domingo, 23 de dezembro de 2012

ESQUERDAS MÉDIAS TENTARAM CRIAR O COLLOR "DUAS CARAS"


Por Alexandre Figueiredo

As esquerdas médias e corporativistas, em que pesem várias posições progressistas reconhecidamente válidas, escondem debilidades diversas que as fazem condescendentes ou impotentes diante das manobras do direitismo político, econômico, midiático e até cultural.

Entre as diversas posturas infelizes adotadas pelos seus membros, uma se destacou este ano, e vale lembrá-la nesses poucos dias que restam para lembrar o impedimento político de Fernando Collor na presidência da República, há vinte anos.

A manobra foi a de criar "dois" Fernando Collor, na retórica dos analistas de esquerda tomados por interesses corporativistas ou pelas esquerdas médias domesticadas pelo status quo político, econômico e cultural.

Nos seus textos, eles dividem a abordagem do ex-presidente em duas visões bastante contraditórias: uma fala de um abominável ex-presidente, tirado do poder pelo Congresso Nacional. Outra, a de um "corajoso" senador que havia cobrado investigações do envolvimento da mídia com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Na primeira abordagem, Collor era visto como um político tendenciosamente mitificado pela revista Veja, pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo, como um pretenso "salvador da pátria" depois denunciado como um dos membros do esquema financeiro de Paulo César Farias, hoje falecido.

Trata-se, neste caso, de um político que havia derrotado o então candidato Luís Inácio Lula da Silva através de um debate na Rede Globo que foi editado de forma fraudulenta para ser divulgado, no Jornal Nacional, em favor do filho dos antigos militantes do IPES Arnon de Mello e Leda Collor.

Já na segunda abordagem, Fernando Collor, já convertido em "aliado" de seu rival de 1989, passou a ser visto como um "admirável senador" que, "corajosamente", cobrava a inclusão de Policarpo Jr. e Roberto Civita nos depoimentos para a hoje recém-encerrada CPI do Cachoeira.

Collor, neste segundo caso, passou a ser promovido como um pretenso porta-voz da regulação midiática, como um arauto da transparência política e do combate à corrupção, não bastasse todo o "carnaval" feito pela revista Isto É para elegê-lo senador em 2006.

MÉTODOS DE REVISTA VEJA

As esquerdas medianas e corporativistas acabam se contradizendo em seus procedimentos, pois, ao darem credibilidade a figuras como Fernando Collor na campanha pela investigação da revista Veja no caso da CPI do Cachoeira, acabam usando os mesmos métodos espúrios da publicação "abrilina".

A Veja é conhecida por ouvir fontes suspeitas, mesmo as da pior espécie, para suas reportagens supostamente investigativas, no intuito de desqualificar desafetos pessoais de seus editores e colunistas. Pouco importa se a fonte tem credibilidade para dar uma informação, mesmo suas mentiras são aceitas como "verdades" se o objetivo é derrubar os "inimigos" da cúpula de Veja.

As esquerdas médias acabam fazendo o mesmo, dando crédito a quem não merece qualquer credibilidade para impulsionar o êxito de uma reivindicação. Com tantas vozes para pedir a investigação de Veja, foi logo a do "fisiológico" Collor, adepto do mais cafajeste neoliberalismo, a escolhida para pedir a presença de Policarpo Jr. e Roberto Civita nos tribunais da CPI do Cachoeira.

A criação de um Collor de "duas caras", uma visão maniqueísta de um mesmo homem, não deu os resultados desejados. Não fez de Collor sequer um pretenso herói nem uma figura pretensamente carismática das esquerdas médias, que tiveram que amargar o fracasso dessa manobra, e acabou rendendo chacotas da direita midiática, até de Veja.

Além disso, talvez as esquerdas médias devessem ter feito uma onda de passeatas por todo o país, pedindo a investigação midiática, numa verdadeira coragem de cobrar a investigação da revista Veja, para assim criar um histórico marco da perda do poder da grande mídia.

Seria algo histórico, de grande repercussão, que levaria o povo às ruas, e faria notícias na imprensa estrangeira, além de equivaler, no Brasil, às pressões que fizeram com que o empresário australiano Rupert Murdoch seja investigado pelos seus negócios midiáticos no Reino Unido.

Em vez disso, o que se teve foram vídeos de Fernando Collor cobrando a presença de Policarpo e Civita na CPI. Não se entende qual o real propósito, com essa estranha ênfase num político sem méritos nem créditos, nessa campanha tão tímida e sem utilidade.

Resultado. Policarpo e Civita ficaram livres de deporem na CPI, que se encerrou sem mostrar serviço, desmantelada pelas pressões para evitar que certos acusados deponham. E o mineiro Odair Cunha, petista, deputado relator da CPI, acabou poupando os jornalistas claramente envolvidos no esquema de Cachoeira, num claro medo de enfrentar a velha grande mídia. Que ainda recebe "gorjetas" da presidenta Dilma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...