terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FOLHA DE SÃO PAULO SAI "FORTALECIDA" COM 89 FM


Por Alexandre Figueiredo

Era o que a famiglia Frias queria. Assumindo a participação acionária da 89 FM, os donos da Folha de São Paulo, sobretudo o "intelectual" Otávio Frias Filho, ajudaram no relançamento da programação "roqueira" que marcou a 89 FM nos anos 90.

Nem mesmo o programa TV Folha, na TV Cultura de São Paulo, foi tão longe na tentativa de "reabilitar" o periódico paulista, antes um símbolo, até um tanto tendencioso, de "jornalismo moderno". Ou nem mesmo a falsa reputação de "jornalismo investigativo" da revista Veja, do Grupo Abril, amigo das causas reacionárias da Folha de São Paulo e que chegou a ser sua parceira em vários negócios.

O deslumbramento em torno da UOL 89 FM, que contagiou ouvintes, músicos e jornalistas, acabou representando um ponto favorável ao poderio midiático e a toda aridez de valores e referenciais que prevaleceram nos anos 90.

Afinal, assim como para uns fezes de muito tempo viram caviar, a mediocrização cultural dos anos 90, motivo de críticas severas dos intelectuais mais conceituados, se beneficiou de uma onda saudosista em que tudo que era lixo na época agora é "luxo", como se entre essas palavras houvesse a relação ortográfica das palavras "ouro" e "oiro", "dourado" e "doirado".

Pois se hoje até o É O Tchan virou "genial", o que dizer da 89 FM e seu "irrit-pareide roqueiro"? Qualquer baboseira dos anos 90 vira "preciosidade" só porque "ficou antiga" e "marcou" algum momento pessoal da vida de alguém, o que não é desculpa para transformar coisas frívolas em relíquias do passado.

A atitude condescendente da juventude brasileira de hoje preocupa, porque ela está mais vulnerável ao controle midiático que não a fez prevenida para as muitas armadilhas que são armadas para ludibriar as pessoas.

Dessa forma, a Folha de São Paulo, que passava por um grande desgaste moral por conta de suas posturas ideológicas defendidas até nos tribunais - quando movem um violento processo judicial contra os irmãos Bochini - , saiu fortalecida encampando um projeto comercialmente bem sucedido.

É claro que a "nova fase" da 89 FM soa tão fajuta quanto a troca de um apresentador no Jornal Nacional. Mas o deslumbramento de seus adeptos se apoia em clichês discursivos do rock, em chavões que, pelo menos por enquanto, garantiu o relativo êxito da volta da suposta "rádio rock".

E isso torna-se um grande perigo para a sociedade brasileira, porque a 89 FM se apoia em estereótipos de rebeldia que irão desnortear a juventude brasileira, deixando-a presa num inconformismo de fachada que ideologicamente é oco, impedindo os nossos jovens de mobilizar por um país melhor, amestrados que se encontram pela máquina demagógica da dita "rádio rock".

Assim, os Frias conseguiram, ao menos, manter uma parcela da juventude brasileira sob o seu controle. E, além disso, a 89 FM é bem relacionada com o poderio econômico. Desse modo, o consumismo travestido de "cultura rock" prevalecerá sobre qualquer hipótese de contestar a sociedade vigente, porque haverá uma pseudo-contestação que tomará o lugar, sem que algo importante seja pensado ou feito.

Não bastasse isso, o empresariado arrumou um bom meio de arrancar mais dinheiro da juventude submissa, com a pseudo-rebeldia de mercado alimentada pela 89 FM.

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