado em usar terno e gravata ou sapatos de verniz.

Do outro lado da moeda, a ex-Big Brother Brasil, Maíra Cardi - ou Mayra Cardi, para os pesquisadores informais do Google - , havia trocado carícias e mensagens amorosas com Mohammed Hammoud, um homem com pinta de galã que a mídia não deu muitos detalhes sobre o que faz. No entanto, Maíra divulgou depois que ele era apenas "seu melhor amigo" e negou que esteja namorando ele.

E um daqueles episódios em que uma musa "popular" "enguiça" na vida amorosa, em paqueras quase bem sucedidas que não viram namoro, relações promissoras que se tornam natimortas. Maíra disse que "está solteira" e que o único homem da vida dela é um filho que ela teve em uma outra relação amorosa.

Tentando explicar sua "solteirice", a ex-BBB Maíra disse que "não tem tempo de curtir a vida de solteira" (?!) e que "está curtindo seu trabalho". Recentemente, porém, Maíra foi vista na praia em companhia de amigas. E as "polêmicas" mais recentes causadas por ela envolveram dormir cheia de maquiagem e frivolidades sobre traição amorosa.

Sobre dormir com maquiagem, talvez Maíra esteja prevenida de evitar as críticas que, no exterior e também no Brasil, a atriz norte-americana (mas nascida na Ucrânia) Mila Kunis, vista desglamourizada e sem maquiagem. Mila, namorada de seu ex-colega do seriado That 70's Show, Ashton Kutcher, foi injustamente xingada de "feia" e "nada sexy", apenas por causa de seu lindo rosto cansado e sem maquiagem.

Curiosamente, as musas "populares", mesmo as "mulheres-frutas", evitam serem vistas sem maquiagem. Se a bela Mila Kunis é bastante atacada por aparecer cansada e sem glamour, imagine então como seriam as "popozudas" nessa condição. Seria muito pior, porque estas nem são lá muito bonitas com maquiagem e Photoshop, seriam simplesmente mais feias se adotassem o visual do tipo "saído da cama".

Mas esse "cuidado" é pouco, diante dos descuidos que elas fazem na mídia machista. O próprio fato delas só "trabalharem" a exibição de seus corpos na mídia, sem medir escrúpulos em se vestirem mal para bancarem as "sensuais" na marra - o que faz a má fama das ex-BBBs diante de especialistas em moda - , já é mais do que "mostrar demais". É descuidar demais.

Voltando ao enfoque acima, o Brasil de Ticiana Villas-Boas e Maíra Cardi é ainda um país muito atrasado. Tomado de valores machistas que "amarram" uma jornalista emancipada num casamento tradicional com um milionário, e forçam uma musa "popular" numa solteirice forçada para "não atrapalhar os compromissos profissionais".

O feminismo precisa reagir a isso, afinal é uma mulher que não segue os valores machistas que precisa bancar a madame dentro de uma estrutura sócio-familiar conservadora, e uma outra mulher que segue os valores lúdicos do sensualismo machista, e que por isso está "liberada" (ou talvez proibida) de ter um companheiro. São os dois lados da moeda machista que dificultam o avanço das conquistas femininas.

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